segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Rio de Janeiro


Não poderia faltar no Scenarium os cenários urbanos que me encantam, por isso começo homenageando a minha cidade, um cenário de encantos e desencantos como cantei em minha poesia “Rio de Janeiro”.

O destaque do vídeo é ver a paulista Rita Lee louvando as belezas da Cidade Maravilhosa, cantando Valsa de Uma Cidade. Para apreciá-lo melhor, acione a pausa da play list no layout lateral.

Você poderá apreciar também mais três vídeos de encher os olhos e encantar a alma:

Tom Jobim e Miúcha – Samba do Avião

Rio de Janeiro e Niterói, sob o olhar do fotógrafo Ricardo Zerrenner. Música: Chega de Saudade (Tom e Vinícius), na voz de Luciana Souza. Composição: helolima

Rio Antigo - uma homenagem saudosista do cearense Chico Anysio, na voz de Alcione

Completando a homenagem ao Rio, escolhi um poema do mineiro Drummond, que amou esta cidade mais do que muitos cariocas.

Canto do Rio em Sol
(Carlos Drummond de Andrade)

I

Guanabara, seio, braço
de a-mar:
em teu nome, a sigla rara
dos tempos do verbo mar.

Os que te amamos sentimos
e não sabemos cantar
o que é sombra do Silvestre
sol da Urca
dengue flamingo
mitos da Tijuca de Alencar.

Guanabara, saia clara
estufando em redondel:
que é carne, que é terra e alísio
em teu crisol?

Nunca vi terra tão gente
nem gente tão florival.
Teu frêmito é teu encanto
(sem decreto) capital.
Agora, que te fitamos
nos olhos,
e que neles pressentimos
o ser telúrico, essencial,
agora sim és Estado
de graça, condado real.

II

Rio, nome sussurrante,
Rio que te vais passando
a mar de estórias e sonhos
e em teu constante janeiro
corres pela nossa vida
como sangue, como seiva
-- não são imagens exangues
como perfume na fronha
... como pupila do gato
risca o topázio no escuro.
Rio-tato-
-vista-gosto-risco-vertigem
Rio-antúrio

Rio das quatro lagoas
de quatro túneis irmãos
Rio em ã
Maracanã
Sacopenapã
Rio em ol em amba em umba sobretudo em inho
de amorzinho
benzinho
dá-se um jeitinho
do saxofone de Pixinguinha chamando pela Velha Guarda
como quem do alto do Morro Cara de Cão
chama pelos tamoios errantes em suas pirogas
Rio, milhão de coisas
luminosardentissuavimariposas:
como te explicar à luz da Constituição?

III

Irajá Pavuna Ilha do Gato
-- emudeceram as aldeias gentílicas?
A Festa das Canoas dispersou-se?
Junto ao Paço já não se ouve o sino de São José
pastoreando os fiéis da várzea?
Soou o toque do Aragão sobre a cidade?

Não não não não não não não
Rio, mágico, dás uma cabriola,
teu desenho no ar é nítido como os primeiros grafismos,
teu acordar, um feixe de zínias na correnteza esperta do tempo
o tempo que humaniza e jovializa as cidades.
Rio novo a cada menino que nasce
a cada casamento
a cada namorado
que te descobre enquanto rio-rindo.
assistes ao pobre fluir dos homens e de suas glórias pré-fabricadas.

"Nova Reunião", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1985.

domingo, 18 de outubro de 2009

Luiz Poeta



Bailarina

Não bailas, bailarina, tu deslizas
No palco... e meu olhar que te percorre
Soluça a solidão que suavizas
Com cada gesto teu que me socorre...

Não danças, bailarina, tu flutuas,
Levitas com suaves movimentos
E mesmo sem querer tu atenuas
As dores dos meus tristes sentimentos.

Com leves rodopios, multiplicas
Teu corpo em outras tantas bailarinas;
O meu olhar desmaia onde tu ficas
Num êxtase de trôpegas retinas...

E quando dás o teu último passo,
A solidão das tuas sapatilhas
Aguarda mais um lírico compasso
No palco delicado onde tu brilhas.

Meu coração, então, apaga as luzes
E eu sonho ser o teu único par,
Tu danças, bailarina e me conduzes
À solidão sutil... do teu olhar.

© Luiz Poeta (SBACEM-RJ)
Rio de Janeiro (RJ) – Brasil

Visite Luiz Poeta em:
Luiz Poeta Studio – Música, Poesia & Arte

Rubem Alves


Desde minha infância, os jardins sempre me emocionaram. Esqueço das horas, quando me encontro dentro de um emaranhado de folhas e flores, independente se um jardim natural ou projetado. Todos me encantam. Todos têm o toque artístico de Deus. Escolhi este belo texto de Rubem Alves pela real simbologia de um jardim.
Jardim

Um amigo me disse que o poeta Mallarmé tinha o sonho de escrever um poema de uma palavra só. Ele buscava uma única palavra que contivesse o mundo. T.S. Eliot no seu poema O Rochedo tem um verso que diz que temos "conhecimento de palavras e ignorância da Palavra". A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo. Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria.

Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma... Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas... São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.

O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava, eu encostava a escada no muro e ficava espiando.
Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade.

Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.

Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. Mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: "São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu - constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada... Um dia você terá saudades... Vocês, então, saberão..." É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constroem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas... O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante... E como é bom!

Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido... Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: "Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma..." Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos...

Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera... Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas... Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius:

Se, no teu centro
um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar.

Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:

"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."

Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso." (O retorno eterno, p 65).

Fonte: A Casa de Rubem Alves

Cândido



A garota da esplanada

Sentou-se frente a mim, numa esplanada.

