quarta-feira, 21 de abril de 2010

Olavo Bilac



Delírio

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
- Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
- Mais abaixo, meu bem! - num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
- Mais abaixo, meu bem! - disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...

Clarice Lispector e Aracy Balabanian

Das Vantagens de Ser Bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo. Estou pensando.”

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: “Até tu, Brutus?”

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

12 de Setembro de 1970

Aprecie o vídeo com a interpretação de Aracy Balabanian, mas não se esqueça de dar pausa na play list musical.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Antonieta Elias Manzieri



Sonho Extinto

Frases desconexas, banais,
tempo que passa fortuito.
Sabes, não volto, não mais!
Não há empenho, intuito...

Virou cinza, está acabado,
hoje, nada faz diferença...
Sem presente, ou passado,
é página virada, descrença.

Quanta tristeza, meu amor!
Parecia um sonho dourado,
mas mudou, perdeu a cor...
Nada restou, morreu calado.

Quero esquecer as horas,
embriagar-me com o mar.
Encantar-me com auroras,
em doce enlevo sob o luar.

1 de abril de 2009
©Antonieta Elias Manzieri
São Pedro (SP) - Brasil

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Jessier Quirino



"Jessier Quirino é arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Apareceu na folhinha no ano de 1954 na cidade de Campina Grande, Paraíba e é filho adotivo de Itabaiana também na Paraíba, onde reside desde 1983.

Estudou em Campina Grande até o ginásio, fez o curso científico em Recife e faculdade de Arquitetura em João Pessoa. Apesar da agenda artística literária sempre requisitada, ainda atua na arquitetura. Na área artística, é autodidata como instrumentista (violão) e fez cursos de desenho artístico e desenho arquitetônico. Na área de literatura, não fez nenhum curso e trabalha a prosa, a métrica e a rima como um mero domador de palavras.

Preenchendo uma lacuna deixada pelos grandes menestréis do pensamento popular nordestino, o poeta Jessier Quirino tem chamado a atenção do público e da crítica, principalmente pela presença de palco, por uma memória extraordinária e pelo varejo das histórias, que vão desde a poesia matuta, impregnada de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, até causos, cantorias musicais, piadas e textos de nordestinidade apurada.

Dono de um estilo próprio "domador de palavras" - até discutido em sala de aula - de uma verve apurada e de um extremo preciosismo no manejo da métrica e da rima, o poeta, ao contrário dos repentistas que se apresentam em duplas, mostra-se sozinho feito boi de arado e sabe como prender a atenção do distinto público.

Apesar de muitos considerá-lo um humorista, opta pela denominação de poeta, onde procura mostrar o bom humor e a esperteza do matuto sertanejo, sem, no entanto fugir ao lirismo poético e literário."

Fonte: Wikipedia

Conheça a obra de Jessier Quirino visitando-o em seu site ou apreciando os vídeos abaixo. Alguns vídeos valem mais pela parte sonora. Caso queira acompanhar as letras dos poemas é só clicar aqui.

Poesia
Paisagem de Interior
Zé Qualquer e Chica Boa
Agruras da Lata D’água
Vou-me Embora Pro Passado
Parafuso de Cano de Serrote

Humor (textos e causos)
O Candidato
O Matuto No Cinema
Lelé Garrinha e Narração de Casamento

domingo, 11 de abril de 2010

Susan Andrews - Mensagem



O coração tem razões...
Você se lembra daquela tocante história do livro O Pequeno Príncipe? Bom, existe uma história mais tocante ainda que aconteceu de fato com o criador do Pequeno Príncipe, o escritor francês Antoine de St. Exupéry. Poucas pessoas sabem que ele lutou na Guerra Civil Espanhola, quando foi capturado pelo inimigo e levado ao cárcere para ser executado no dia seguinte. Nervoso, ele procurou em sua bolsa um cigarro, e achou um, mas suas mãos estavam tremendo tanto que ele não podia nem mesmo levá-lo à boca. Procurou fósforos, mas não tinha, porque os soldados haviam tirado todos os fósforos de sua bolsa. Ele olhou então para o carcereiro e disse: "Por favor, usted tiene fósforo?". O carcereiro olhou para ele e chegou perto para acender seu cigarro. Naquela fração de segundo, seus olhos se encontraram, e St. Exupéry sorriu.

