sexta-feira, 1 de abril de 2011

Naldo Velho - A Dança do Tempo



(...) Naldo alcança o que tantos perseguem e nunca conseguem: um estilo próprio. Pois, em "A DANÇA DO TEMPO", encontramos, com prazer, o estilo "naldovelho" de fazer poesia: um lirismo pontiagudo, perverso, cruel, erótico, sensual, extrovertido, e, ao mesmo tempo, e paradoxalmente, intimista, suave, musical, doce — apaixonado e apaixonante — comovente! Em seu novo livro, o poeta, em sua madureza, consegue timbres e dicções só seus, executados e pensados fluentemente. E, ao mesmo tempo em que se mostra se esconde, deixando ao leitor descobrir a sua face verdadeira entre as muitas antíteses de seu fazer poético. (...)
Tanussi Cardoso - Poeta e jornalista. Presidente do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro (SEERJ)
(...) A leitura destes poemas exige fôlego, tal a força de sua linguagem metafórica, através da qual há um pensar angustiado sobre o mundo em pleno movimento. Escrever evidencia-se vital para Naldo Velho, porque o poeta sabe que sua palavra é coisa viva, que tanto não se acomoda literariamente em formas pré-estabelecidas, quanto não se limita existencialmente a padrões de pensamentos. Neste livro não importa o som final de cada verso, uma vez que ele sempre rima com inquietude e libertação. (...)
Marcus Vinicius - Poeta e crítico literário
O lado de lá... Repensando os versos dessa obra, questiono-me, inquietantemente — o que faz dos versos a poesia? Como desconstruir os hiatos silentes do poema? É, meu amigo. Esse é Naldo Velho. Apontando-nos o lado de lá da poesia. Um ambicioso autor traçando e desvelando linhas e cantigas. Dançando no tempo. O seu alvo, a alma. Perceber e compreender a linguagem da sensibilidade que combinam arranjos verbais e significações pelos quais vislumbramos nossos sentimentos e recordações. É verdade: do "lado de cá mora um poeta" que navega em águas revoltas e desconhecidas. Desbravador, solitário almirante. Um poeta. Fazendo-nos compreender a natureza da fala poética.
Mozart Carvalho - Poeta e professor de literatura

Quando Alongo Olhos

Quando alongo olhos de horizonte,
percebo a pequenez da palavra pavio,
a complexidade do emaranhado de fios,
a amplitude das coisas sem dono
e a insensatez de vivermos com pressa.

Quando alongo olhos de cidade,
percebo a pequenez da palavra distância,
a complexidade da palavra conversa,
a frustração de acordar de um sonho
e descobrir que somos apenas humanos.

Quando alongo olhos de permanecer,
percebo a pequenez da palavra descrença,
a complexidade do ciclo das águas,
a “infinitude” da palavra caminho,
e reconheço que ainda há muito a aprender.

Poeta É Uma Merda!

Tem certas palavras
que vivem de "foder" o juízo!
Devoram entranhas,
matam aos pouquinhos.

A palavra inquietude é uma merda!
Devorou parte do meu fígado,
parte do pâncreas, o baço
e um pedaço do intestino.
Fez com que eu "descomesse"
palavras e significados,
tudo misturado numa massa pastosa,
que alguns chamam de verso.

Pior do que ela,
só a palavra amargura.
Lembra coisa pesada,
e de solidez cristalizada,
em nódulos, abscessos...
Faz adormecer pedra
e acordar depressão.

Poeta é uma merda!
Ou vive de inquietude,
ou morre de solidão.

Lua Cheia

Aberta a janela,
lua cheia invadiu meu quarto.
Sem sequer pedir licença
deitou em minha cama,
sugou do meu corpo:
sangue, suor, saliva, sêmen.
Pela manhã:
lençóis umedecidos,
travesseiros emudecidos...
Solidão!

Se você gostou deste aperitivo de A Dança do Tempo, entre em contato com o Poeta Naldo Velho, clicando aqui, e peça o seu exemplar. Se quiser conhecer mais a sensibilidade do Poeta, visite-o em http://poemaspoesiasnaldovelho.blogspot.com/


Nota: Estou com sérios problemas na configuração deste blog. Há algum script em conflito com o html que não me deixa arrumar os textos corretamente. Por conta disto, os poemas ficaram com os versos espaçados.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Leonardo Boff