E num gesto lascivo, lento e lindo,
As pernas, pouco a pouco, foi abrindo
Até ver-se a calcinha avermelhada.

Estava distraída, relaxada,
Uma madeixa o rosto lhe cobrindo,
Era a expressão mais pura do divino
Por minha inconsciência profanada.

Meu pensamento é um depravado
Por um gesto bonito, descuidado,
Perdeu-se em rubras quebras de juízo,

Só porque aquela imagem de beleza,
Sentada ali em frente à sua mesa,
Era toda a visão do Paraíso.

04/03/2008

© Cândido
Amadora – Portugal

Conheça mais poemas do Cândido clicando aqui ou visitando sua página no Cenário de Sentimentos

sábado, 17 de outubro de 2009

Machado de Assis


Retrato de Machado de Assis, 1905
Henrique Bernardelli (Brasil, 1858 – 1936)
Óleo sobre tela - Academia Brasileira de Letras, RJ


A Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiro

Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro

Que, a despeito de toda humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados

Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos

Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.

O soneto, intitulado "A Carolina", faz parte do livro "Relíquias de Casa Velha", publicado em 1906, e foi o último escrito pelo autor. O também escritor Manuel Bandeira destacou este poema como uma das peças mais comoventes da literatura brasileira, de acordo com o “Almanaque Machado de Assis”.

O livro “Toda Poesia de Machado de Assis”, de Cláudio Murilo Leal, que reúne pela primeira vez toda a obra poética de Machado de Assis, apresenta o poema e traz um breve comentário.

“Carolina Augusta Xavier de Novaes e Joaquim Maria Machado de Assis casaram-se no dia 12 de novembro de 1869 e viveram uma plácida e amorosa vida conjugal durante 35 anos. A morte da esposa, em 1904, deixa Machado abatido e queixoso. Em carta a Joaquim Nabuco, datada de 20 de novembro do mesmo ano, escreve, lamentando-se: "Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo."

Em 1906, depois de terem sido publicadas as Poesias completas, o poeta escreve seu mais pessoal e profundamente sofrido poema, um verdadeiro réquiem, intitulado "A Carolina". Talvez, para não demonstrar vestígios de um sentimentalismo piegas, Machado elege uma forma poética que reverencia também, sutilmente, o tom e a textura camonianos. Essa aproximação estilística à linguagem castiça, que renova, mais do que copia, no século XX, o sabor do verso quinhentista, foi observada por J. Mattoso Câmara, no ensaio "Um soneto de Machado de Assis".

Ao lado de conhecidos poemas como "Círculo vicioso" e "A mosca azul", o soneto "A Carolina" é considerado a mais comovente pedra de toque da obra poética de Machado de Assis.

No ano de 2006, comemorou-se o centenário de "A Carolina", publicado pela primeira vez no livro Relíquias de casa velha, soneto que não foi recolhido em algumas edições das poesias completas.”

Fonte: FolhaOnline
Curiosidade

O Jornal do Comércio publicou um interessante artigo do jornalista Antonio Gonçalves Filho sobre os escritores brasileiros mais citados por 55 tradutores, professores e bibliotecários de 19 diferentes países. E para surpresa dos organizadores do projeto, “Conexões Itaú Cultural – Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira”, que encomendou a pesquisa, contrário à expectativa de que Paulo Coelho seria o escritor contemporâneo mais citado, foi o gaúcho Moacyr Scliar, quem surpreendeu.

Os dez escritores mais citados pelos especialistas estrangeiros consultados na pesquisa realizada pelo Itaú Cultural são os seguintes:

1- Machado de Assis
2- Clarice Lispector
3- Guimarães Rosa
4- Graciliano Ramos
5- Jorge Amado
6- José de Alencar
7- Manuel Bandeira
8- Moacyr Scliar
9- Rubem Fonseca
10- Drummond de Andrade.

Jornal do Comércio, 29 de maio de 2009, Caderno C, página 5.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fazer Amor é Pisar na Eternidade



Fazer Amor é pisar na Eternidade

Fazer amor é coisa séria demais...
Não basta um corpo e outro corpo, misturados num desejo insosso, desses que dão feito fome trivial, nascida da gula descuidada, aplacada sem zelo, sem composturas, sem respeito, atendendo exclusivamente a voracidade do apetite.

Fazer amor é percorrer as trilhas da alma, uma alma tateando outra alma, desvendando véus, descobrindo profundezas, penetrando nos escondidos, sem pressa, com delicadeza... porque alma tem tessitura de cristal, deve ser tocada nas levezas, apalpada com amaciamentos... até que o corpo descubra cada uma das suas funções.

Quando a descoberta acontece é que o ato de amor começa.
As mãos deslizam sobre as curvas, como se tocando nuvens, a boca vai acordando e retirando gostos, provando os sabores, bebendo a seiva que jorra das nascentes escorrendo em dons, é o côncavo e o convexo em amorosa conjunção.

Fazer amor é Ressurreição!
É nascer de novo: no abraço que aperta sem sufocamentos, no beijo que cala a sede gritante, na escalada dos degraus celestiais que levam ao gozo.

Vale chorar, vale gemer... vale gritar, porque aí já se chegou ao paraíso, e qualquer som há de sair melódico e afinado, seja grave, agudo, pianinho... há de ser sempre o acorde faltante quando amantes iniciam o milagre do encontro.
Corpos se ajustaram, almas matizaram... Fez-se o Êxtase! É o instante da Paz... É a escritura da serenidade!
E os amantes em assunção pisam eternidades!