Depois ele disse que não sabia por que sorriu, mas pode ser que quando se chega perto de outro ser humano seja difícil não sorrir. Naquele instante, uma chama pulou no espaço entre o coração dos dois homens e gerou um sorriso no rosto do carcereiro também. Ele acendeu o cigarro de St. Exupéry e ficou perto, olhando diretamente em seus olhos, e continuou sorrindo. St. Exupéry também continuou sorrindo para ele, vendo-o agora como pessoa, e não como carcereiro.

Parece que o carcereiro também começou a olhar St. Exupéry como pessoa, porque lhe perguntou: "Você tem filhos?". "Sim", St. Exupéry respondeu, e tirou da bolsa fotos de seus filhos. O carcereiro mostrou fotos de seus filhos também, e contou todos os seus planos e esperanças para o futuro deles. Os olhos de St. Exupéry se encheram de lágrimas quando disse que não tinha mais planos, porque ele jamais os veria de novo. Os olhos do carcereiro se encheram de lágrimas também. E de repente, sem nenhuma palavra, ele abriu a cela e guiou St. Exupéry para fora do cárcere, através das sinuosas ruas, para fora da cidade, e o libertou. Sem nenhuma palavra, o carcereiro deu meia-volta e retornou por onde veio. St. Exupéry disse: "Minha vida foi salva por um sorriso do coração".

Trecho extraído da coluna Sua Vida, de Susan Andrews, publicado na Revista Época. Caso queira ler a matéria completa sobre os benefícios de se sorrir com o coração, é só clicar aqui.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Marilda Conceição



Poeta de Alma e Coração

Não sou máquina de fazer poesias,
nem sou poeta de profissão.
Não escrevo a toda hora
nem todo dia,
poetizo quando surge a inspiração.

Não uso técnica,
nem sigo métrica.
Escrevo por intuição.
Tenho o dom de expressar sentimentos,
que brotam do meu coração.

Não sou poeta literário.
Transbordo sensibilidade e emoção.
Traço os sonhos mais diversos,
vou além do imaginário.
Choro e sorrio em versos
Sou poeta de alma e coração.

© Marilda Ternura
Rio de Janeiro (RJ) – Brasil

Conheça mais poemas de Marilda visitando-a em Marilda Ternura Home Page

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Eliana Ellinger



Tímido Vôo

Dos meus sonhos fui a musa
Meus desejos, meus anseios,
perdidos confusos esteios,
sozinha na multidão.
Uma flor viçosa efêmera
sorvendo com avidez teu orvalho,
de esperança desvairada,
alegria antecipada,
sem saber se na verdade
tu me querias ou não.
Como pássaro cativo
procurando uma saída,
na gaiola construída
com pedaços de ilusão.
Incentivada pela brisa
de tuas inebriantes palavras,
das promessas de teus gestos,
do teu venenoso olhar,
ousei ignorar as grades, alçar vôo...
Que loucura!
Um só tiro bem certeiro,
de uma frase sem mira,
pois desviaste o olhar,
atingiu meu peito em cheio,
matando-me os sonhos, os veios,
tirando dos versos as rimas,
escurecendo o luar.

© Eliana Ellinger

Hazorea - Israel
(In Pedaços de Mim)

domingo, 21 de março de 2010

Dia Internacional da Poesia



Versos

Versos! Versos! Sei lá o que são versos...

Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma...

Versos!... Sei lá! Um verso é o teu olhar,
Um verso é o teu sorriso e os de Dante
Eram o teu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!... Sei eu lá também que são...
Sei lá! Sei lá!... Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez...

Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês...

(Florbela Espanca in "A Mensageira das Violetas")

A minha homenagem aos amantes da Poesia.

Gabriel Pensador

Recados para orkut
Racismo É Burrice

Composição: Gabriel O Pensador

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar
"Racismo, preconceito e discriminação em geral;
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral
Racismo é burrice
Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral
Racismo é burrice
Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral
Racismo é burrice
O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Racismo é burrice
E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.
Se você quiser assistir ao Gabriel Pensador, cantando esta composição é só clicar aqui.

sábado, 20 de março de 2010

Ana Carolina e Zizi Possi

Para apreciar o vídeo, acione a pausa na playlist do layout lateral

Ruas de Outono

Composição: Ana Carolina / Antonio Villeroy

Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo o abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Cecília Meireles



Cantiga Outonal

Outono. As árvores pensando...
Tristezas mórbidas no mar...
O vento passa, brando... brando...
E sinto medo, susto, quando
escuto o vento assim passar...

