sábado, 8 de maio de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Carlos Drummond de Andrade
Carmo Vasconcelos

Mãe
Tal Rainha Santa que das rosas fez o pão,
Tu tornas, mãe, nesse teu ventre, o amor em filhos!
Nessa alquimia, os vais juntando, quais cadilhos,
À nívea franja do teu grande coração!
Não sendo tu Rainha ou Santa, és abençoada,
Por milagrosamente o teu corpo gerar
O poema excelso, transcendente e milenar,
Parido em sangue e dor na carne lacerada!
Dores atrozes que, extasiada, desmereces
Ao no regaço ter o frágil ser que aqueces
Ao calor ímpar desse instante divinal!
E desligado o ténue fio umbilical,
Só rompe a morte esse amarrado amor materno,
Posto que atado foi no céu plo Pai Eterno!
Maio/2008
© Carmo Vasconcelos
Lisboa - Portugal
In E-Book “Sonetos escolhidos III”
Visite Carmo Vasconcelos clicando aqui.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
José Ernesto Ferraresso e Marise Ribeiro
Convido-os a apreciarem o vídeo-arte feito pelo amigo e poeta José Ernesto Ferraresso, embelezando o meu poema Os Sentidos da Alma, a quem agradeço pelo carinho.
Para ouvirem o som do vídeo, não se esqueçam de acionar a pausa na play list do blog.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Tom Jobim e Frank Sinatra
Sempre que puder trarei pra vocês momentos musicais ou cenas do cinema, do teatro e da TV que são inesquecíveis. Vamos curtir este encontro de dois gênios da música: a voz e o compositor.
Olavo Bilac

Delírio
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
- Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
- Mais abaixo, meu bem! - num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
- Mais abaixo, meu bem! - disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...
Clarice Lispector e Aracy Balabanian
Das Vantagens de Ser Bobo
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo. Estou pensando.”
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: “Até tu, Brutus?”
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
12 de Setembro de 1970
Aprecie o vídeo com a interpretação de Aracy Balabanian, mas não se esqueça de dar pausa na play list musical.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Antonieta Elias Manzieri

Sonho Extinto
Frases desconexas, banais,
tempo que passa fortuito.
Sabes, não volto, não mais!
Não há empenho, intuito...
Virou cinza, está acabado,
hoje, nada faz diferença...
Sem presente, ou passado,
é página virada, descrença.
Quanta tristeza, meu amor!
Parecia um sonho dourado,
mas mudou, perdeu a cor...
Nada restou, morreu calado.
Quero esquecer as horas,
embriagar-me com o mar.
Encantar-me com auroras,
em doce enlevo sob o luar.
1 de abril de 2009
©Antonieta Elias Manzieri
São Pedro (SP) - Brasil
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Jessier Quirino

Estudou em Campina Grande até o ginásio, fez o curso científico em Recife e faculdade de Arquitetura em João Pessoa. Apesar da agenda artística literária sempre requisitada, ainda atua na arquitetura. Na área artística, é autodidata como instrumentista (violão) e fez cursos de desenho artístico e desenho arquitetônico. Na área de literatura, não fez nenhum curso e trabalha a prosa, a métrica e a rima como um mero domador de palavras.
Preenchendo uma lacuna deixada pelos grandes menestréis do pensamento popular nordestino, o poeta Jessier Quirino tem chamado a atenção do público e da crítica, principalmente pela presença de palco, por uma memória extraordinária e pelo varejo das histórias, que vão desde a poesia matuta, impregnada de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, até causos, cantorias musicais, piadas e textos de nordestinidade apurada.
Dono de um estilo próprio "domador de palavras" - até discutido em sala de aula - de uma verve apurada e de um extremo preciosismo no manejo da métrica e da rima, o poeta, ao contrário dos repentistas que se apresentam em duplas, mostra-se sozinho feito boi de arado e sabe como prender a atenção do distinto público.
Apesar de muitos considerá-lo um humorista, opta pela denominação de poeta, onde procura mostrar o bom humor e a esperteza do matuto sertanejo, sem, no entanto fugir ao lirismo poético e literário."
Fonte: Wikipedia
Conheça a obra de Jessier Quirino visitando-o em seu site ou apreciando os vídeos abaixo. Alguns vídeos valem mais pela parte sonora. Caso queira acompanhar as letras dos poemas é só clicar aqui.
Poesia
Paisagem de Interior
Zé Qualquer e Chica Boa
Agruras da Lata D’água
Vou-me Embora Pro Passado
Parafuso de Cano de Serrote
Humor (textos e causos)
O Candidato
O Matuto No Cinema
Lelé Garrinha e Narração de Casamento
domingo, 11 de abril de 2010
Susan Andrews - Mensagem

