domingo, 21 de março de 2010

Dia Internacional da Poesia



Versos

Versos! Versos! Sei lá o que são versos...

Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma...

Versos!... Sei lá! Um verso é o teu olhar,
Um verso é o teu sorriso e os de Dante
Eram o teu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!... Sei eu lá também que são...
Sei lá! Sei lá!... Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez...

Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês...

(Florbela Espanca in "A Mensageira das Violetas")

A minha homenagem aos amantes da Poesia.

Gabriel Pensador

Recados para orkut
Racismo É Burrice

Composição: Gabriel O Pensador

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar
"Racismo, preconceito e discriminação em geral;
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral
Racismo é burrice
Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral
Racismo é burrice
Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral
Racismo é burrice
O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Racismo é burrice
E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.
Se você quiser assistir ao Gabriel Pensador, cantando esta composição é só clicar aqui.

sábado, 20 de março de 2010

Ana Carolina e Zizi Possi

Para apreciar o vídeo, acione a pausa na playlist do layout lateral

Ruas de Outono

Composição: Ana Carolina / Antonio Villeroy

Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo o abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Cecília Meireles



Cantiga Outonal

Outono. As árvores pensando...
Tristezas mórbidas no mar...
O vento passa, brando... brando...
E sinto medo, susto, quando
escuto o vento assim passar...

Outono. Eu tenho a alma coberta
de folhas mortas, em que o luar
chora, alta noite, na deserta
quietude triste da hora incerta
que cai do tempo, devagar...

Outono. E quando o vento agita,
agita os galhos negros, no ar,
minha alma sofre e põe-se aflita,
na inconsolável, na infinita
pena de ter de se esfolhar...

(In Palavras e Pétalas)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Scenarium, Feliz Aniversário!

Amigos leitores e seguidores do Scenarium,

Estamos completando, nesta data, um ano de vida virtual. Lançado para ser mais um palco do site Cenário de Sentimentos, este blog ganhou vida própria e caminha independentemente de seu cenário principal.
Apesar de suas postagens iniciais estarem com datas anteriores à data de hoje, ele foi efetivamente lançado ao público no Dia Internacional da Mulher, com uma homenagem a algumas mulheres e suas respectivas artes.
Agradeço a todos que nos prestigiam com visitas, recadinhos, indicações e sugestões.
Que possamos comemorar muitos anos de emoção e arte!
Meu carinho e meus aplausos a todos,
Marise Ribeiro

Parabéns, Mulheres!

Eliane F. C. Lima



Que oito de março, que nada!

Para ser homem de verdade,
sem abrir mão da vaidade,
há que ter fé e firmeza.

Para ser homem, nesta vida,
ignorar a ferida,
esquecer sempre a tristeza.

Para ser homem, homem mesmo,
seguir reto, nunca a esmo,
sentir-se fraco, jamais!

Para ser homem de fato,
ser agressivo ou ter tato,
mas construir sempre a paz.

Para ser homem verdadeiro,
ter um caminho primeiro
e ir mesmo aonde não der.

Esse homem, guia, facho,
peço desculpas, caro macho,
esse homem... é uma mulher!

(23/02/97 – registrado no EDA-RJ)

© Eliane F.C. Lima
Rio de Janeiro (RJ) – Brasil

Visite a arte de Eliane Lima nos seguintes espaços:

Conto-gotas
Literatura em Vida 2
Poema Vivo

domingo, 7 de março de 2010

Voces para la Paz e Lucero Tena



A Orquestra:

Vozes para a Paz (Músicos Solidários), fundada em 1998 por Juan Carlos Arnanz Villalta, como uma associação independente de ajuda humanitária e sem fins lucrativos, é composta por mais de 300 músicos profissionais, que pertencem a importantes orquestras (Orquestra e Coro Nacional de Espanha, Orquestra e Coro da RTVE, Orquestra e Coro da Sinfônica de Madri, Orquestra e Coro da Comunidade de Madri, Banda Sinfônica Municipal de Madri, Coro do Teatro Nacional da Zarzuela, etc) e várias pessoas vinculadas ao mundo da música.

Eles têm como objetivo apresentar concertos de solidariedade, arrecadando fundos e conseguindo apoios para projetos que auxiliem e protejam os mais necessitados.