Interpretação feminista do relato da criação
As teólogas feministas nos despertaram para traços antifeministas no atual relato da criação de Eva (Gn 1,18-25) e da queda original (Gn 3,1-19), o que veio reforçar na cultura o preconceito contra as mulheres. Consoante este relato, a mulher é formada da costela de Adão que, ao vê-la, exclama: “eis os ossos de meus ossos, a carne de minha carne; chamar-se-á varoa (hebraico: ishá) porque foi tirada do varão (ish); por isso o varão deixará pai e mãe para se unir a sua varoa: e os dois serão uma só carne” (2,23-25).
O sentido originário visava mostrar a unidade homem/mulher. Mas a anterioridade de Adão e a formação a partir de sua costela foi, porém, interpretada como superioridade masculina. O relato da queda soa também antifeminista: “Viu, pois, a mulher que o fruto daquela árvore era bom para comer... tomou do fruto e o comeu; deu-o também a seu marido e comeu; imediatamente se lhes abriram os olhos e se deram conta de que estavam nus” (Gn 3,6-7).
Interpreta-se a mulher como sexo fraco, pois foi ela que caiu na tentação e, a partir daí, seduziu o homem. Eis a razão de seu submetimento histórico, agora ideologicamente justificado: “estarás sob o poder de teu marido e ele te dominará” (Gn 3,16).
Há uma leitura mais radical, apresentada por duas teólogas feministas, entre outras: Riane Eisler (Sacred Pleasure, Sex Myth and the Politics of the Body,1995) e Françoise Gange (Les dieux menteurs 1997) que aquí resumo. Estas autoras partem do dado histórico de que houve uma era matriarcal anterior à patriarcal. Segundo elas, o relato do pecado original seria introduzido no interesse do patriarcado como uma peça de culpabilização das mulheres para arrebatar-lhes o poder e consolidar o domínio do homem. Os ritos e os símbolos sagrados do matriarcado teriam sido diabolizados e retroprojetados às origens na forma de um relato primordial, com a intenção de apagar totalmente os traços do relato feminino anterior. O atual relato do pecado original coloca em xeque os quatro símbolos fundamentais do matriarcado.
O primeiro símbolo atacado é a mulher em si que na cultura matriarcal representava o sexo sagrado, gerador de vida. Como tal ela simbolizava a Grande-Mãe. Agora é feita a grande sedutora.
No segundo, desconstrói-se o símbolo da serpente que representava a sabedoria divina que se renovava sempre como se renova a pele da serpente.
No terceiro, desfigura-se a árvore da vida, tida como um dos símbolos principais da vida, gestada pelas mulheres, agora colocada sob o interdito: “não comais nem toqueis de seu fruto” (3,3).
No quarto, se distorce o caráter simbólico da sexualidade, tida como sagrada, pois permitia o acesso ao êxtase e ao conhecimento místico, representada pela relação homem-mulher.
Ora, o que faz o atual relato do pecado original? Inverte totalmente o sentido profundo e verdadeiro desses símbolos. Desacraliza-os, diaboliza-os e transforma o que era bênção em maldição.
A mulher é eternamente maldita, feita um ser inferior, sedutora do homem que “a dominará” (Gen 3,16). O poder de dar a vida será realizado entre dores (Gn 3,16).
A serpente será maldita, feita inimigo fidagal da mulher que lhe ferirá a cabeça, mas que será mordida no calcanhar (Gn 3,15).
A árvore da vida e da sabedoria cai sob o signo do interdito. Antes, na cultura matriarcal, comer da árvore da vida era se imbuir de sabedoria. Agora comer dela significa perigo letal (Gn 3,3).
O laço sagrado entre o homem e a mulher é substituído pelo laço matrimonial, ocupando o homem o lugar de chefe e a mulher de dominada (Gn 3,16).
Aqui se operou uma desconstrução profunda do relato anterior, feminino e sacral. Hoje todos somos, bem ou mal, reféns do relato adâmico, antifeminista e culpabilizador como está no Gênesis.
Por que escrever sobre isso? É para reforçar o trabalho das teólogas feministas que nos apontam quão profundas são as raízes da dominação das mulheres. Ao resgatarem o relato mais arcaico, feminista, elas visam propor uma alternativa mais originária e positiva na qual apareça uma relação nova com a vida, com os gêneros, com o poder, com o sagrado e com a sexualidade.
Leonardo Boff
Filósofo/Teólogo
Leonardo Boff escreveu com Rose Marie Muraro o livro “Feminino&Masculino”, Record 2010.
Fonte: Letras Et Cetera

domingo, 27 de março de 2011

Almas Douradas me abraçou!



No mesmo dia em que postei a mensagem abaixo sobre a necessidade de um abraço, também relembrei, para alguns amigos, um texto da minha Série Entreatos, que se encontra editada em meu site Cenário de Sentimentos.

Não demorou e ganhei um grande abraço virtual do amigo José Carlos Cardoso Manzano, em seu blog Almas Douradas. Agradecida pelo carinho, convido os amigos e seguidores a visitarem um dos belos espaços do José Carlos. É só clicar na imagem acima.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Às vezes, um abraço é tudo o que precisamos.

Recebi este vídeo de uma amiga e achei a idéia genial. Resolvi pesquisar sobre sua história e aqui está um resumo de como nasceu essa linda campanha.

"Free hugs" é uma história real e controversa de Juan Mann, um homem cujo único intento era o de abraçar um estranho para iluminar a vida daquela pessoa e a sua própria.

Como tudo começou:

Juan Mann estava morando em Londres, quando seu mundo virou de cabeça pra baixo e ele teve de voltar pra casa, em Sydney. No momento em que seu avião pousou, tudo o que ele tinha eram uma bagagem de mão cheia de roupas e um mundo de problemas. Ninguém para recebê-lo de volta e nem um lugar para chamar de lar. Ele era um turista em sua cidade natal. De pé no terminal de chegadas, observando os outros passageiros se encontrarem com amigos e familiares que estavam à espera, de braços abertos e faces sorridentes, ele queria que alguém estivesse esperando por ele. Alguém que ficasse feliz em vê-lo, que sorrisse pra ele, que o abraçasse. Então, de posse de um papel e de uma caneta marcadora escreveu algo. Colocou-se no mais movimentado cruzamento de pedestres da cidade e levantou o cartaz com as palavras "Free Hugs” (abraço grátis) em ambos os lados. Por 15 minutos, as pessoas passaram por ele e apenas o olharam. A primeira pessoa que parou, bateu no seu ombro e lhe contou que seu cachorro tinha morrido naquela manhã e que naquela manhã tinha sido o aniversário de um ano de sua única filha, morta em um acidente de carro. Tudo o que ela precisava agora era de um abraço. Exatamente como ele se sentiu no aeroporto. Ele se postou de joelhos, se abraçaram e, quando se separaram, a mulher estava sorrindo.
Todo mundo tem problemas, mas ver alguém que se aproxima com o semblante fechado, o sorriso, mesmo que por um momento, vale a pena o tempo todo.

Esta história é contada pelo próprio Juan Mann e eu apenas a coloquei na 3ª pessoa.
Nesta era de distanciamento social e falta de contato humano, os efeitos da campanha Free Hugs se tornaram um fenômeno.
Vocês encontrarão vídeos da campanha em outras cidades e ela chegou a ser proibida pelas autoridades policiais de Sydney.
O fundo musical de todos os vídeos da campanha é “All the Same”, do Sick Puppies. Para ouvi-lo melhor neste vídeo acima, não se esqueça de dar pausa na playlist musical do blog, que se encontra no layout lateral.

