terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fluminense, Eterno Amor!



Se este é o palco onde divulgo tudo aquilo que me emociona ou me encanta, então não poderia faltar a minha paixão pelo Fluminense.
Tivemos um ano sofrido, mas a demonstração de amor e de esperança da nossa linda e pacífica torcida, somada à garra dos jogadores, deu-nos ao final do Campeonato Brasileiro um sabor de vitória. Para os matemáticos, o nosso descenso à Série B já estava sacramentado em números, só que eles se esqueceram de contabilizar o que estava nos corações dos torcedores e do time tricolor: a paixão, a esperança e a garra.
Selecionei cinco momentos de emoção, envolvendo ilustres tricolores de coração e a torcida do Flu.

1-) O texto abaixo foi escrito por Artur da Távola e traduz, perfeitamente, o sentimento do que é ser Fluminense.


“Ser Fluminense
Ser Fluminense é entender esporte como bom gosto. É ser leal sem ser boboca e ser limpo sem ser ingênuo.
Ser Fluminense é aplicar o senso estético à vida e misturar as cores de modo certo, dosar a largura do grená, a profundidade do verde com as planuras do branco.
Ser Fluminense é saber pensar ao lado de sentir e emocionar-se com dignidade e discrição. É guardar modéstia, a disfarçar decisão, vontade e determinação. É calar o orgulho sem o perder. É reconhecer a qualidade alheia, aprimorando-se até suplantá-la.
Ser Fluminense não é ser melhor, mas ser certo. Não é vencer a qualquer preço, mas vencer-se primeiro para ser vitorioso depois. É não perder a capacidade de admirar e de (se) colocar metas sempre mais altas, aprimorando-se na busca! E jamais perder a esperança até o minuto final.
Ser Fluminense é gostar de talento, honradez, equilíbrio, limpeza, poesia, trabalho, paz, construção, justiça, criatividade, coragem serena e serenidade decidida.
Ser Fluminense é rejeitar abuso, humilhação, manha, soslaio, sorrateiros, desleais, temerosos, pretensão, soberba, tocaia, solércia, arrogância, suborno ou hipocrisia. É pelejar, tentar, ousar, crescer, descobrir-se, viver, saber, vislumbrar, ter curiosidade e construir.
Ser Fluminense é unir caráter com decisão, sentimento com ação, razão com justiça, vontade com sonho, percepção com fé, agudeza com profundidade, alegria com ser, fazer com construir, esperar com obter. É ter os olhos limpos, sem despeito, e claro como a esperança.
Ser Fluminense, enfim, é descobrir o melhor de cada um, para reparti-lo com os demais e saber a cada dia, amanhecer melhor, feliz pelo milagre da vida como prodígio de compreensão e trabalho, para construir o mundo de todos e de cada um, mundo no qual tremulará a bandeira tricolor. (Artur da Távola)”

2-) Aproveite para assistir também à interpretação do jornalista-tricolor Pedro Bial, para alguns trechos do texto de Távola, clicando aqui.


3-) O fragmento abaixo, pinçado do artigo Um Tricolor em Roma, de Chico Buarque, escrito para O Pasquim, em 1969, ocasião em que ele se encontrava exilado naquela cidade, tornou-se uma peça de orgulho para todos os tricolores. Caso queira ler o texto na íntegra é só clicar aqui.

"É muito fácil ser rubro-negro, fácil demais! É como ser a favor do sol no meio do deserto, ou comemorar o Dia da Árvore no coração da Amazônia. Aliás, nunca existiu um flamenguista. Flamengar é verbo imperfeito que só se conjuga no plural. Por exemplo: Eu advogo, tu bates o ponto, ele mata mosquito; nós flamengamos, vós flamengais, eles flamengam. Mas torcer pelo Fluminense, modéstia à parte, requer outros talentos. Precisa saber dançar sem batucada. O tricolor chora e ri sem ninguém por perto. Sua luz vem de dentro! É habituado com alegrias choradas e gols no finalzinho, de pé, mão, barriga, bunda e nariz, sem esse papo de maioria ou de mais querido. Afinal, o amor sincero não se discute." (Chico Buarque de Hollanda)


4-) Clicando aqui, você pode apreciar os vários mosaicos criados pela torcida tricolor e copiados pelas outras torcidas.


5-) E para fechar esta homenagem ao meu querido time, apreciem o Hino do Fluminense, executado ao piano, pelo ilustre tricolor e maestro Arthur Moreira Lima. É só clicar aqui.

Saudações Tricolores!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ligia Tomarchio



Cordilheira

Cordilheira
cadeia de rancores
trinca
escolhe o caminho.
Descoberto o vento

retrai tédios
parte-se
e parte.
Caminha

apesar do sangue a escorrer
chora copiosa
esquecida.
Cala

nega
quão doloroso retorno
-Será a guerra?
O deserto a encobre

ausente de oásis
dunas se formam
ondulando as esfinges.
O Oráculo da Morte

sentencia:
- Cordilheira em transe
esperas a eternidade?

Ligi@Tomarchio®

São Paulo (SP) – Brasil

Conheça mais poemas de Ligia visitando-a em Ligia Tomarchio Home Page.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Kseniya Simonova

Kseniya Simonova, uma artista performática de 24 anos, criou numa mesa iluminada, uma série de imagens desenhadas com areia, onde mostrava como as pessoas comuns foram afetadas pela invasão alemã, durante a Segunda Guerra Mundial.

As imagens, projetadas em uma tela grande, levaram algumas pessoas da platéia às lágrimas, tornando-a ganhadora da versão ucraniana do Britain's Got Talent.