(Texto atribuído a um Frei do Colégio Santo Agostinho)

Tenho este texto guardado há algum tempo e pra mim é uma das descrições mais perfeitas de um ato de amor carnal; é pura poesia. Tenho dúvidas quanto à autoria do texto, que é atribuída a um Frei do Colégio Santo Agostinho. Fiz pesquisas cansativas, é um texto publicado em vários sites e blogs, mas esbarrei na mesma informação que está aqui. Caso alguém tenha outra informação sobre a autoria, por favor, é só deixar um recadinho nos comentários.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Marly Caldas



A Lua e a Mulher

e a lua virou mulher

ou a mulher virou lua
tanto faz
são iguais
brancas e soltas
apaixonadas
correram na areia
como eu
atrás do que era seu...

© Marly Caldas
Rio de Janeiro (RJ) – Brasil


Visite Marly Caldas em:

Mercedes Sosa

Para ouvir o vídeo, não se esqueça de acionar a pausa da play list no layout lateral.

Mercedes Sosa nasceu em San Miguel de Tucumán a 9 de Julho de 1935 e faleceu em Buenos Aires no dia 4 de Outubro último. Com raízes na música folclórica argentina, ela se tornou um dos expoentes do movimento conhecido como Nueva canción, que mescla influências africanas, cubanas, andinas e espanholas. Apelidada de La Negra pelos fãs devido à ascendência ameríndia (acreditava-se erroneamente que era devido a seus longos cabelos negros), ficou conhecida como a voz dos "sem voz".

A voz de Mercedes Sosa me encantava, assim como o que representou para a América, e Gracias a La Vida inspirou-me a escrever o poema Graças.

Selecionei alguns belos momentos de La Negra.
Como La Cigarra
Canción Con Todos
Volver a Los 17
Alfonsina Y El Mar
Alfonsina Y El Mar (English subtitled)

Para saber mais sobre Mercedes Sosa é só clicar aqui.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Gui Oliva



Inspiração

Choro... hoje acordei num choro interno,
lágrima que umedece uma secura,
um desejo que não chega como quero,
de verso meu a expor minh´alma nua

Chorei... lágrima aguou boca sedentae,
como chuva em auxílio à semente,
adocicada ordenou-me... tenta,
dedilha versos que o coração sente.

Indaguei então... o que é inspiração,
é um dom expondo a alma em rima,
ou donzela a espalhar sonhos e quimeras?

A lágrima sorvida responde e ensina:
como eu, pode ser companheira da ilusão,
depende como a tratas enquanto a esperas!

© Gui Oliva
Santos (SP) – Brasil

Conheça mais textos de Gui Oliva visitando Vida em Caminho.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Shae-Lynn Bourne

Para apreciar o vídeo, acione a pausa da play list no layout lateral.

Shae-Lynn Bourne começou a patinar aos 7 anos de idade, tornando-se mais tarde uma dançarina do gelo. A dançarina canadense competiu em vários Jogos Olímpicos de Inverno e seu parceiro mais constante foi Victor Kraatz. A dupla se tornou campeã mundial em 2003.
Após a conquista do campeonato, Victor Kraatz decidiu parar de patinar e Bourne, após dançar com outro parceiro, seguiu carreira solo.
Hoje ela é treinadora e coreógrafa, e usa sua fama para lutar contra a exploração infantil. Shae-Lynn e Victor participam de vários shows beneficentes.

Além de La Cumparsita, um número solo apresentado em 2005, em que Shae-Lynn arrebata a plateia (vide vídeo acima), destaco mais três apresentações:

Caruso (solo de Shae-Lynn)
Adágio em G Menor (com Victor Kraatz, apresentação em que foram campeões mundiais)
Sadness by Enigma (com Victor Kraatz)

Para saber mais sobre Shae-Lynn Bourne clique aqui.

Antônio Mesquita Galvão



A vida passa...

Se pudéssemos ter consciência de quanto nossa vida é passageira, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades de felicidade. Para nós e para os outros. No jardim, algumas flores são colhidas cedo demais. Algumas mesmo em botões. Há sementes que nunca brotam, assim como há flores que vivem a vida inteira até que, pétala por pétala, tranqüilas, vividas, se entregam ao vento.


Muitos de nós, cegos pela pressa, pela busca de duvidosos status e pelos tantos “compromissos” não sabemos adivinhar a duração da beleza de todas as flores que foram plantadas em nosso redor. E cuidamos mal. Descuidamos de nós e dos outros. Vivemos tristes e preocupados com coisas pequenas. Nos afligimos demais com horários e perdemos tempo, jogamos fora horas e minutos preciosos. Perdemos dia, às vezes anos, quando não a vida toda.

Na maioria das vezes, calamos quando deveríamos falar; falamos demais quando é hora de contemplar o silêncio. Deixamos de dar o beijo, o abraço ou o aperto de mão que tanto nossa alma pede, porque algum orgulho bobo ou um preconceito inócuo impede essa aproximação. Não confessamos amar uma pessoa do mesmo sexo porque “pode pegar mal”. Não declaramos nosso afeto porque imaginamos que o outro conhece nossos sentimentos.

Assim corre o tempo, passa a vida e nós continuamos os mesmos, fechados em nós, circunspectos, arrogantes, embrutecidos. Reclamamos aquilo que nos falta e deixamos de reconhecer e agradecer tudo o que possuímos, sempre achando que temos de menos. De outro lado, compramos, gastamos, consumimos e esbanjamos, sempre comparando nossa vida com a daqueles que julgamos serem mais felizes que nós. E se nos comparássemos com aqueles que têm menos?

Nesses pensamentos pequenos a vida passa. O tempo passa. Passamos pela vida em geral esquecidos de viver. Apenas sobrevivemos. E justamente porque não sabemos fazer coisa melhor... Não aprendemos a tirar da vida o que ela tem de melhor. Um dia, inesperadamente, acordamos, olhamos para trás e constatamos a inutilidade de tudo quanto se fez nesta vida. E perguntamos: E agora? Pode ser tarde demais. Hoje ainda se pode, quem sabe, reconstruir alguma coisa, dar um abraço, perdoar, pedir perdão, agradecer, dizer “eu te amo”.