Fonte:
http://www.freehugscampaign.org/

domingo, 20 de março de 2011

Camilo Pessanha



Caminho

Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

Camilo Pessanha
(In Clepsidra e outros poemas - Coleção Poesia - Edições Ática 1973)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Parabéns às Mulheres e ao Scenarium!



No dia 8 de Março, este blog estará completando dois anos de existência. Em virtude de pequeno recesso, por conta da folia momesca, deixo o meu agradecimento aos amigos e seguidores que estiveram conosco durante este período.

Como o Scenarium foi lançado no Dia Internacional da Mulher, dedico a todas as mulheres o excelente texto abaixo, de autoria de Jenny Londoño, que tenho guardado há muito tempo. O texto foi premiado em primeiro lugar no concurso de poesia Gabriela Mistral, em Quito, Equador, no ano de 1992. Trata-se de um retrato do que vem acontecendo com as mulheres desde tempos remotos: submissão, maus-tratos, exploração sexual, etc.

Reencarnaciones

Vengo desde el ayer, desde el pasado oscuro y olvidado con las manos atadas por el tiempo, con la boca sellada desde épocas remotas.

Vengo cargada de dolores antiguos, recogidos por siglos, arrastrando cadenas largas e indestructibles.

Vengo desde la oscuridad del pozo del olvido, con el silencio a cuestas, con el miedo ancestral que ha corroído mi alma desde el principio de los tiempos.

Vengo de ser esclava por milenios, esclava de maneras diferentes, sometida al deseo de mi raptor en Persia, esclavizada en Grecia, bajo el poder romano. Convertida en vestal, en las tierras de Egipto, ofrecida a los dioses de ritos milenarios, vendida en el desierto o canjeada como una mercancía.

Vengo de ser apedreada por adúltera en las calles de Jerusalén, por una turba de hipócritas, pecadores de todas las especies, que clamaban al cielo mi castigo.

He sido mutilada en muchos pueblos para privar mi cuerpo de placeres y convertida en animal de carga, trabajadora y paridora de la especie.

Me han violado sin límite, en todos los rincones del planeta, sin que cuente mi edad madura o tierna o importe mi color o mi estatura.

Debí servir ayer a los señores, prestarme a sus deseos, entregarme, donarme, destruirme, olvidarme de ser una entre miles.

He sido barragana de un señor de Castilla, esposa de un Marqués y concubina de un comerciante griego, prostituta en Bombay y filipinas y siempre ha sido igual mi tratamiento.

De unos y de otros siempre esclava, de unos y de otros dependiente, menor de edad en todos los asuntos, invisible en la historia mas lejana, olvidada en la historia más reciente.
Yo no tuve la luz del alfabeto durante largos siglos. Aboné con mis lágrimas la tierra que debí cultivar desde mi infancia.

He recorrido el mundo en millares de vidas que me han sido entregadas una a una.
Y he conocido a todos los hombres del planeta: los grandes y pequeños, los bravos y cobardes, los viles, los honestos, los buenos, los terribles.

Mas casi todos llevan la marca de los tiempos. Unos manejan vidas como amos y señores, asfixian, aprisionan, succionan y aniquilan.

Otros manejan almas: comercian con ideas, asustan o seducen, manipulan y oprimen.
Unos cuentan las horas con el filo del hambre, atravesado en medio de la angustia. Otros viajan desnudos por su propio desierto y duermen con la muerte en la mitad del día.
Yo los conozco a todos. Estuve cerca de unos y de otros, sirviendo cada día, recogiendo las migajas, bajando la cerviz a cada paso, cumpliendo con mi karma.

He recorrido todos los caminos. He arañado paredes y ensayado cilicios, tratando de cumplir con el mandato de ser como ellos quieren, mas no lo he conseguido.

Jamás se permitió que yo escogiera el rumbo de mi vida. He caminado siempre en una disyuntiva, ser santa o prostituta.

He conocido el odio de los inquisidores que a nombre de "la santa madre iglesia", condenaron mi cuerpo a su sevicia o a las infames llamas de la hoguera.

Me han llamado de múltiples maneras: bruja, loca, adivina, pervertida, aliada de Satán, esclava de la carne, seductora, ninfómana, culpable de los males de la tierra.

Pero seguí viviendo, arando, cosechando, cosiendo, construyendo, cocinando, tejiendo, curando, protegiendo, pariendo, criando, amamantando, cuidando, y sobre todo amando.

He poblado la tierra de amos y de esclavos, de ricos y mendigos, de genios y de idiotas, pero todos tuvieron el calor de mi vientre, mi sangre y mi aliento, y se llevaron un poco de mi vida.

Logré sobrevivir a la conquista brutal y despiadada de Castilla en las tierras de América, pero perdí mis dioses y mi tierra y mi vientre parió a gente mestiza, después de que el castellano me tomara por la fuerza.

Y en este continente mancillado proseguí mi existencia, cargada de dolores cotidianos. Negra y esclava en medio de la hacienda, me vi obligada a recibir al amo cuantas veces quisiera, sin poder expresar ninguna queja.

Después fui costurera, campesina, sirvienta, labradora, madre de muchos hijos miserables, vendedora ambulante, curandera, cuidadora de niños y de ancianos, artesana de manos prodigiosas, tejedora, bordadora, obrera, maestra, secretaria o enfermera.

Siempre sirviendo a todos, convertida en abeja o sementera, cumpliendo las tareas más ingratas, moldeada como cántaro por las manos ajenas.

Y un día me dolí de mis angustias. Un día me cansé de mis trajines, abandoné el desierto y el océano, bajé de la montaña, atravesé las selvas y confines y convertí mi voz dulce y tranquila en bocina del viento, en grito universal y enloquecido.