Para “Vozes para a Paz”, música, amor e justiça são a mesma coisa.

O Concerto:

Em 10 de junho de 2007, sob a batuta do maestro D. Enrique Garcia Asensio, no Auditório Nacional de Música de Madri, a orquestra se apresentou para um concerto solidário com a finalidade de adquirir uma Unidade Móvel Sanitária, que atendesse a necessidades de 3.600 pessoas que se encontram espalhadas em pequenos povoados entre as montanhas andinas de Huancavelica (Peru).
A música apresentada foi La Boda de Luis Alonso, composta por Gerónimo Gimenez..

A Solista:

Lucero Tena é uma bailarina de flamenco de origem mexicana , que reside na Espanha desde 1958. Integrou a companhia de Carmen Amaya e posteriormente criou seu próprio grupo de dança flamenca. Além de excepcional bailarina, é também uma extraordinária executante de castanholas na interpretação de obras clássicas.
É professora daquele instrumento no Conservatório de Madri.
A arte de tocar castanholas de Lucero Tena é bastante notável. É sabido que o instrumento tem uma longa história e é derivado do “crotales” do mundo antigo. Chegou a ter um lugar especial na dança espanhola popular e clássica. Alguns dançarinos se destacaram por sua habilidade em tocar as castanholas, mas nenhum deles tornou esta arte em si, um meio de expressão estética. Lucero Tena se destaca por isso e por demonstrar sensibilidade rítmica, equilíbrio das variadas sonoridades possíveis, e domínio original do instrumento.
Vários músicos já compuseram para essa grande artista, incluindo Joaquín Rodrigo, que em 1966 compôs e dedicou a ela duas danças espanholas. No decorrer de uma distinta carreira Lucero Tena tem aparecido em salas de concertos em todo o mundo. Ela também se apresenta em recitais com acompanhamento de violão ou piano.

Aprecie esse grande espetáculo, clicando na imagem acima ou aqui.

Fontes: Youtube, Wikipédia, Vozes Para a Paz, Naxos

Líria Porto



passarela

tão leves quais borboletas
tão claras da cor da palha
parecem-se às folhas secas
que o vento espalha


voam perto dos meus olhos
conseguem m'impressionar
mulheres estas mulheres
sexo forte

sexo (fr)ágil?

© líria porto
Belo Horizonte (MG) – Brasil

Conheça a arte de líria porto visitando-a em tanto mar

quarta-feira, 3 de março de 2010

Jorge Humberto



Ah, Dêem-me Rosas!

Quis Deus que eu fosse esta fraca figura,
Que não tivesse nem terras nem empresas,
E deu-me por espinhos excessiva ternura
Com que visto as minhas muitas incertezas.

E o sono vem sempre tarde por esta altura,
Quando a partilha é solidão e reais certezas...
E o vetusto caminho, de minha candura,
É uma paisagem vazia de mãos ilesas.

Assim sou dois, o que quer e o que rejeita.
E revolta-se-me o coração, a toda a hora porvir,
A vida e com ela o amor que me enjeita.

Ah, dêem-me rosas, e um mar de calma!
Brancos braços de mulher onde dormir,
O meu desassossego, a minha alma!

07/08/2003
© Jorge Humberto
Lisboa - Portugal

Leia mais poemas de Jorge Humberto clicando aqui

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Jantar Para Um - Comédia



Uma aristocrata senhora inglesa (atriz May Warden) quer comemorar seu 90 º aniversário com os amigos de sempre: Sir Toby, o Almirante von Schneider, Sir Pommeroy e Sir Winterbottom; mas eles já estão mortos. Então, seu mordomo (ator Freddie Frinton), se faz passar por aquelas pessoas. Só não descrevo o que acontece, para não tirar a comicidade da cena.
A cada prato servido, ele pergunta à senhora: O mesmo procedimento do ano passado, Miss Sophie? E ela então responde: Como todos os anos, James! O comportamento fleumático da velha senhora não nos deixa imaginar o final da cena, sugerido pelo fino humor inglês.
O vídeo está em inglês e as legendas em francês, o que não impede o seu entendimento até para os que não dominam os citados idiomas. Agradeço à querida amiga Astir pelo envio deste vídeo. É só clicar na imagem acima, ajustar em tela cheia e se acabar de rir.