O ser humano nunca é velho ou jovem demais para amar e ser amado, e assim encontrar um sentido para sua existência. O coração do afeto não tem idade. Não vamos perder tempo olhando para trás. Vamos viver hoje, curtindo o presente com olhos fitos no amanhã. Ainda há tempo de apreciar as flores, colocar os pés no riacho, assistir um pôr-do-sol. Há tempo para nos voltarmos para Deus e para os outros. A vida, ainda que passageira, está em nós. É preciso viver bem, pois só se vive uma vez.

Pior que perder a vida diante da morte é desaproveitá-la no decorrer da existência.

Conheça mais textos do autor clicando aqui.

sábado, 19 de setembro de 2009

Manuel Du Bocage



Soneto do Prazer Maior

Amar dentro do peito uma donzela;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela:

Fazê-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:

Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.

José Manuel Barbosa Maria Du Bocage
(in Poesias Eróticas, Burlescas e Satyricas – 1853)

As obras do autor, citadas a seguir, estão disponíveis para download. É só clicar no título e depois baixar o e-book:
A Morte de D. Ignez
A Pavorosa Illusão
A Virtude Laureada
Elegia
Improvisos de Bocage
Mágoas Amorosas de Elmano
Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina

A obra a seguir está disponível sem precisar de download, é só clicar:
Sonetos e Outros Poemas

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Andréa Maia



"Quando amo..."

Quando amo,
Sou sentimento preciso
Palavra incisiva
Sou corpo em entrega.

Sou coração desvairado
Alma inquieta, desperta.
Sou olhos fechados
Porta aberta!

Sou relógio parado
Ponto de partida
Sou sem lar, sem hora pra voltar.

Passional,
Quase louca...
Irracional.

Quando amo sou isso.

Mulher de direito e avesso...
Que sem qualquer receio de perda ou de dor
Por esse turbilhão de amor,
Paga o devido preço!

© Andréa Maia
Rio de Janeiro (RJ) – Brasil

Conheça mais poemas de Dea Maia clicando aqui

Michael Jackson

Para ouvir o vídeo, não se esqueça de acionar a pausa na play list lateral.

“Earth Song”, de 1996, nunca foi lançada como single nos EUA, mas fez o maior sucesso no Reino Unido.

Canção da Terra fala de desmatamento, poluição, pesca predatória, guerra, fome, etc. Por ter sido censurada nos EUA, o maior destruidor do planeta, a maioria de nós desconhecia o clipe. O que não passa lá, não passa aqui.

Divulgo-o no Scenarium, não por mais uma performance de Michael Jackson, mas sim pela mensagem que a canção transmite.

Se você quiser acompanhar a letra em espanhol, clique aqui.

Fonte: TV UOL

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Gibran Khalil Gibran



"Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas - e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando: "Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: "É um louco!". Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: "Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!"

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós."

Trecho do Livro O Louco

domingo, 13 de setembro de 2009

Sá de Freitas



Hei de Encontrar

Hei de encontrar ainda em meu caminho,
O amor que busco desde a mocidade,
Mesmo que seja no findar da tarde,
Que pressinto chegar-me de mansinho.

Não falo do gostoso "amor-carinho",
Que traz ao nosso corpo a saciedade:
Falo do amor que falta à humanidade,
Sem o qual cada ser vive sozinho.

Falo daquele amor que mata a fome,
Que agasalha a quem no frio dorme,
Que ao desolado vem trazer alento.

Falo do amor que pouca gente aplica,
Falo do amor que pouco se pratica,
Contido NO PRIMEIRO MANDAMENTO.

© Sá de Freitas
Avaré (SP) - Brasil

sábado, 12 de setembro de 2009

Maria Sanz Martins



Da Minha Precoce Nostalgia - Crônica

Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:
- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar. E assim, dizer apontando o indicador para o alto:
- O nome disso não é conselho, isso se chama corroboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação.
Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim.Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália. Cuide bem dos seus dentes. Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..." Tenha uma vida rica de vida. Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro, tsc, é imprevisível.
Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela. Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor. E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!
Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de otimizar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia.
Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Cultive os amigos. Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era só isso minha querida.Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Maria Mercedes Paiva


Clique na imagem para ler o poema

© Eme Paiva
São Paulo (SP) - Brasil

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Les Petits Chanteurs a La Croix de Bois


O Coral
Les Petits Chanteurs a La Croix de Bois é um coral formado por crianças internas da Escola de canto paroquial do mesmo nome, em Paris. Eles partilham seu tempo entre as tarefas escolares oficiais, a educação musical e vocal, e as viagens para apresentações. O coral já se apresentou nos cinco continentes para um público de 50.000 espectadores a cada ano de viagem.
Para saber mais sobre os pequenos cantores e sua escola, clicar
aqui.

A Música
O célebre Duetto buffo di due gatti (dueto humorístico dos dois gatos), chamado apenas de Duo des chats (dueto dos gatos) é uma peça popular para dois sopranos e muitas vezes apresentada como um concerto.
Embora esta peça seja geralmente atribuída a Gioachino Rossini, ela não foi, de fato, escrita por ele. É uma compilação feita em 1825, com passagens tomadas de sua ópera Otelo, de 1816. O autor da compilação foi, provavelmente, o compositor inglês Robert Lucas Pearsall, que utilizou o pseudônimo de G. Berthold.