Depois ele disse que não sabia por que sorriu, mas pode ser que quando se chega perto de outro ser humano seja difícil não sorrir. Naquele instante, uma chama pulou no espaço entre o coração dos dois homens e gerou um sorriso no rosto do carcereiro também. Ele acendeu o cigarro de St. Exupéry e ficou perto, olhando diretamente em seus olhos, e continuou sorrindo. St. Exupéry também continuou sorrindo para ele, vendo-o agora como pessoa, e não como carcereiro.
Parece que o carcereiro também começou a olhar St. Exupéry como pessoa, porque lhe perguntou: "Você tem filhos?". "Sim", St. Exupéry respondeu, e tirou da bolsa fotos de seus filhos. O carcereiro mostrou fotos de seus filhos também, e contou todos os seus planos e esperanças para o futuro deles. Os olhos de St. Exupéry se encheram de lágrimas quando disse que não tinha mais planos, porque ele jamais os veria de novo. Os olhos do carcereiro se encheram de lágrimas também. E de repente, sem nenhuma palavra, ele abriu a cela e guiou St. Exupéry para fora do cárcere, através das sinuosas ruas, para fora da cidade, e o libertou. Sem nenhuma palavra, o carcereiro deu meia-volta e retornou por onde veio. St. Exupéry disse: "Minha vida foi salva por um sorriso do coração".
Trecho extraído da coluna Sua Vida, de Susan Andrews, publicado na Revista Época. Caso queira ler a matéria completa sobre os benefícios de se sorrir com o coração, é só clicar aqui.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Marilda Conceição

Poeta de Alma e Coração
Não sou máquina de fazer poesias,
nem sou poeta de profissão.
Não escrevo a toda hora
nem todo dia,
poetizo quando surge a inspiração.
Não uso técnica,
nem sigo métrica.
Escrevo por intuição.
Tenho o dom de expressar sentimentos,
que brotam do meu coração.
Não sou poeta literário.
Transbordo sensibilidade e emoção.
Traço os sonhos mais diversos,
vou além do imaginário.
Choro e sorrio em versos
Sou poeta de alma e coração.
© Marilda Ternura
Rio de Janeiro (RJ) – Brasil
Conheça mais poemas de Marilda visitando-a em Marilda Ternura Home Page
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Eliana Ellinger

Tímido Vôo
Dos meus sonhos fui a musa
Meus desejos, meus anseios,
perdidos confusos esteios,
sozinha na multidão.
Uma flor viçosa efêmera
sorvendo com avidez teu orvalho,
de esperança desvairada,
alegria antecipada,
sem saber se na verdade
tu me querias ou não.
Como pássaro cativo
procurando uma saída,
na gaiola construída
com pedaços de ilusão.
Incentivada pela brisa
de tuas inebriantes palavras,
das promessas de teus gestos,
do teu venenoso olhar,
ousei ignorar as grades, alçar vôo...
Que loucura!
Um só tiro bem certeiro,
de uma frase sem mira,
pois desviaste o olhar,
atingiu meu peito em cheio,
matando-me os sonhos, os veios,
tirando dos versos as rimas,
escurecendo o luar.
© Eliana Ellinger
Hazorea - Israel
(In Pedaços de Mim)
domingo, 21 de março de 2010
Dia Internacional da Poesia

Versos
Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma...
Versos!... Sei lá! Um verso é o teu olhar,
Um verso é o teu sorriso e os de Dante
Eram o teu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!
Meus versos!... Sei eu lá também que são...
Sei lá! Sei lá!... Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez...
Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês...
(Florbela Espanca in "A Mensageira das Violetas")
A minha homenagem aos amantes da Poesia.
Gabriel Pensador

Composição: Gabriel O Pensador
Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
Racismo é burrice
Não seja um imbecil
Racismo é burrice
Negro e nordestino constróem seu chão
Racismo é burrice
O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
Racismo é burrice
E se você é mais um burro, não me leve a mal
sábado, 20 de março de 2010
Ana Carolina e Zizi Possi
Para apreciar o vídeo, acione a pausa na playlist do layout lateral
Ruas de Outono
Composição: Ana Carolina / Antonio Villeroy
Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo o abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar
Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto
Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar
Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto
Cecília Meireles