Apenas a título de curiosidade: Esta sátira se tornou muito famosa na Alemanha, desde sua primeira divulgação. A cada ano, véspera de Ano Novo, ela é transmitida na TV em quase todos os canais do país.
Até hoje não foi lançada nos EUA e, na Suécia, sua exibição está proibida por causa do abuso de álcool. Também é bem conhecida na Áustria, Dinamarca e Noruega.
No filme francês Le Père Noël Est Une Ordure (Papai Noel É Um Lixo, no Brasil), adaptado de uma peça teatral, em 1982, por Jean-Marie Poiré, há uma cena semelhante a este jantar.

Fonte: Dailymotion

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Murilo Mendes



Pré-história

Mamãe vestida de rendas
Tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som,
Equilibrou-se no azul,
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém!
Caiu no álbum de retratos.

Murilo Monteiro Mendes
Juiz de Fora (MG) – Brasil


Para saber mais sobre Murilo Mendes, clique nos links abaixo;

Wikipedia
ArtCulturalBrasil
Jornal de Poesia

Ciducha



Vieste!

Chegaste novamente,
como um sonho bom,
arrebatador.
Chegaste mansamente,
como um sonho bom,
reparador.

Tomaste num ato
o que restou de mim
lépido e gaiato,
apagaste do meu sono
o meu jeito de fim.

Com um gesto ameno,
arrumaste meus delírios,
recobraste, sereno,
o novo jeito de mim.

Maria Aparecida Seefelder
© Ciducha
São Paulo (SP) – Brasil

Conheça mais poemas de Ciducha clicando aqui.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Martha Medeiros



Amigos leitores e seguidores do Scenarium, volto a me dedicar a este espaço, depois de um período de descanso.
Agradeço a todos que aqui estiveram apenas nos visitando ou deixando seus comentários. Aproveitei para consertar alguns links que haviam se agrupado, e caso algo mais for encontrado fora dos trilhos será ajeitado na medida do possível.
Deixo com vocês uma bela crônica da Martha Medeiros, que a mim diz muito, muito mesmo!


A nova minoria

É um grupo formado por poucos integrantes. Acredito que hoje estejam até em menor número do que a comunidade indígena, que se tornou minoria por força da dizimação de suas tribos. A minoria a que me refiro também está sendo exterminada do planeta, e pouca gente tem se dado conta. Me refiro aos sensatos.
A comunidade dos sensatos nunca se organizou formalmente. Seus antepassados acasalaram-se com insensatos, e geraram filhos e netos e bisnetos mistos, o que poderia ser considerada uma bem-vinda diversidade cultural, mas não resultou em grande coisa. Os seres mistos seguiram procriando com outros insensatos, até que a insensatez passou a ser o gene dominante da raça. Restaram poucos sensatos puros.
Reconhecê-los não é difícil. Eles costumam ser objetivos em suas conversas, dizendo claramente o que pensam e baseando seus argumentos no raro e desprestigiado bom senso. Analisam as situações por mais de um ângulo antes de se posicionarem. Tomam decisões justas, mesmo que para isso tenham que ferir suscetibilidades. Não se comovem com os exageros e delírios de seus pares, preferindo manter-se do lado da razão. Serão pessoas frias? É o que dizem deles, mas ninguém imagina como sofrem intimamente por não serem compreendidos.
O sensato age de forma óbvia. Ele conhece o caminho mais curto para fazer as coisas acontecerem, mas as coisas só acontecem quando há um empenho conjunto. Sozinho ele não pode fazer nada contra a avassaladora reação dos que, diferentemente dele, dedicam suas vidas a complicar tudo. Para muita gente, a simplicidade é sempre suspeita, vá entender.
O sensato obedece regras ancestrais, como, por exemplo, dar valor ao que é emocional e desprezar o que é mesquinho. Ele não ocupa o tempo dos outros com fofocas maldosas e de origem incerta. Ele não concorda com muita coisa que lê e ouve por aí, mas nem por isso exercita o espírito de porco agredindo pessoas que não conhece. Se é impelido a se manifestar, defende sua posição com ideias, sem precisar usar o recurso da violência.
O sensato privilegia tudo o que possui conteúdo, pois está de acordo com a máxima que diz que a vida é muito curta para ser pequena. Sendo assim, ele faz valer o seu tempo. Não tem paciência para os que são regidos pela vaidade e não dizem nada que preste. Constrange-se de testemunhar o vazio da banalidade sendo passado de geração para geração.
Ouvi de um sensato, dia desses: “Perdi minha turma. Eu convivia com pessoas criativas, que falavam a minha língua, que prezavam a liberdade, pessoas antenadas que não perdiam tempo com mediocridades. A gente se dispersou.” Ele parecia um índio.
Mesmo com poucas chances de sobrevivência, que se morra em combate. Sensatos, resistam.