Y convoqué a la viuda, a la casada, a la mujer del pueblo, a la soltera, a la madre angustiada, a la fea, a la recién parida, a la violada, a la triste, a la callada, a la hermosa, a la pobre, a la afligida, a la ignorante, a la fiel, a la engañada, a la prostituta.
Vinieron miles de mujeres, juntas, a escuchar mis arengas. Se habló de los dolores milenarios, de las largas cadenas que los siglos nos cargaron a cuestas.

Y formamos con todas nuestras quejas un caudaloso río que empezó a recorrer el universo, ahogando la injusticia y el olvido.

El mundo se quedó paralizado. ¡los hombres sin mujeres no caminan!

Se pararon las máquinas, los tornos, los grandes edificios y las fábricas, ministerios y hoteles, talleres y oficinas, hospitales y tiendas, hogares y cocinas.

Las mujeres, por fin, lo descubrimos. ¡somos tan poderosas como ellos y somos muchas más sobre la tierra ! ¡ más que el silencio y más que el sufrimiento ! ¡ más que la infamia y más que la miseria !

Que este canto resuene en las lejanas tierras de indochina, en las arenas cálidas del África, en Alaska o en America latina, llamando a la igualdad entre los géneros, a construir un mundo solidario -- distinto, horizontal, sin poderíos -- a conjugar ternura, paz y vida, a beber de la ciencia sin distingos.

A derrotar el odio y los prejuicios, el poder de unos pocos, las mezquinas fronteras. A amasar con las manos de ambos sexos el pan de la existencia.

Jenny del Pilar Londoño López

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Luli Coutinho



Solitude

Meus olhos andam cansados
Procuro cores na paisagem
No horizonte olhar fixado
Relembra aquela imagem...

Invisíveis e sem resposta
Não mais encontro lugares
Dia turvo embaça a música
Jazem as cores meus luares

Levo o sorriso que não tenho
Num anjo de mármore impuro
Lágrimas e lembranças ocultas
Em máscaras nos dias duros

E o peso do mundo me consome
Perdoa-me não aflorar a poesia
A inspiração hoje é sem nome
Solitude inunda os olhos do dia.

© Luli Coutinho
São Paulo (SP) – Brasil

Visite a sensibilidade de Luli Coutinho em:
- Luli Coutinho
- Recanto das Letras

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cecília Rodrigues



Soneto Leve

Na hora mais serena eu penso em ti!
Na brisa mais amena, sinto-o leve;
Tal como um suave beijo do Bem-Te-Vi,
Visto-me deste sonho que me embebe...

Remansos de mim, poesia se atreve
Vítima de nós, e eu vítima de ti;
Passos de letras sós, i'nda que breves,
I'nda que lentos, esmorecem aqui!

Neste poema, d'intemporal quimera
Leio e releio, qual infinita era...
Talvez te encontre naquilo que eu reli;

Talvez, eu te sinta um sinuoso poema...
Sigo o caminho desta minha pena...
E ao cantar o amor, digo: - Não te perdi!

© Cecília Rodrigues
Viseu – Portugal


Visite Cecília em seu espaço Cecy Poemas

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Carmel A-Cappella



Carmel A-Capella é um quinteto vocal de Haifa, Israel, composto por mulheres, e sua característica musical principal é a de cantar a capela.
O repertório do grupo inclui arranjos vocais de clássicos instrumentais, canções israelenses, canções folclóricas de diversos países, canções de musicais famosos, jazz e música latina.
O quinteto tem como diretora e arranjadora musical a argentina Shula Erez.
Para apreciar a performance do quintento, interpretando "A Primavera", de Vivaldi, é só clicar na imagem.
A seguir, mais duas interpretações do grupo:

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Jarbas Agnelli e Paulo Pinto



Em “A Arte de Ser Feliz”, Cecília Meireles diz que “quando fala de pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim” e foi exatamente com o olhar de poesia que Jarbas Agnelli traduziu uma foto de pássaros pousados nos fios de luz de uma rua, feita pelo repórter fotográfico Paulo Pinto, no interior do Rio Grande do Sul, para o jornal O Estado de São Paulo.

É só clicar na imagem, ouvir a história de Jarbas Agnelli e apreciar sua interpretação artística para a foto dos pássaros.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Anayde Beiriz



“A altivez é o traço predominante do meu caráter, porém minha mágoa mais dolorosa é saber-me impotente para vencer meu destino.”

Poetisa e professora, Anayde Beiriz, escandalizou a sociedade conservadora paraibana na década de 30 com seu estilo vanguardista. Participava dos movimentos intelectuais e se declarava a favor da liberdade e da autonomia feminina. Posteriormente, a ela coube a metáfora de Peregrina da Liberdade.

“Eu possuo essa impetuosidade despreocupada e desinteressada dessa raça mestiça de que descende minha família paterna, também possuo, num grau tão alto como ninguém talvez possui, a altivez e o orgulho dessa raça de sertanejos a que pertence a minha mãe [...].”

Além de ser uma mulher emancipada, Anayde perturbava os moralistas com o uso de roupas decotadas, maquiagem e corte de cabelo “à la garçonne”. Defendia a participação das mulheres na política, numa época em que elas ainda não podiam votar.

“Elevemos a mulher ao eleitorado (...). Em vez de a conservarmos nesta menoridade convidemo-la a colaborar com o homem na oficina política.” (Anayde, apud Joffily, 1840:43)

Passou a escrever em pequenos jornais e revistas e se destacou como a primeira mulher na imprensa alternativa paraibana identificada com o movimento modernista. Lírica, com uma imaginação criadora marcadamente evadindo-se rumo ao sonho, ela escreveu:

“Eu escrevo para criar um mundo no qual possa viver. Procuro criar um mundo como se cria um determinado clima, uma atmosfera onde eu pudesse respirar.
Devemos conquistar nossa força e edificar nossos valores com base no desenvolvimento pessoal e na descoberta de nós mesmos. Contra as desigualdades, as injustiças [...].”