O Vídeo
O Concerto do coral aconteceu em Seul, Coréia, em Novembro de 1996 e os solistas “gatinhos” são Régis Mengus (o moreno) e 
Hyacinthe de Moulins (o louro)

Reparem na seriedade do gatinho lourinho e nos leves sorrisos do gatinho moreno. Um show de técnica que emociona e diverte. Deliciem-se, mas não esqueçam de dar pause na playlist do Cenário da Música.

Gostaram? Só para matar a curiosidade, vejam como está 
Régis Mengus atualmente.

Para ver mais apresentações do coral é só clicar
aqui.

Neuza Nóbrega Garcia



Para Iluminar

Quando compreendi que a palavra podia iluminar,
não parei mais de falar...
Quando compreendi que escrevendo podia
minha palavra para bem longe levar,
não parei mais de escrever...
Quando compreendi que para falar e escrever,
precisava as Leis divinas conhecer,
não parei mais de estudar...
Mas as Leis divinas conhecendo,
eu fui compreendendo,
que para iluminar,
preciso aprender a amar.

© Neuza Nóbrega Garcia
Cruzeiro (SP) – Brasil

Visite a sensibilidade poética e espiritual de Neuza

no Cantinho da Neuza

domingo, 23 de agosto de 2009

Amélia de Oliveira



Transcrevo abaixo uma das postagens do Blog Literatura em Vida 2, da escritora Eliane F.C. Lima, blog que é um dos meus favoritos. Criado recentemente, o blog é um mar de Literatura abrindo-se para ser navegado por todos que amam a arte literária.
Leiam a manifestação machista de Olavo Bilac e conheçam a bela poesia de Amélia de Oliveira.


“LITERATURA DE ONTEM 2
Vamos conviver aqui com Amélia de Oliveira, poetisa. Como infelizmente, na época, século XIX, escritoras tinham sempre sua identidade estabelecida pelo elemento masculino - hoje muita gente boa já pesquisa sobre elas -, a escritora, como tantas outras, passou para a história literária como a irmã do poeta parnasiano Alberto de Oliveira ou a noiva frustrada de Olavo Bilac, costume ainda hoje presente até na Internet, onde é citada, quase que exclusivamente, nos sites sobre ambos. Recomendo para pesquisa:

1. Antônio Miranda, Poesia dos Brasis, onde aparecem inúmeras escritoras.
2. A resenha de Lilia Moritz Schwarcz para o livro Escritoras esquecidas pela república no endereço http://www.topbooks.com.br/frMateria_ESP_070805.htm
3. O Dicionário crítico de escritoras brasileiras, de Nelly Novaes Coelho, pelo menos, na versão online.

Sobre várias outras escritoras igualmente anuladas, indico o trabalho de equipe de um grupo de pesquisadoras que resultou no livro Escritoras brasileiras do século XIX, organização de Zahidé Lupinacci Muzart, Editora Mulheres.

O reforço explicativo dessa invisibilidade fica clara no trecho de uma das cartas de Bilac para a então noiva, abaixo transcrito.

Carta
Olavo Bilac

(...)
Já te disse que há mais de dois meses tinha eu vontade de te escrever em liberdade, para coisa urgente. Trata-se disto:
Não me agradou ver um soneto teu no Almanaque da "Gazeta de Notícias" deste ano. Não foi o fato de vir em um almanaque o soneto que me desagradou: desagradou-me a sua publicação. Previ logo que andava naquilo o dedo do Bernardo ou do Alberto. Tu, criteriosa como és, não o farias por tua própria vontade. Folguei muito, depois, vendo a minha previsão confirmada por D. Adelaide. Devo confessar que fui o primeiro a insistir contigo para que publicasses versos. Cheguei mesmo a dar alguns aqui, no "Mercantil". Fiz mal. Arrependi-me. Hás de concordar comigo.
Há uma frase de Ramalho Ortigão, que é uma das maiores verdades que tenho lido: - O primeiro dever de uma mulher honesta é não ser conhecida. - Não é uma grande verdade? Reflete sobre isto: Há em Portugal e Brasil cem ou mais mulheres que escrevem. Não há nenhuma delas de quem não se fale mal, com ou sem razão. Além disso, quem publica alguma coisa fica sujeito a discussão, cai no domínio da crítica. E imagina que mágoa a minha, que desespero meu, se algum dia um miserável qualquer ousasse discutir o teu nome! Eu, que chego a ter ciúme do chão que pisas, eu que desejava ser a única pessoa que te pudesse ver e amar, - ouvir discutido o teu nome. Ainda há bem pouco tempo, em S. Paulo, um padre, escrevendo sobre Júlia Lopes, insultou-a publicamente. Eu nada tinha com isso. Mas tratava-se de uma senhora e mulher de um amigo meu: tive vontade de esmurrar o padre. E sem razão. Sem razão, porque uma senhora, desde que se faz escritora, tem de se sujeitar ao juízo de todos. Não quer isto dizer que não faças versos. Pelo contrário. Quero que os faças, muitos, para os teus irmãos, para as tuas amigas, e principalmente para mim, - mas nunca para o público, porque o público envenena e mancha tudo o que lhe cai sob os olhos.
(...)

Teu noivo,
Olavo Bilac
(cerca de 1888)

Inacreditável para o mundo de hoje. Aí está a explicação para que um sem números de mulheres que deram seus textos a público tenham desaparecido do cenário. Se você ficou revoltada(o) como eu, vingue-se agora e leia o belíssimo poema de Amélia.

SONETO
Amélia de Oliveira

Não te peço a ventura desejada,
Nem os sonhos que outrora tu me deste,
Nem a santa alegria que puseste
Nessa doce esperança, já passada.

O futuro de amor que prometeste
Não te peço! Minha alma angustiada
Já te não pede, do impossível, nada,
Já te não lembra aquilo que esqueceste!