Revista O Globo – 31/01/10

sábado, 19 de dezembro de 2009

Comunicado

Estou entrando de férias, mas as cortinas do palco Scenarium permanecerão abertas para sua apreciação.
Obrigada pela companhia no decorrer deste ano, e que em 2010 continuemos juntos neste palco de emoções.
Até a volta!
Marise Ribeiro

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Chico Buarque de Hollanda



Ano Novo

O rei chegou
E já mandou tocar os sinos
Na cidade inteira
É pra cantar os hinos
Hastear bandeiras
E eu que sou menino
Muito obediente
Estava indiferente
Logo me comovo
Pra ficar contente
Porque é Ano Novo

Há muito tempo
Que essa minha gente
Vai vivendo a muque
É o mesmo batente
É o mesmo batuque
Já ficou descrente
É sempre o mesmo truque
E que já viu de pé
O mesmo velho ovo
Hoje fica contente
Porque é Ano Novo

A minha nega me pediu um vestido

Novo e colorido
Pra comemorar
Eu disse:
Finja que não está descalça
Dance alguma valsa
Quero ser seu par
E ao meu amigo que não vê mais graça
Todo ano que passa
Só lhe faz chorar
Eu disse:
Homem, tenha seu orgulho
Não faça barulho
O rei não vai gostar

E quem for cego veja de repente
Todo o azul da vida
Quem estiver doente
Saia na corrida
Quem tiver presente
Traga o mais vistoso
Quem tiver juízo
Fique bem ditoso
Quem tiver sorriso
Fique lá na frente
Pois vendo valente
E tão leal seu povo
O rei fica contente
Porque é Ano Novo

José Antonio Jacob



Soneto de Natal

Essa mulher, que sonha, sofre e chora,
E o escasso seio estende, e o acaricia,
Ao filho magro, que seu leite implora,
Podia se chamar Virgem Maria.

O que lhe importa se essa noite é fria
E além da porta é Natal lá fora,
Se Jesus Cristo nasce todo dia
E está dormindo no seu colo agora?

Ela é Nossa Senhora da Pureza,
Cuida da nossa vida de pobreza
E ora por nós que somos filhos seus...

Essa Mulher, que sonha, sofre e chora,
Só pode ser então Nossa Senhora,
A Mãe de todos nós... A Mãe de Deus!

© José Antonio Jacob
Juiz de Fora (MG) – Brasil

Conheça mais poesias de José Antonio Jacob, visitando sua página no ArtCulturalBrasil

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mensagem

Aquecimento global

Quando você senti-lo, já será tarde demais.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Auta de Souza



Natal
às moças da Serra

É meia noite... O sino alvissareiro,

Lá da igrejinha branca pendurado,
Como n’um sonho místico e fagueiro,
Vem relembrar o tempo do passado.

Ó velho sino, ó bronze abençoado,

Na alegria e na mágoa companheiro!
Tu me recordas o sorrir primeiro
De menino Jesus imaculado.

E enquanto escuto a tua voz dolente,

Meu ser que geme dolorosamente
Da desventura, aos gélidos açoites...

Bebe em teus sons tanta alegria, tanta!

Sino que lembras uma noite santa,
Noite bendita mais que as outras noites!

Auta de Souza
Macaíba (RN) – Brasil

Conheça a obra de Auta de Souza clicando aqui.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fluminense, Eterno Amor!