E acrescenta, voluntariamente exilada na produção literária, não apenas em texto acabado, estruturado definitivamente, sobretudo gerador de sentidos:

“Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então sua literatura será limitada. Quando não escrevo, meu universo se reduz, sinto-me numa prisão. Perco minha chama, minhas cores. Escrever para mim é uma necessidade.”

Anayde não era afeita às convenções no que tange a relacionamentos amorosos e foi um destes relacionamentos, com João Dantas, que a fez entrar para a história. Segundo Marcus Aranha, em seu livro “Panthera de Olhos Dormentes”, o grande amor da poetisa foi Heriberto Paiva, conclusão do escritor, após pesquisa em material fornecido pela família de Anayde.

Em meados de 1924 conheceu o paraibano Heriberto Paiva, a quem chamava de Hery, um ano mais novo que ela, filho de abastado comerciante, estudante de medicina no Rio de Janeiro. O namoro foi rejeitado por parte da família dele, tornando a paixão proibida em uma intensa paixão avassaladora, onde os enamorados trocavam cartas repletas de uma verdade doce e envolvente, revelando um misto de romantismo e ousadia. O romance findou em 30 de agosto de 1926.

“(...) O amor que não se sente capaz de um sacrifício não é amor; será, quando muito, desejo grosseiro, expressão bestial dos instintos, incontinência desvairada dos sentidos, que morre com o objetivar-te, sem lograr atingir aquela altura onde a vida se torna um enlevo, um doce arrebatamento, a transfiguração estética da realidade... E eu não quero amar, não quero ser amada assim... Porque quando tudo estivesse findo, quando o desejo morresse, em nós só ficaria o tédio; nem a saudade faria reviver em nossos corações a lembrança dos dias findos, dos dias de volúpia de gozo efêmero, que na nossa febre de amor sensual tínhamos sonhado eternos.
Mas não me julgues por isto diferente das outras mulheres; há, em todas nós, o mesmo instinto, a mesma animalidade primitiva, desenfreada, numas, pela grosseria e desregramento dos apetites; contida, nobremente, em outras, pelas forças vitoriosas da inteligência, da vontade, superiormente dirigida pela delicadeza inata dos sentimentos ou pelo poder selético e dignificador da cultura.
Não amamos num homem apenas a plástica ou o espírito: amamos o todo. Sim, meu Hery, nós, as mulheres, não temos meio termo no amor; não amamos as linhas, as formas, o espírito ou essa alguma coisa de indefinível que arrasta vocês, homens, para um ente cuja posse é para vocês um sonho ou raia às lides do impossível. Não, meu Hery, não é assim que as mulheres amam. Amam na plenitude do ser e nesse sentimento concentram, por vezes, todas as forças da sua individualidade física ou moral.
É pois assim que eu te amo, querido; e porque te amo, sinto-me capaz de esperar e de pedir-te que sejas paciente. O tempo passa lento, mas passa...
...E porque ele passa, e porque a noite já vai alta, é-me preciso terminar.
Adeus. Beija-te longamente, Anayde”

Em 1928, Anayde iniciou um relacionamento amoroso com João Dantas, político local ligado ao Partido Republicano Paulista, que fazia oposição ao então Governador do Estado da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. Depois do violento confronto político que foi chamado República de Princesa, João Dantas acabou se refugiando no Recife, mantendo o relacionamento com Anayde à distância, através de cartas.

João Pessoa, acuado pelos adversários, reagiu e mandou a polícia revistar as casas dos revoltosos e suspeitos, em busca de armas que pudessem ser utilizadas em uma revolta armada. Um desses locais foi o escritório de João Dantas na cidade da Paraíba, invadido em 10 de julho de 1930. Embora não tenham sido encontradas armas, os policiais depredaram as instalações e arrombam o cofre, onde foi encontrada a correspondência de Dantas, inclusive cartas e poemas de amor recebidos de Anayde.

Visando atingir a honra de Dantas, o conteúdo de toda a correspondência furtada foi publicado nos órgãos de imprensa estadual ligados à situação.
Em 26 desse mesmo mês, João Dantas, acompanhado de um cunhado, Augusto Caldas, entra na Confeitaria Glória, no Recife, e dispara contra o peito de João Pessoa, matando-o. Lavava, com esse gesto, a sua honra ofendida.

Criticada publicamente por razões morais e políticas, Anayde sentiu-se acuada após o assassinato de João Pessoa. Desse modo, abandonou sua residência na Paraíba e foi morar em um abrigo no Recife, onde passou a visitar João Dantas, detido em flagrante e recolhido à Casa de Detenção naquela cidade.

Dantas foi encontrado morto em sua cela, degolado, em 3 de outubro do mesmo ano, no início da Revolução de 1930. Embora, à época, tenha sido declarado suicídio como causa mortis, as circunstâncias ainda permanecem obscuras.

Anayde veio a falecer dias depois, aos 25 anos de idade, supostamente também por suicídio, provocado por envenenamento, quando sob os cuidados de freiras. O seu corpo foi sepultado como indigente no Cemitério de Santo Amaro e sua memória foi renegada durante anos pelos paraibanos. Sua imagem só se tornou emblemática quando foi eleita como uma das personagens míticas da história do Brasil, pelo movimento feminista.

“Nasci
Nasceu
Cresceu
Namorou
Noivou
Casou
Noite nupcial
As telhas viram tudo
Se as moças fossem telhas não se casariam”

A memória de Anayde foi resgatada principalmente após a publicação do livro de José Jofilly, intitulado “Anayde – Paixão e Morte na Revolução de 30”. Aproveitando o centenário de nascimento da poetisa em 18 de fevereiro de 2005, o médico e escritor Marcus Aranha lançou o livro “Anayde Beiriz – Panthera dos Olhos Dormentes”, onde ele se propôs a desfazer a detratação mítica feita com a poetisa paraibana: “Sem que tenha cometido quaisquer crimes, sem que sobre ela pesasse nenhuma acusação, Anayde Beiriz foi condenada a primeira vez como prostituta de João Dantas pela Aliança Liberal em 1930, tendo seu nome execrado e expurgado da consciência de quase toda uma geração. Em 1983, por obra e graça de Tizuka Yamasaki (diretora do filme "Parahyba, mulher macho"), Anayde foi condenada mais uma vez, também como libertina e prostituta debochada".