Nesta mágoa sorvida, ocultamente,
Nesta saudade atroz que me deixaste,
Neste pranto, que choro ainda por ti,

Nada te peço! Nada! Tão-somente
Peço-te agora a paz que me roubaste,
Peço-te agora a vida que perdi!

(ELTON, Elmo. Amélia de Oliveira - 1868-1945. Rio de Janeiro: Edição do autor, 1977)”

Antonio Manoel Abreu Sardenberg



Revelia

Não trace o meu destino à revelia

Não mude o roteiro do meu passo
Não faça do teu mundo fantasia
Nem queira intrometer no que eu faço!

Não esconda a máscara do teu rosto
Não pense que um dia vou ser resto
Não diga que já sou um rei deposto,
Um dia saberá o quanto presto...

Não julgue ser a dona da verdade
Nem cante a vitória usando a lira
Não fira por ferir, só por maldade,
Usando como arma a mentira...

Não faça do passado um tempo morto
Nem diga que a vida é só presente
Não queira fazer frágil aquele porto,
Que um dia se aportou dentro da gente!

© Antonio Manoel Abreu Sardenberg
São Fidélis (RJ) – Brasil

Visitem o Poeta Sardenberg em Alma de Poeta

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sasha Cohen



Recebi este vídeo da Anna Machado e fiquei fascinada com a performance de Sasha Cohen. Patinadora artística americana, Alexandra Pauline Cohen é a atual campeã americana. Até agora a única patinadora do mundo a receber +3s pelos seus espirais no atual sistema de pontuação.
Apreciem a beleza, o equilíbrio, a leveza e o final apoteótico.
Para saber mais sobre Sasha Cohen clique aqui.

Jorge Linhaça



A Dama do Lago

Certa vez, formosa dama,
desalentada da vida,
em um dia da semana,
foi-se ao lago, entristecida.

Levava, nas mãos, um buquê,
lembrança do seu amado,
que acabara de perder,
acusado de pecados.

A dama, naquela sanga,
entrou e não mais voltou,
virou lenda tropicana,
para os que sofrem d'amor.

Nas noites de lua nova,
quando o lago é só silêncio,
dizem que ela retorna,
para entoar seu lamento.

Amantes apaixonados,
no lago fazem vigília,
esperando que seu fado
escape dessa armadilha.

Atiram flores na água,
para a dama do lago,
para afastar-lhes as mágoas
do coração machucado.

© Jorge Linhaça
Arandu (SP) - Brasil
04/04/2008

N. do A.: a "dama do lago" é criação do poeta Jorge Linhaça.
Qualquer semelhança com lendas ou fatos terá sido mera coincidência.

Mais textos de Linhaça:
Recanto das Letras
O Reino Encantado de Jorge Linhaça

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Amália Rodrigues

Para ouvir melhor o vídeo, acione a pausa na playlist do Cenário da Música.

Amália da Piedade Rodrigues tornou-se conhecida mundialmente como a Rainha do Fado, mas não só cantava fados e outras músicas de tradição popular portuguesa, como também canções contemporâneas (iniciando o chamado fado-canção) e mesmo alguma música de origem estrangeira (francesa, americana, espanhola, italiana, brasileira). Marcante contribuição sua para a história do Fado foi a novidade que introduziu ao cantar poemas musicados de grandes autores portugueses consagrados, como Camões e Bocage. Teve ainda a serviço da sua voz a pena de alguns dos maiores poetas e letristas contemporâneos seus, como David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, Ary dos Santos, Manuel Alegre e O’Neill.

Conhece também Alain Oulman, que lhe compõe várias canções. Alain foi preso pela polícia secreta do estado, acusado de atividades subversivas.
O seu fado de Peniche (Abandono) foi proibido por ser considerado um hino aos que se encontravam presos em Peniche, Amália cantou também um poema de Pedro Homem de Mello (Povo que lavas no rio), que ganhou uma dimensão política.
A fadista e atriz Amália não se calou. Moveu mundos e fundos, e conseguiu que libertassem Alain. E sublinhou que não compreendia que houvessem proibido “Abandono” - um lindo fado de amor. Amor pela Liberdade.

Sabe-se que Amália, vista por muitos como um dos Fs da ditadura ("Fado, Fátima e Futebol"), colaborara economicamente com o Partido Comunista Português quando este era clandestino. Amália Rodrigues representou Portugal em todo o mundo, de Lisboa ao Rio de Janeiro, de Nova Iorque a Roma, de Tóquio à União Soviética, do México a Londres, de Madrid a Paris (onde atuou tantas vezes no conceituado Olympia).

Propagou a cultura portuguesa, a língua portuguesa e o fado.
Amália dá ao fado um fulgor novo. Canta o repertório tradicional de uma forma diferente, sincretizando o que é rural e urbano.

Fonte: Wikipédia

Apreciem mais interpretações da saudosa Amália aqui.

Tere Penhabe



Soneto IX
Não me conheces?

Eu traço diagonais entre os humanos,

Causando tropeções em suas vidas.
No anfiteatro, há cem milhões de anos,
Vê-se a reprise em cenas repetidas.

Tenho uma alcova em peito de tiranos,
Que tornam esperanças combalidas,
E mesmo quando fecham-se os panos,
A minha casta é toda de atrevidas.

Eu bruxuleio à luz do candelabro,
Enfeito as ceias que servem aos vermes,
Supostos homens, meros paquidermes...

Onde a vaidade faz o descalabro!
Eu não mereço mais que a tua ira...
Não me conheces? Sou a vil mentira!

© Tere Penhabe
Santos (SP) - Brasil
28/03/2007

Visitem Tere Penhabe em Amor Em Verso e Prosa

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Cora Coralina



Velho

Estás morto, estás velho, estás cansado!
Como um suco de lágrimas pungidas
Ei-las, as rugas, as indefinidas
Noites do ser vencido e fatigado.

