domingo, 22 de dezembro de 2013

Feliz Natal!

Balada de Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
 
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
 
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
 
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
 
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
 
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
 
E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…
 
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…
 
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
 
Augusto Gil


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Andréia Maia

 

 
Eu fui... agora eu Sou!

                       
Fui perfeita, correta e fiel.
Cumpri ordens, acatei desejos que não eram meus!
 
Servi café, almoço e jantar.
Fui café, almoço e jantar!
 
Fui a dama que me cobraram e a "mulher-dama" que desejaram.
Sorri "colgate", mas abri um sorriso amarelo quando cansei das convenções.
 
Fui menina e brinquei.
Fui madura e me rebelei.
 
Fui eu, elas...fui todas...
Hoje a meninice virou maturidade.
O sorriso é espontâneo.
 
Sou correta ou totalmente errada na medida do que quero.
As ordens são minhas...apenas para mim.
 
Não sirvo mais café, almoço muito menos jantar.
Me delicio com cada refeição que me ofereço.
 
Continuo uma dama e uma "mulher-dama" quando necessário.
Mas por puro prazer.
 
Chutei as convenções, o balde e a bola em gol!
Um golaço!!!!!!!!!!!!!!!!
Gol da maturidade.
 
Do entendimento de que sou alguém que desconheci por um breve tempo.
Da mulher que se assume sozinha,
Que sabe o que quer,
Que se aventura sem medos...
 
Sem algemas, sem pressões...
Uma mulher que deixou de ser para simplesmente...
 
Ser!
 
Andréia Maia - Rio de Janeiro (RJ)
 
Este texto foi utilizado indevidamente por outra pessoa, por isso publico-o neste blog, para que fique bem registrada sua verdadeira autoria. 
Visite a Poeta Andréia Maia no
Recanto das Letras.
 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Dirk Dzimirsky

 
 
Dirk Dzimirsky, nascido em 1969, é um apaixonado pela arte hiper-realista e desde criança apresentou como maior interesse em seus desenhos e pinturas a representação do ser humano.  Depois do ensino médio, o jovem artista alemão resolveu apresentar sua arte profissionalmente, trabalhando como ilustrador de livros gráficos.  Em 2005, Dirk se tornou um artista freelancer, com exposições em Nova York e outras cidades pelo mundo.
Sua arte, tanto os desenhos a lápis, quanto as pinturas, parecem fotografias nítidas e perfeitas do ser humano, com destaque para os detalhes nas rugas e poros,  o que os humaniza ainda mais.
Desenhos:
 
 

















Pinturas:







 


sábado, 11 de maio de 2013

sexta-feira, 29 de março de 2013

Feliz Páscoa!

 
 
 
Com esta emocionante História da Páscoa, desejo a todos uma Páscoa abençoada.  Para assistir ao vídeo é só clicar aqui. 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Gilka Machado

 
 
Ser Mulher
            
Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida: a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
 
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor...
 
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
 
Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!

Gilka Machado
(In Poesias - 1915 a 1917 - Editado em 1918)

 
 
Hoje o Scenarium está completando 4 anos de existência e eu agradeço a todos os seguidores e admiradores deste espaço pelo carinho e, principalmente, pela compreensão com as minhas ausências.  Eu gostaria de me doar muito mais a este blog, mas há urgências maiores me cobrando atenção. 
Meu abraço a todos e minha homenagem às mulheres pelo seu dia. 
Marise Ribeiro

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Ana Maria Machado

 
Ana Maria Machado é carioca, foi pintora, jornalista e professora universitária, antes de se tornar uma das escritoras brasileiras mais importantes da atualidade.
Tem mais de cem livros publicados, no Brasil e em mais 18 países. Ao longo de mais de quarenta anos de carreira, escreveu obras para leitores de todas as idades, incluindo nove romances.
Recebeu inúmeras condecorações por sua produção literária, com destaque para o Prêmio Hans Christian Andersen (o mais importante da literatura infantil), em 2000, e o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto da obra, em 2001. Em 2003, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras e, em 2011, tornou-se a segunda mulher na história da instituição a assumir sua presidência.
 
Destaco, nesta postagem, alguns poemas de seu livro Sinais do Mar, onde as poesias podem ser classificadas em três vertentes: concretas, sensoriais e narrativas.
 
As concretas são os poemas que citam os seres marinhos como a estrela-do-mar (Estrelas),  o siri (Siri), a gaivota (Revoada), o caramujo (Bernardo Eremita), a arraia (Arraia) e a água-viva (Dúvida).

Estrelas
 
Cinco pontas
cinco destinos
são areias tontas
de desatinos


Cinco sentidos
cinco caminhos
grãos tão moídos
por mares e moinhos

 
Estrela-guia
em alto-mar
outra Maria
veio me chamar.