Cantiga Outonal
Outono. As árvores pensando...
Tristezas mórbidas no mar...
O vento passa, brando... brando...
E sinto medo, susto, quando
escuto o vento assim passar...
Outono. Eu tenho a alma coberta
de folhas mortas, em que o luar
chora, alta noite, na deserta
quietude triste da hora incerta
que cai do tempo, devagar...
Outono. E quando o vento agita,
agita os galhos negros, no ar,
minha alma sofre e põe-se aflita,
na inconsolável, na infinita
pena de ter de se esfolhar...
(In Palavras e Pétalas)
segunda-feira, 8 de março de 2010
Scenarium, Feliz Aniversário!
Apesar de suas postagens iniciais estarem com datas anteriores à data de hoje, ele foi efetivamente lançado ao público no Dia Internacional da Mulher, com uma homenagem a algumas mulheres e suas respectivas artes.
Agradeço a todos que nos prestigiam com visitas, recadinhos, indicações e sugestões.
Que possamos comemorar muitos anos de emoção e arte!
Meu carinho e meus aplausos a todos,
Marise Ribeiro
Eliane F. C. Lima

Que oito de março, que nada!
Para ser homem de verdade,
sem abrir mão da vaidade,
há que ter fé e firmeza.
Para ser homem, nesta vida,
ignorar a ferida,
esquecer sempre a tristeza.
Para ser homem, homem mesmo,
seguir reto, nunca a esmo,
sentir-se fraco, jamais!
Para ser homem de fato,
ser agressivo ou ter tato,
mas construir sempre a paz.
Para ser homem verdadeiro,
ter um caminho primeiro
e ir mesmo aonde não der.
Esse homem, guia, facho,
peço desculpas, caro macho,
esse homem... é uma mulher!
(23/02/97 – registrado no EDA-RJ)
© Eliane F.C. Lima
Rio de Janeiro (RJ) – Brasil
Visite a arte de Eliane Lima nos seguintes espaços:
Conto-gotas
Literatura em Vida 2
Poema Vivo
domingo, 7 de março de 2010
Voces para la Paz e Lucero Tena

Vozes para a Paz (Músicos Solidários), fundada em 1998 por Juan Carlos Arnanz Villalta, como uma associação independente de ajuda humanitária e sem fins lucrativos, é composta por mais de 300 músicos profissionais, que pertencem a importantes orquestras (Orquestra e Coro Nacional de Espanha, Orquestra e Coro da RTVE, Orquestra e Coro da Sinfônica de Madri, Orquestra e Coro da Comunidade de Madri, Banda Sinfônica Municipal de Madri, Coro do Teatro Nacional da Zarzuela, etc) e várias pessoas vinculadas ao mundo da música.
Eles têm como objetivo apresentar concertos de solidariedade, arrecadando fundos e conseguindo apoios para projetos que auxiliem e protejam os mais necessitados.
Para “Vozes para a Paz”, música, amor e justiça são a mesma coisa.
O Concerto:
Em 10 de junho de 2007, sob a batuta do maestro D. Enrique Garcia Asensio, no Auditório Nacional de Música de Madri, a orquestra se apresentou para um concerto solidário com a finalidade de adquirir uma Unidade Móvel Sanitária, que atendesse a necessidades de 3.600 pessoas que se encontram espalhadas em pequenos povoados entre as montanhas andinas de Huancavelica (Peru).
A música apresentada foi La Boda de Luis Alonso, composta por Gerónimo Gimenez..
A Solista:
Lucero Tena é uma bailarina de flamenco de origem mexicana , que reside na Espanha desde 1958. Integrou a companhia de Carmen Amaya e posteriormente criou seu próprio grupo de dança flamenca. Além de excepcional bailarina, é também uma extraordinária executante de castanholas na interpretação de obras clássicas.
É professora daquele instrumento no Conservatório de Madri.
A arte de tocar castanholas de Lucero Tena é bastante notável. É sabido que o instrumento tem uma longa história e é derivado do “crotales” do mundo antigo. Chegou a ter um lugar especial na dança espanhola popular e clássica. Alguns dançarinos se destacaram por sua habilidade em tocar as castanholas, mas nenhum deles tornou esta arte em si, um meio de expressão estética. Lucero Tena se destaca por isso e por demonstrar sensibilidade rítmica, equilíbrio das variadas sonoridades possíveis, e domínio original do instrumento.
Vários músicos já compuseram para essa grande artista, incluindo Joaquín Rodrigo, que em 1966 compôs e dedicou a ela duas danças espanholas. No decorrer de uma distinta carreira Lucero Tena tem aparecido em salas de concertos em todo o mundo. Ela também se apresenta em recitais com acompanhamento de violão ou piano.
Aprecie esse grande espetáculo, clicando na imagem acima ou aqui.
Fontes: Youtube, Wikipédia, Vozes Para a Paz, Naxos