Envolve-te o crepúsculo gelado

Que vai soturno amortalhando as vidas
Ante o repouso em músicas gemidas
No fundo coração dilacerado.

A cabeça pendida de fadiga,

Sentes a morte taciturna e amiga,
Que os teus nervosos círculos governa.

Estás velho estás morto! Ó dor, delírio,

Alma despedaçada de martírio
Ó desespero da desgraça eterna.

Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas, 20/08/1889 — 10/04/1985, é a grande poetisa do Estado de Goiás. Em 1903 já escrevia poemas sobre seu cotidiano, tendo criado, juntamente com duas amigas, em 1908, o jornal de poemas femininos "A Rosa". Em 1910, seu primeiro conto, "Tragédia na Roça", é publicado no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás", já com o pseudônimo de Cora Coralina.
Em 1911 conhece o advogado divorciado Cantídio Tolentino Brêtas, com quem foge. Vai para Jaboticabal (SP), onde nascem seus seis filhos: Paraguaçu, Enéias, Cantídio, Jacintha, Ísis e Vicência. Seu marido a proíbe de integrar-se à Semana de Arte Moderna, a convite de Monteiro Lobato, em 1922. Em 1928 muda-se para São Paulo (SP).
Em 1934, torna-se vendedora de livros da editora José Olimpio que, em 1965, lança seu primeiro livro, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais".
Em 1976, é lançado "Meu Livro de Cordel", pela editora Cultura Goiana.
Em 1980, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, manda-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, desperta o interesse do público leitor e a faz ficar conhecida em todo o Brasil. Sintam a admiração do poeta, manifestada em carta dirigida a Cora em 1983:

"Minha querida amiga Cora Coralina: Seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( ...)."

Editado pela Universidade Federal de Goiás, em 1983, seu novo livro "Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha", é muito bem recebido pela crítica e pelos amantes da poesia. Em 1984, torna-se a primeira mulher a receber o Prêmio Juca Pato, como intelectual do ano de 1983. Viveu 96 anos, teve seis filhos, quinze netos e 19 bisnetos, foi doceira e membro efetivo de diversas entidades culturais, tendo recebido o título de doutora "Honoris Causa" pela Universidade Federal de Goiás.
No dia 10 de abril de 1985, falece em Goiânia. Seu corpo é velado na Igreja do Rosário, ao lado da Casa Velha da Ponte.
"Estórias da Casa Velha da Ponte" é lançado pela Global Editora.
Postumamente, foram lançados os livros infantis "Os Meninos Verdes", em 1986, e "A Moeda de Ouro que um Pato Comeu", em 1997, e "O Tesouro da Casa Velha da Ponte", em 1989.

(extraído do livro "Estórias da Casa Velha da Ponte", Global Editora)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Chico Buarque e Vinícius de Moraes



As cartas abaixo foram trocadas entre Chico Buarque e Vinícius de Moraes há 38 anos, durante o processo de criação da linda Valsinha.
As cartas foram cedidas por Chico Buarque para o livro Achados, de Caíque Botkay. Faço aqui a ressalva de que a correspondência, por ser entre amigos, contém termos fortes, o que não desmerece o valor deste achado. Deliciem-se!

“DE VINÍCIUS DE MORAES PARA CHICO BUARQUE

Mar del Plata, 24 de janeiro de 1971

Chiquérrimo,

Dei uma apertada linda na sua letra, depois que você partiu, porque achei que valia a pena trabalhar mais um pouquinho sobre ela, sobre aqueles hiatos que havia, adicionando duas ou três idéias que tive. Mandei-a em carta a você, mas Toquinho, com a cara mais séria do mundo, me disse que Sérgio [Buarque de Hollanda] morava em Buri, 11, e lá se foi a carta para Buri, 11.

Mas, como você me disse no telefone que não tinha recebido, estou mandando outra para ver se você concorda com as modificações feitas.

Claro que a letra é sua, e eu nada mais fiz que dar uma aparafusada geral. Às vezes o cara de fora vê melhor essas coisas.

Enfim, porra, aí vai ela. Dei-lhe o nome de "Valsa hippie", porque parece-me que tua letra tem esse elemento hippie que dá um encanto todo moderno à valsa, brasileira e antigona. Que é que você acha? O pessoal aqui, no princípio, estranhou um pouco, mas depois se amarrou na idéia. Escreva logo, dizendo o que você achou.

"Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito mais quente do que comumente costumava olhar
E não falou mal da poesia como mania sua de falar
E nem deixou-a só num canto; pra seu grande espanto disse: vamos nos amar...
Aí ela se recordou do tempo em que saíam para namorar
E pôs seu vestido dourado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como a gente antiga costumava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a bailar...
E logo toda a vizinhança ao som daquela dança foi e despertou
E veio para a praça escura, e muita gente jura que se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz".

DE CHICO BUARQUE PARA VINÍCIUS DE MORAES

Caro poeta,

Recebi as duas cartas e fiquei meio embananado. É que eu já estava cantando aquela letra, com hiato e tudo, gostando e me acostumando a ela. Também porque, como você já sabe, o público tem recebido a valsinha com o maior entusiasmo, pedindo bis e tudo. Sem exagero, ela é o ponto alto do show, junto com o "Apesar de você". Então dá um certo medo de mudar demais. Enfim, a música é sua e a discussão continua aberta. Vou tentar defender, por pontos, a minha opinião. Estude o meu caso, exponha-o a Toquinho e Gesse, e se não gostar foda-se, ou fodo-me eu.