Se este é o palco onde divulgo tudo aquilo que me emociona ou me encanta, então não poderia faltar a minha paixão pelo Fluminense.
Tivemos um ano sofrido, mas a demonstração de amor e de esperança da nossa linda e pacífica torcida, somada à garra dos jogadores, deu-nos ao final do Campeonato Brasileiro um sabor de vitória. Para os matemáticos, o nosso descenso à Série B já estava sacramentado em números, só que eles se esqueceram de contabilizar o que estava nos corações dos torcedores e do time tricolor: a paixão, a esperança e a garra.
Selecionei cinco momentos de emoção, envolvendo ilustres tricolores de coração e a torcida do Flu.

1-) O texto abaixo foi escrito por Artur da Távola e traduz, perfeitamente, o sentimento do que é ser Fluminense.


“Ser Fluminense
Ser Fluminense é entender esporte como bom gosto. É ser leal sem ser boboca e ser limpo sem ser ingênuo.
Ser Fluminense é aplicar o senso estético à vida e misturar as cores de modo certo, dosar a largura do grená, a profundidade do verde com as planuras do branco.
Ser Fluminense é saber pensar ao lado de sentir e emocionar-se com dignidade e discrição. É guardar modéstia, a disfarçar decisão, vontade e determinação. É calar o orgulho sem o perder. É reconhecer a qualidade alheia, aprimorando-se até suplantá-la.
Ser Fluminense não é ser melhor, mas ser certo. Não é vencer a qualquer preço, mas vencer-se primeiro para ser vitorioso depois. É não perder a capacidade de admirar e de (se) colocar metas sempre mais altas, aprimorando-se na busca! E jamais perder a esperança até o minuto final.
Ser Fluminense é gostar de talento, honradez, equilíbrio, limpeza, poesia, trabalho, paz, construção, justiça, criatividade, coragem serena e serenidade decidida.
Ser Fluminense é rejeitar abuso, humilhação, manha, soslaio, sorrateiros, desleais, temerosos, pretensão, soberba, tocaia, solércia, arrogância, suborno ou hipocrisia. É pelejar, tentar, ousar, crescer, descobrir-se, viver, saber, vislumbrar, ter curiosidade e construir.
Ser Fluminense é unir caráter com decisão, sentimento com ação, razão com justiça, vontade com sonho, percepção com fé, agudeza com profundidade, alegria com ser, fazer com construir, esperar com obter. É ter os olhos limpos, sem despeito, e claro como a esperança.
Ser Fluminense, enfim, é descobrir o melhor de cada um, para reparti-lo com os demais e saber a cada dia, amanhecer melhor, feliz pelo milagre da vida como prodígio de compreensão e trabalho, para construir o mundo de todos e de cada um, mundo no qual tremulará a bandeira tricolor. (Artur da Távola)”

2-) Aproveite para assistir também à interpretação do jornalista-tricolor Pedro Bial, para alguns trechos do texto de Távola, clicando aqui.


3-) O fragmento abaixo, pinçado do artigo Um Tricolor em Roma, de Chico Buarque, escrito para O Pasquim, em 1969, ocasião em que ele se encontrava exilado naquela cidade, tornou-se uma peça de orgulho para todos os tricolores. Caso queira ler o texto na íntegra é só clicar aqui.

"É muito fácil ser rubro-negro, fácil demais! É como ser a favor do sol no meio do deserto, ou comemorar o Dia da Árvore no coração da Amazônia. Aliás, nunca existiu um flamenguista. Flamengar é verbo imperfeito que só se conjuga no plural. Por exemplo: Eu advogo, tu bates o ponto, ele mata mosquito; nós flamengamos, vós flamengais, eles flamengam. Mas torcer pelo Fluminense, modéstia à parte, requer outros talentos. Precisa saber dançar sem batucada. O tricolor chora e ri sem ninguém por perto. Sua luz vem de dentro! É habituado com alegrias choradas e gols no finalzinho, de pé, mão, barriga, bunda e nariz, sem esse papo de maioria ou de mais querido. Afinal, o amor sincero não se discute." (Chico Buarque de Hollanda)


4-) Clicando aqui, você pode apreciar os vários mosaicos criados pela torcida tricolor e copiados pelas outras torcidas.


5-) E para fechar esta homenagem ao meu querido time, apreciem o Hino do Fluminense, executado ao piano, pelo ilustre tricolor e maestro Arthur Moreira Lima. É só clicar aqui.

Saudações Tricolores!