Outono. Eu tenho a alma coberta
de folhas mortas, em que o luar
chora, alta noite, na deserta
quietude triste da hora incerta
que cai do tempo, devagar...

Outono. E quando o vento agita,
agita os galhos negros, no ar,
minha alma sofre e põe-se aflita,
na inconsolável, na infinita
pena de ter de se esfolhar...

(In Palavras e Pétalas)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Scenarium, Feliz Aniversário!

Amigos leitores e seguidores do Scenarium,

Estamos completando, nesta data, um ano de vida virtual. Lançado para ser mais um palco do site Cenário de Sentimentos, este blog ganhou vida própria e caminha independentemente de seu cenário principal.
Apesar de suas postagens iniciais estarem com datas anteriores à data de hoje, ele foi efetivamente lançado ao público no Dia Internacional da Mulher, com uma homenagem a algumas mulheres e suas respectivas artes.
Agradeço a todos que nos prestigiam com visitas, recadinhos, indicações e sugestões.
Que possamos comemorar muitos anos de emoção e arte!
Meu carinho e meus aplausos a todos,
Marise Ribeiro

Parabéns, Mulheres!

Eliane F. C. Lima



Que oito de março, que nada!

Para ser homem de verdade,
sem abrir mão da vaidade,
há que ter fé e firmeza.

Para ser homem, nesta vida,
ignorar a ferida,
esquecer sempre a tristeza.

Para ser homem, homem mesmo,
seguir reto, nunca a esmo,
sentir-se fraco, jamais!

Para ser homem de fato,
ser agressivo ou ter tato,
mas construir sempre a paz.

Para ser homem verdadeiro,
ter um caminho primeiro
e ir mesmo aonde não der.

Esse homem, guia, facho,
peço desculpas, caro macho,
esse homem... é uma mulher!

(23/02/97 – registrado no EDA-RJ)

© Eliane F.C. Lima
Rio de Janeiro (RJ) – Brasil

Visite a arte de Eliane Lima nos seguintes espaços:

Conto-gotas
Literatura em Vida 2
Poema Vivo

domingo, 7 de março de 2010

Voces para la Paz e Lucero Tena



A Orquestra:

Vozes para a Paz (Músicos Solidários), fundada em 1998 por Juan Carlos Arnanz Villalta, como uma associação independente de ajuda humanitária e sem fins lucrativos, é composta por mais de 300 músicos profissionais, que pertencem a importantes orquestras (Orquestra e Coro Nacional de Espanha, Orquestra e Coro da RTVE, Orquestra e Coro da Sinfônica de Madri, Orquestra e Coro da Comunidade de Madri, Banda Sinfônica Municipal de Madri, Coro do Teatro Nacional da Zarzuela, etc) e várias pessoas vinculadas ao mundo da música.

Eles têm como objetivo apresentar concertos de solidariedade, arrecadando fundos e conseguindo apoios para projetos que auxiliem e protejam os mais necessitados.

Para “Vozes para a Paz”, música, amor e justiça são a mesma coisa.

O Concerto:

Em 10 de junho de 2007, sob a batuta do maestro D. Enrique Garcia Asensio, no Auditório Nacional de Música de Madri, a orquestra se apresentou para um concerto solidário com a finalidade de adquirir uma Unidade Móvel Sanitária, que atendesse a necessidades de 3.600 pessoas que se encontram espalhadas em pequenos povoados entre as montanhas andinas de Huancavelica (Peru).
A música apresentada foi La Boda de Luis Alonso, composta por Gerónimo Gimenez..

A Solista:

Lucero Tena é uma bailarina de flamenco de origem mexicana , que reside na Espanha desde 1958. Integrou a companhia de Carmen Amaya e posteriormente criou seu próprio grupo de dança flamenca. Além de excepcional bailarina, é também uma extraordinária executante de castanholas na interpretação de obras clássicas.
É professora daquele instrumento no Conservatório de Madri.
A arte de tocar castanholas de Lucero Tena é bastante notável. É sabido que o instrumento tem uma longa história e é derivado do “crotales” do mundo antigo. Chegou a ter um lugar especial na dança espanhola popular e clássica. Alguns dançarinos se destacaram por sua habilidade em tocar as castanholas, mas nenhum deles tornou esta arte em si, um meio de expressão estética. Lucero Tena se destaca por isso e por demonstrar sensibilidade rítmica, equilíbrio das variadas sonoridades possíveis, e domínio original do instrumento.
Vários músicos já compuseram para essa grande artista, incluindo Joaquín Rodrigo, que em 1966 compôs e dedicou a ela duas danças espanholas. No decorrer de uma distinta carreira Lucero Tena tem aparecido em salas de concertos em todo o mundo. Ela também se apresenta em recitais com acompanhamento de violão ou piano.