Siri

Siri
 não ri
 em serviço.

Se troca a casca
 vira ouriço
 procura concha,
 busca uma toca e,
 sumiço.

Não dá mole por aí.
 Pra não virar sopa
 faz boca
 de siri.



Dúvida

Água-viva
quando morre
fica sendo
água-morta?


Ou água só?


A segunda vertente se estrutura na evocação sensorial de sons, visões e cheiros ligados ao mar: é o caso de Aquarela, Terral, Salsugem, Maresia, Gala Solar, Facho, Maré Baixa e Farol.


Maré Baixa

Onde anda a onda
se a lua rotunda
se acende redonda
se brilha precisa
na calma tão lisa
da pele do mar?

 
Em que fenda se finda?
Em que rede se enrreda?
Em que sonda se afunda?
Onde trama sua renda
de espuma tão fina
de puro luar?



Maresia

Brisa na restinga
traz maresia
a onda respinga
a gota suspira
o ar que se inspira.


Nariz abre a asa
narina é casa
de aroma morar.


É o lar que inspira
é o mar que respira.



A terceira é composta de poemas narrativos, Naus e Nós e Primeiro Mar, os dois trabalhos que finalizam a antologia.


Naus e Nós

Naus
saem de Sagres
e deixam infantes,
partem de portos
e deixam mortos,
sangram amores
e rumam ao longe.


Singram
águas salgadas
algas sargaças
a pouco nós.


Lonas e telas
pranchas e cascos
cordas e cabos
rangem e puxam,
fazem e desfazem
nós.


Velas sem vento
almas sem calma
encalham em sargaços
nas águas salgadas.


Algumas naufragam
soçobram em escolhos
só sobram
sem escolha,
sem escolta,
poucas naus
- e nós.



Primeiro Mar

Tantas páginas lidas muito antes
Tantos livros que enchiam as estantes
Tantos heróis a povoar os sonhos
Tantos perigos, monstros tão medonhos


    Nos tempos sem tevê e sem imagem
    Palavras fabricavam paisagem


Tesouros, mapas, ilhas tropicais,
Argonautas, recifes de corais,
Perigos na neblina entre rochedos,
Vinte mil léguas cheias de segredos.


Histórias de naufrágio e abordagens,
Ulisses, Moby Dick, mil viagens,
Robinson, calmarias, um motim,
Descobertas, veleiros, mar sem fim.



Destaco também um poema que gosto muito e que dá nome a um dos livros de Ana Maria Machado. "Um fio de voz conta pedaços de histórias, muitas delas antigas. Cada noite uma nova, sempre sobre o mesmo tema: são "montes de histórias de mulheres e fiapos, fios e linhas de todo tipo, ponto a ponto se tecendo e virando novas tramas".
 

Ponto a Ponto

Era uma vez uma voz.
Um fiozinho à-toa.
Fiapo de voz.
Voz de mulher.
Doce e mansa.
De rezar, ninar criança, muitas histórias contar.
De palavras de carinho e frases de consolar.
Por toda e qualquer andança, voz de sempre concordar.
Voz fraca e pequenina.
Voz de quem vive em surdina.
Um fiapo de voz que tinha todo o jeito de não ser ouvido.
Não chegava muito longe.
Ficava só ali mesmo, perto de onde ela vivia.
Um pontinho no mapa


Fontes:
http://www.anamariamachado.com/
http://www.companhiadasletras.com.br/
http://editora.cosacnaify.com.br/
http://www.estadao.com.br/
http://umsaltoparanovasdescobertas.blogspot.com.br/

domingo, 27 de janeiro de 2013

A Dança das Horas


Os bailarinos Maria Letizia Giuliani (Scuola dell'infanzia de Roma) e Ángel Corella (espanhol, Diretor Artístico e dançarino principal do Balé Barcelona) apresentam o balé A Dança das Horas (Danza delle Orel), da ópera La Gioconda, de Amilcare Ponchielli.
A peça original, em quatro atos, tem a ação desenvolvida na Veneza do século XVII e a sofrida Gioconda disputa o amor de Enzo com Laura, além de ser atormentada pelo pérfido Barnaba.  Um dos pontos altos de La Gioconda é o célebre balé “A Dança das Horas”, que acontece no 3º ato, denominado “A Casa de Ouro”.
A Dança das Horas representa as horas do amanhecer, da manhã, da tarde e da noite, e é executado com  mudança de vestes, de efeitos de luzes e coreografias distintas.  Simboliza também a eterna luta entre os poderes das trevas e da luz.
A apresentação, aqui editada, aconteceu no Grande Teatro do Liceu, em Barcelona.

É só clicar aqui para assistir.