"Valsa hippie" é um título forte. É bonito, mas pode parecer forçação de barra, com tudo que há de hippie por aí. "Valsa hippie" ligado à filosofia hippie como você a ligou, é um título perfeito. Mas hippie, para o grande público, já deixou de ser filosofia para ser a moda pra frente de se usar roupa e cabelo. Aí já não tem nada a ver. Pela mesma razão eu prefiro que o nosso personagem xingue ou, mais delicado, maldiga a vida, em vez de falar mal da poesia. A sua solução é mais bonita e completa, mas eu acho que ela diminui o efeito do que se segue. Esse homem da primeira estrofe é o anti-hippy. Acho mesmo que ele nunca soube o que é poesia. É bancário e está com o saco cheio e está sempre mandando sua mulher à merda. Quer dizer, neste dia ele chegou diferente, não maldisse (ou "xingou" mesmo) a vida tanto e convidou-a pra rodar.

"Convidou-a pra rodar" eu gosto muito, poeta, deixa ficar. Rodar que é dar um passeio e é dançar. Depois eu acho que, se ele já for convidando a coitada para amar, perde-se o suspense do vestido no armário e a tesão da trepada final. "Pra seu grande espanto", você tem razão, é melhor que "para seu espanto". Só que eu esqueci que ia por itens.

Vamos lá:

* Apesar do Orestes (vestido de dourado é lindo), eu gosto muito do som do vestido decotado. É gostoso de cantar vestidodecotado. E para ficar dourado, o vestido fica com o acento tendendo para a primeira sílaba. Não chega a ser um acento, mas é quase. Esse verso é, aliás, o que mais agrada, em geral. E eu também gosto do decotado ligado ao "ousar" que ela não queria por causa do marido chato e quadrado. Escuta, ô poeta, não leva a mal a minha impertinência, mas você precisava estar aqui para ver como a turma gosta, e o jeito dela gostar dessa valsa, assim à primeira vista. É por isso que estou puxando a sardinha mais para o lado da minha letra, que é mais simplória, do que pelas suas modificações que, enriquecendo os versos, talvez dificultem um pouco a compreensão imediata. E essa valsinha tem um apelo popular que nós não suspeitávamos.

* Ainda baseado no argumento acima, prefiro o "abraçar" ao "bailar". Em suma, eu não mexeria na segunda estrofe.

* A terceira é a que mais me preocupa. Você está certo quanto ao "o mundo" em vez de "a gente". Ah, voltando à estrofe anterior, gostei do último verso onde você diz "e cheios de ternura e graça" em vez de "e foram-se cheios de graça". Agora, estou pensando em retomar uma idéia anterior, quando eu pensava em colocá-los em estado de graça. Aproveitando a sua ternura, poderíamos fazer "Em estado de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar". Só tem o probleminha da junção "em-estado", o "em-e" numa sílaba só. Que é o mesmo problema do "começaram-a". Mas você mesmo disse que o probleminha desaparece dependendo da maneira de se cantar. E eu tenho cantado "começaram a se abraçar" sem maiores danos. Enfim, veja aí o que você acha de tudo isso, desculpe a encheção de saco e responda urgente.

* Há um outro problema: o pessoal do MPB-4 está querendo gravar essa valsa na marra. Eu disse que depende de sua autorização e eles estão aqui esperando. Eu também gostaria de gravar, se o senhor me permitisse, por que deu bolo com o "Apesar de você", tenho sido perturbado e o disco deixou de ser prensado. Mas deu para tirar um sarro. É claro que não vendeu tanto quanto a "Tonga", mas a "Banda" vendeu mais que o disco do Toquinho solando "Primavera". Dê um abraço na Gesse, um beijo no Toquinho e peça à Silvana para mandar notícias sobre shows etc. Vou escrever a letra como me parece melhor. Veja aí e, se for o caso, enfie-a no ralo da banheira ou noutro buraco que você tiver à mão.

"Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar
Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz."

Fonte:
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

Apreciem o vídeo da música Valsinha, com as imagens de Chico Buarque na exposição O Tempo e o Artista sobre sua vida e sua carreira, apresentada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 2004.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Olga Kapatti



Reflexão:
Minha Força!

Posso pisar sobre cacos
que não terei meus pés cortados.
Ao contrário, esmago-os
transformando-os
em pó acetinado
para mais tarde usá-lo
como brilho de minh'alma!!!

© Olga Kapatti.K
São José do Rio Preto (SP) - Brasil


Conheça a AVPB, Academia Virtual criada por Olga Kapatti
e sua página pessoal, clicando aqui.


Seus E-books:
AVPB
AVBL

Minha singela homenagem à Olga, que abriu as portas da Academia Virtual Poética do Brasil para acolher minhas letras. Obrigada, querida Olga, certamente estás brilhando na Academia Celestial.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Sandra Lúcia Ceccon Perazzo



Oculta de Mim

Ausente de ti,
Não sei mais do amor,
Da saudade, da tristeza,
Da dor, da alegria,
Muito menos da euforia...

Oculta de mim,
Nada sei da paz,
Da felicidade, da bondade,
Do afeto, da doçura,
Muito menos da candura...

Ausente de ti,
Oculta de mim,
Sem protesto,
Afogada no mar do vir-a-ser,
Com as emoções queimadas,
Por descuido que pousaram,
Nos sonhos do amor imaginário,
Sou a serenidade nua, dourada,
De quem nada mais espera...

Nós, ausentes e ocultos de nós,
Mortalmente feridos,
Pelos golpes dos remorsos,
Sem invocar as sagas do que fomos,
Despidos das fantasias,
Não somos mais nada...

© Sperazzo
São Paulo (SP) - Brasil

03/09/2008

Conheça mais textos de Sperazzo aqui