Aprecie esse grande espetáculo, clicando na imagem acima ou aqui.

Fontes: Youtube, Wikipédia, Vozes Para a Paz, Naxos

Líria Porto



passarela

tão leves quais borboletas
tão claras da cor da palha
parecem-se às folhas secas
que o vento espalha


voam perto dos meus olhos
conseguem m'impressionar
mulheres estas mulheres
sexo forte

sexo (fr)ágil?

© líria porto
Belo Horizonte (MG) – Brasil

Conheça a arte de líria porto visitando-a em tanto mar

quarta-feira, 3 de março de 2010

Jorge Humberto



Ah, Dêem-me Rosas!

Quis Deus que eu fosse esta fraca figura,
Que não tivesse nem terras nem empresas,
E deu-me por espinhos excessiva ternura
Com que visto as minhas muitas incertezas.

E o sono vem sempre tarde por esta altura,
Quando a partilha é solidão e reais certezas...
E o vetusto caminho, de minha candura,
É uma paisagem vazia de mãos ilesas.

Assim sou dois, o que quer e o que rejeita.
E revolta-se-me o coração, a toda a hora porvir,
A vida e com ela o amor que me enjeita.

Ah, dêem-me rosas, e um mar de calma!
Brancos braços de mulher onde dormir,
O meu desassossego, a minha alma!

07/08/2003
© Jorge Humberto
Lisboa - Portugal

Leia mais poemas de Jorge Humberto clicando aqui

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Jantar Para Um - Comédia



Uma aristocrata senhora inglesa (atriz May Warden) quer comemorar seu 90 º aniversário com os amigos de sempre: Sir Toby, o Almirante von Schneider, Sir Pommeroy e Sir Winterbottom; mas eles já estão mortos. Então, seu mordomo (ator Freddie Frinton), se faz passar por aquelas pessoas. Só não descrevo o que acontece, para não tirar a comicidade da cena.
A cada prato servido, ele pergunta à senhora: O mesmo procedimento do ano passado, Miss Sophie? E ela então responde: Como todos os anos, James! O comportamento fleumático da velha senhora não nos deixa imaginar o final da cena, sugerido pelo fino humor inglês.
O vídeo está em inglês e as legendas em francês, o que não impede o seu entendimento até para os que não dominam os citados idiomas. Agradeço à querida amiga Astir pelo envio deste vídeo. É só clicar na imagem acima, ajustar em tela cheia e se acabar de rir.

Apenas a título de curiosidade: Esta sátira se tornou muito famosa na Alemanha, desde sua primeira divulgação. A cada ano, véspera de Ano Novo, ela é transmitida na TV em quase todos os canais do país.
Até hoje não foi lançada nos EUA e, na Suécia, sua exibição está proibida por causa do abuso de álcool. Também é bem conhecida na Áustria, Dinamarca e Noruega.
No filme francês Le Père Noël Est Une Ordure (Papai Noel É Um Lixo, no Brasil), adaptado de uma peça teatral, em 1982, por Jean-Marie Poiré, há uma cena semelhante a este jantar.

Fonte: Dailymotion

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Murilo Mendes



Pré-história

Mamãe vestida de rendas
Tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som,
Equilibrou-se no azul,
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém!
Caiu no álbum de retratos.

Murilo Monteiro Mendes
Juiz de Fora (MG) – Brasil


Para saber mais sobre Murilo Mendes, clique nos links abaixo;

Wikipedia
ArtCulturalBrasil
Jornal de Poesia

Ciducha



Vieste!

Chegaste novamente,
como um sonho bom,
arrebatador.
Chegaste mansamente,
como um sonho bom,
reparador.

Tomaste num ato
o que restou de mim
lépido e gaiato,
apagaste do meu sono
o meu jeito de fim.

Com um gesto ameno,
arrumaste meus delírios,
recobraste, sereno,
o novo jeito de mim.

Maria Aparecida Seefelder
© Ciducha
São Paulo (SP) – Brasil

Conheça mais poemas de Ciducha clicando aqui.