Em seu diário, Anayde escreveu:

“... Os meus amigos que escrevem nos jornais que também escrevo, chamam-me PHANTERA DOS OLHOS DORMENTES... Sabes por que? Porque dizem que nos meus contos sempre ponho uma mancha de sangue e porque gosto de tudo o que é vermelho...
Crêem eles que sou trágica, que gosto desse amor que queima, dessa paixão que devora, dessa febre amorosa que mata...”


Heriberto passou a chamá-la também de “pantera”, desde que ela lhe escreveu:

“A pantera é bem humana, não é verdade, amor? Mansa, dócil, amorosa, em se tratando de ti; mas, para os outros, eu queria poder esmagá-los, a todos… Contudo, gostei desse título de fera que eles me deram; escrevi um conto com esse nome e enviei-o para a ‘Tribuna do Pará’. Creio que brevemente será publicado”.

“De uma carta que te escrevi e não te enviei
(as partes em colchetes estão danificadas no material origem)

Não Eu não hei de chorar [...]
Tu me conheces bem pouco. Por isto é que me falas em lágrimas.
Só os desesperados é que choram e eu continuo a esperar [...]
Pouco se me dá saber da tua nova paixão [...]
É tão vulgar a existência de outra mulher no destino do homem que a gente deseja [...]
E, bem sabes, no amor, como em tudo, apenas me seduz a originalidade [...]
A razão por que gostei de ti?
Porque pensei que tu eras louco [...]
Tive sempre a extravagância de achar deliciosos os loucos que julgam ter juízo [...]
Desiludiste-me afina!
[...] E é tão desinteressante um homem ajuizado que finge de louco [...]
Dizes que me procurarás esquecer. Ingênuo!
Desafio-te a que o consigas [...]
As marcas das minhas carícias não foram feitas para desaparecer facilmente [...]
Mil outros lábios que se incrustarem na tua boca não arrancarão de lá a lembrança da minha [...]
Mas, se ainda assim, o conseguires, a tua vitória não será duradoura.
Não há vantagem em esquecermos hoje o que temos de lembrar amanhã [...]
Apraz-te que eu guarde os meus beijos [...]
Guarda-los-ei, por enquanto.
Advirto-te, porém, que os beijos são como os vinhos raros, quanto mais velhos, Melhor embriagam [...]
Enganas-te se pensas que entre nós dois tudo está terminado [...]
Se agora é que começou [...]
A nossa história, hoje, está bem mais interessante [...]
E tu fizeste para mim, muito mais desejado [...]
Porque tenho que te arrancar do domínio de outra mulher [...]
No entanto, eu já não te amo [...]
Admiro os homens fortes e tu és um covarde: Tens medo do meu amor. Receias o delírio febril do meu desejo, a exaltação diabólica do meu sensualismo, a impetuosidade selvagem da minha volúpia [...]
Sonhar um afeto simples, monótono, banal [...] Um afeto que toda mulher pode dar [...]
Tu, um artista!
Fazes bem em procurá-lo distante de mim
O meu amor é bem diferente: é impulsivo, torturante, estranho, infernal [...]
Ouve, contudo, o que te digo: hás de experimentá-lo ainda uma vez [...]
Então veremos quem de nós dois chorará [...]

“Muitas atitudes minhas, incompreensíveis aos olhos desses fariseus por aí, vinham do angustioso recalque dos ímpetos de minha alma e da obrigação em que estava de dizer pela metade, aquilo que eu poderia dizer totalmente.”
(Lima Barreto, conforme citação de Anayde Beiriz)

Fontes:
Wikipédia
Memorial Pernambuco
Revista O Viés
ClicRN

Retrato de Anayde, óleo sobre tela por Priscila Holanda, Prisca.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Álvares de Azevedo



Minha Desgraça

Minha desgraça não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco...
E, meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco...

Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera) é o dinheiro...

Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que meu peito assim blasfema,
É ter por escrever todo um poema
E não ter um vintém para uma vela.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ivan Martins



Solidão contente
O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas

Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.
Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.
Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.
Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.
“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.
Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.

Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.
Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.
A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.
A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.
Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?
A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.
Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.
Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.
Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.
Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.
Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo!



Tempo
Olavo Bilac

Sou o tempo que passa, que passa

Sem princípio, sem fim, sem medida!
Vou levando a ventura, e a desgraça,
Vou levando as vaidades da vida!

A correr, de segundo em segundo,

Vou formando os minutos que correm...
Formo as horas que passam no mundo,
Formo os anos que passam e morrem.

Ninguém pode evitar os meus danos...

Vou correndo sereno e constante:
Desse modo, de cem em cem anos
Formo um século e passo adiante.

Trabalhai porque a vida é pequena,
E não há para o tempo demoras!
Não gasteis os minutos sem pena!
Não façais pouco caso das horas!

Queridos amigos, vamos aproveitar o tempo da melhor maneira possível, cultuando o amor e a amizade, plantando as sementes da esperança e da fé num mundo melhor, distribuindo solidariedade, caminhando lado a lado com a ética e a justiça, exercendo a paz, preservando a natureza, acreditando em um alvorecer sem fome e indigência e acima de tudo dando valor ao nosso bem mais precioso: a vida.
Obrigada a todos que estiveram neste palco de emoções, atuando ou assistindo. Que no novo ano possamos continuar juntos, mantendo sempre acesa a nossa luz interior.
Feliz 2011!
Marise Ribeiro

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Gilda Haubert



Espírito de Natal

Estava eu no burburinho daquela rua, comprando presentes para o Natal, mas sentia-me vazia...
Porque presentes de Natal para quem tem tudo?
Não falta lar, não falta comida, não falta roupa, não falta nem felicidade!
Mas mesmo assim pensando, continuo. Compro presentes de Natal para meus filhos, meus amigos, para quem eu quero bem ou devo favores, coisas assim...
Gasto rios de dinheiro, canso meus pés e já sinto a hora de voltar para casa quando passo em frente de uma igreja.
Passar defronte de uma igreja me causa algum impacto, pedaços da infância que me voltam à mente! Mamãe me levava à igreja e dizia ali morar o Papai do Céu. Vamos fazer-lhe uma visita? Vamos agradecer a Ele tudo o que temos e somos. E entrávamos de mãos dadas, numa atitude de respeito nos benzíamos, nos ajoelhávamos e rezávamos:Pai Nosso, que estais no Céu...
E, recordando tudo isso é que, ao passar defronte daquela igreja, senti vontade de entrar. Não posso definir bem o sentimento que me levou a fazer esta visita ao Pai do Céu, mas entrei... e repeti o ritual, me benzi, me ajoelhei e comecei a rezar...não mais aquela reza de criança Pai Nosso que estais no céu...
Não queria mais o Pai no céu, eu O queria ali, bem perto de mim, pois com Ele por perto, as coisas mudariam... Por isso eu precisava Dele ali ao meu lado. Queria senti-lo bem próximo, tanto que até pudesse tocá-lo, se quisesse...
E continuei a rezar minha reza improvisada. Eram quase só pensares o que povoava minha mente e inquietava minha alma...
Mas, continuava sozinha naquela igreja silenciosa. Rezei, pensei, pensei... Rezei, pedi, pedi saúde para os meus, proteção e forças para seguir minha jornada e me preparei para sair.
Olhei mais uma vez para o Menino Jesus que estava nos braços de sua Mãe Maria naquele altar bonito! Ele era loiro, cabelo cacheado, acho que olhos claros..
E eu queria tanto que o Pai do Céu estivesse ao meu lado...
Dirigi-me à porta, silenciosa, cabeça baixa, ainda pensando no Jesus Menino tão singelo nos braços de sua Mãe Maria, quando nos degraus vi um menino estendendo a mãozinha para receber um troquinho...
Ele era loiro, cabelos cacheados e olhinhos claros talvez e eu queria tanto o Pai do Céu perto de mim que olhei novamente para aquele altar...
E Maria estava sem seu Filho nos braços...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Anna Peralva




Se Possível, Eu Queria...

Queria...
Ah, como eu queria!...
Ver fagulhas-brilhos luzindo
num crescente límpido manancial,
a luz mansa que transforma
apartando as forças do mal!
Queria, em gotas de emoção
o farol cristalino que alumia
corpo, alma e coração!

A pureza no olhar criança
aclarando almas arredias
oprimidas pela solidão!
O sorriso de amizade correndo
nas vestes de um novo tempo
e olhos-águas santas
lavando passados e tormentos.
A verdade em palavras mansas,
a paz laços-abraços construindo
num entrelace de mãos!
Ver, sentir a fé-força renascendo
orvalhada de esperança
nos votos castos da oração.

Queria de uma só vez
a vida sem faz de conta!
O Jesus Menino humilde
distanciando toda a altivez
trazendo floradas de harmonia
entre os povos do mundo
e a irmandade refletindo
qual milenar lampião.
Dos profundos mares fundos
a serenidade que aponta
em ondas suaves e diáfanas
o emergir da união!

Uma alvejada calmaria
da Terra Mãe fluindo
e a felicidade, elevando-se
às alturas atingindo.
Um clarão de bênçãos
fertilizando o nascer do dia.
No ventre de uma nova realidade
a bondade ressurgindo
sem mantos de vaidades.

Ainda, se fosse possível
eu queria:
mais homens e menos deuses!
O ser humano evoluindo
em sua espiritualidade
e altares falsos ruindo!
Queria mais chão floreado
e menos asfalto frio,
sombreado...
Uma estrada mais florida
de justiça e igualdade
a divina sabedoria
traçando nossa caminhada!

Que o eterno aprendiz “ser”
sempre soubesse
nas horas reconstruídas
a precisa valia
do seu desenvolvimento.
E que o querer ter
fosse o necessário
para se poder viver
dignamente,
sem distinção de criatura!

Que a liberdade
não tivesse correntes!
Que o real sentido da Natividade
estivesse intenso e presente
em todos os nossos dias.
Que o livre-arbítrio
não se descompassasse
trazendo atritos
à matéria fraca e sensível
pois não há quem não passe
nesta viagem de aprendizado.

Queria uma chama silente,
alva, como as claras manhãs
sussurrando todos os dias:
É NATAL!

E o amor, sentimento maior
acordando os amanhãs
num encanto sem igual!
Magia que se torna acessível
no perdão a ser conferido
no abençoar e ser abençoado
e agradecer sempre,
sem pressa para as preces!

É NATAL!
Não mais existe
sonho impossível!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Euriano Sales



O Nascimento de Jesus. Um Cordel Sobre o Natal

Dos doze meses do ano

O de dezembro é o mais bonito
Todo mundo prega a paz
Confraternizam em nome de Cristo
Mas ai daquele que não der um presente
Pode gerar até um conflito

É verdade, é assim que acontece
E por favor não me interprete mal
Pois esse mês tão lindo que eu disse
Também é o mês mais comercial
Nascimento de quem? Jesus?
Eu quero é meu presente de natal

Ninguem lembra do começo de tudo
Mas pode deixar, vou refrescar sua memória
Há muito tempo, lá em Belém
Deu início a essa bela história
Do verdadeiro dono da festa
Digno de toda honra e glória

Houve um período na história
Que Deus se calou pro seu povo
Foram cerca de 400 anos
Até surgir um profeta novo
O nome dele seria João
Responsável por esse renovo

Zacarias era um homem bem velho
E Isabel também bem veinha
Ter um minino nessa altura do campeonato
Só podia ser piada de vizinha
Mas como Deus não é homi de piada
Fez nascer justo de onde não vinha

Gabriel, o arcanjo do Senhor
Disse a Zacarias que ele ia se papai
O homi se espantou com aquilo
E disse que não, jamais
Gabriel olhou e disse pra ele:
Tu pensa que eu sou anjo paraguai?

Eu sou é servo de Deus
Que mandou esse recado trazer
Mas como você tá duvidando
Se prepare pro que eu vou fazer
Vai ficar sem falar uma ruma de dia
Até o minino nascer

E assim foi o acontecido
Isabel, bem veinha, embuchou
Zacarias continuava mudo
Mesmo assim a Deus adorou
A mulher já tava com seis meses
Quando o anjo do céu retornou

Mas dessa vez bateu noutra porta
Na de Maria, prima de Isabel
Ela era uma moça bem jovem
Abençoada por Deus, mulher fiel
Ele disse que ela ia ter um minino
Jesus, o nazareno, o Emanuel

Por ser virgem ela achou impossível
Mas não quis do senhor duvidar
Já José, seu noivo na época
O casamento ele quis cancelar
Mas o anjo explicou tudinho
E José se apressou pra casar

Deus quando fala, fala é direito
E toda promessa Dele é confirmada
Esse negócio que o Senhor mandou dizer
Sem confirmação é tudo furada
Tu acredita que Deus confirmou ainda mais
A promessa que já foi aprovada?

Maria foi visitar Isabel
E na chegada a cumprimentou
Isabel quando viu Maria
O minino no bucho balançou
Sabia nem que a outra tava gravida e disse:
Acredite Maria, no que o anjo falou.

Isabel teve o minino
E o povo doido pra saber o nome
Disseram pra por Zacarias Filho
Ela disse que era João e batista o sobrenome
Eles insistiram em chamar Zacarias
E o pai sem falar, escreveu sem cognome

Cognome é o mesmo que apelido
Ele escreveu bem direitin o nome de João
Poderia ter escrito Joazin
Mas o anjo não tava de brincadeira não
Zacarias voltou a falar
E essa história correu a região

Naquela época também tinha IBGE
Que contava o tamanho da população
Mas se eu sou do ceará e morava em alagoas
A contagem não valia não
Tinha que voltar pra minha terrinha
E me apresentar ao escrivão

Foi numa dessa que nasceu Jesus.
José e Maria moravam em Nazaré
Foram a Belém pra tal contagem
150 kilômetros de viajem a pé
O jumentinho era só pra Maria
Coitado dos pés de José

A cidade tava lotada
Não tinha vaga em nenhuma pensão
O minino se aprontou pra nascer
Maria já tava com um barrigão
Correram pra uma estrebaria
E cadê ter médico de plantão?

Jesus nasceu ali mesmo
Simples como devemos ser
Não teve médico, nem enfermeira
Mas Deus assim quis fazer
Pra servir de lição para muitos
Que querem tanto aparecer

Deus se encarregou da Festa
Teve até chá de bebê
Fez nascer no céu uma estrela
Para que todos pudessem ver
Que ali nasceu o minino
Que por nós irá vencer

Três pastores ao ver a estrela
Se perguntavam o que era aquilo
O Anjo de Deus foi até eles
E disse: Rapaz, fique tranquilo
Nasceu o Rei de vocês
Vão lá visitar o pupilo

Os homens pensaram em palácio
E foram até o Rei Herodes
O perguntaram pelo rei que nasceu
- Que rei? Se eu sou o lorde?
O cabra ficou enjuriado
E Chamou o sacerdote

Me diga onde vai nascer o Messias
E fale logo que eu tô aperriado
Responderam que era em Belém
O cabra ficou agoniado
Chamou os pastores pra conversa
E mentiu bem descarado

Vão até lá e achem o minino
Depois voltem pra cá
Quero que me digam direitinho
Onde o Rei pode estar
Pois também quero ir
Me prostar e adorar

O pastores sairam dali
Acreditando que era verdade
O anjo de Deus os guiou
Há uma certa maternidade
Onde nasciam os cavalos e bois
Dos homens daquela cidade

Sentiram a presença de Deus
E choraram aqueles pastores
Quando viram o minino ali

Sem luxo, riqueza e valores
Estava ali o Rei dos Reis
Príncipe da paz, senhor dos senhores


O chá de bebê de Jesus
Aconteceu naquele momento
Ao invés de fralda tinha ouro
De chupeta tinha incenso
Foi dado até um pote de mirra
Como forma de agradecimento

Deus disse pra eles em sonho
Pra mudarem o caminho da volta
Pois Herodes estavam esperando
Armado com sua escolta
A fim de pegar o minino
E fazer uma reviralvolta

Deus disse também a José
Pro Egito ele fugir
Pois o rei ia matar
O bebê nascido ali
Jesus o nazareno
Descendente de Davi

Do Egito eles foram
Conforme disse a profecia
Para a terra de Nazaré
Onde ele cresceria
Foi batizado por João
O filho de Zacaria.

Essa sim é a história
Que todos devemos lembrar
Que eu saiba Jesus não era gordo
E de trenó não costuma andar
E foi dele o maior presente
A salvação que vamos herdar

Isso mesmo, a salvação
Está guardada pra você
Basta olhar pra Jesus Cristo
E entregar o seu viver
Ele é o grande Deus
Pra você servir e crer

Caso queira assistir ao vídeo sobre o cordel, é só clicar na imagem.

Fonte: Cordel Cristão , do autor Euriano Sales

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fluminense - Tricampeão Brasileiro 2010



Parabéns ao meu querido tricolor! Parabéns ao time de guerreiros!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Laurel, Hardy e Santana



Aprecie o encontro dos geniais Laurel e Hardy com o também genial músico Santana, em mais uma ótima montagem virtual.
É só clicar na imagem e se deixar levar por Oye Como Va.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Clarice Lispector



Amor à Terra

Laranja na mesa.

Bendita a árvore
Que te pariu.