Ela começa desenhando, sob um céu estrelado, um casal de mãos dadas sentados em um banco, logo depois aviões aparecem e a cena feliz é apagada. Aquela cena é substituída pelo rosto de uma mulher chorando, um bebê chega e a mulher sorri novamente. Simonova retorna mais uma vez à guerra, lançando areia no caos, rostos horrorizados, e a mulher surgindo com uma carta para um soldado.

A viuvez e o rosto enrugado e triste da mesma mulher se transformam em um monumento ao Soldado Desconhecido. Na cena final, mais uma família dizendo adeus a um soldado.

A Grande Guerra Patriótica, como é chamada a 2ª Guerra na Ucrânia, resultou na morte de 8 milhões de pessoas, ou seja, um quarto de sua população.

Assista ao vídeo acima, já acessado por dois milhões de usuários. Não se esqueça de dar pausa na playlist.

Veja também a mesma técnica desenvolvida por Ilana Yahav

domingo, 22 de novembro de 2009

Elisa Santos




Vazio Cálix

Em mãos... O cálix vazio em brinde!
Sorvido o vinho... Saciado o corpo,
Ficou a sede, nos lábios tremulam
As palavras que se perderam na volúpia

Nas asas da paixão, rubra e borbulhante
Mergulhou a alma e o gosto amargo
Tomou-me o corpo que em agonia
Vive à revelia da morte que chegou

Ontem verso vivo, hoje
Faço-me reverso e acompanho-me
Em brinde ao abandono que invisível
Enche o cálix nas noites sem amor!

© Elisa Santos
Rio de Janeiro (RJ) – Brasil

Conheça a sensibilidade de Elisa Santos visitando-a no Recanto das Letras

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Mensagem - Everything by Lifehouse


Assistam à performance teatral da música Everything, da banda americana Lifehouse.
Não se esqueçam de acionar a pausa na play list do blog.

Edson Carlos Contar



Roda-Viva

Passa o tempo, passa o vento,
Passa a vida, passa o grito,
Passa a raiva.
E num passe, num transpasse,
Passas triste e eu não passo...

Muda a muda, muda o mundo,
Eu, inerte, chão imundo,
Muda a música, muda a dança,
E a mudança muda a gente,
E no passo de um compasso,
Muda o passo do passado,
Passas triste e eu não passo...

© Edson Carlos Contar
Campo Grande (MS) – Brasil


Conheça mais poemas do Edson clicando aqui.

domingo, 15 de novembro de 2009

O Semeador de Estrelas - Morfai



A estátua desta imagem encontra-se em Kaunas, na Lituânia e retrata um camponês. Recebeu o nome de Seeder (O Semeador) e seria mais uma simples estátua se um artista não tivesse usado sua sensibilidade e a transformado numa linda poesia visual.
Apreciem a imagem seguinte, quando anoitece.



Na verdade, as estrelas são um grafite (forma de expressão da arte urbana) criadas pelo artista Morfai. Ele estudou o que iria desenhar e gravou tudo em um vídeo que você pode ver aqui. O vídeo e todas as diversas obras de Morfai estão disponíveis em seu blog.
Para melhor visualização do efeito é só clicar nas imagens.

Paulo Maurício G. Silva



A Esperada

Antes que chegue enfim, a mulher esperada,

flores eu cantarei desfiando em cada canto,
a vagarosa luz de um crepúsculo santo
ainda na cortina alta, lisa, parada...

Colocarei na branca sala iluminada

um arranjo floral de lírios e amaranto,
a lua a pendurar o transparente manto
na porta silenciosa, antiga, entrecerrada.

E na hora escura, quando brilharem as tiaras

de um abajur azul de finas sedas claras
e claras fímbrias a pestanejarem luz

porei também, na minha alcova desolada,

um púlpito com uma página sagrada,
e duas rimas acesas numa mesma cruz...

© Paulo Maurício G. Silva
Teresópolis (RJ) – Brasil

Conheça a poesia de Paulo Maurício fazendo o download de seus e-books:
Mystical Rose


Suavidad

Um Beijo de Estrelas

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Eliane Couto Triska



Sobre o amor

Amo-te nas perenes primaveras,
No estio dos setembros repetidos,
Nas letras comungando com as esperas
Dos livros - os penhores nunca lidos.

No balé dos meus sonhos te adiantas
Te dando à inocência... Tudo em vão!
Meu corpo, o repasto... e tu jantas
E encontras o pulsar de um coração

Amo-te como o sol beija na testa,
A semente a eclodir no solo bruto.
Céu-risos, o perfume, o ar em festa
Da terra chora o útero em luto.

Já chega o junho, amor... Já é tão tarde!
Se fiel ao amor?... Nem sei se o tenho!
Nem sei se é própria a dor do amor que invade
O amor ou se é igual a que eu contenho.

Amo-te, nos lamentos outonais.
É meia noite... Ah! inquietações
E, em tua boca doce... Quero mais!
E durmo, arquitetando ilusões.

Que importam meus cantos solitários
- Se, um a um, a cega pauta tomba -
Darem vozes aos tempos libertários,
Se afogam-se à noite. Grande onda!

Amo-te qual farrapo e descrente.
Se descrente, o desejo só embriaga.
Eis-me à sede, à deriva e indigente,
Sem um chão, um cobertor. Dá-me água!

Amor, não vês? Sujeita ao teu domínio,
Afundo-me nos choros sem pudores.
Tu mentes! Pois se és filho do destino
Por que só dás a mim tuas próprias dores?

© Eliane Couto Triska
Canoas (RS) – Brasil

Visite a sensibilidade de Eliane Triska no Recanto das Letras

Gregório de Matos



Soneto

Um soneto começo em vosso gabo;
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.

Na quinta torce agora a porca o rabo:
A sexta vá também desta maneira,
Na sétima entro já com grã canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.

Agora nos tercetos que direi?
Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.

Nesta vida um soneto já ditei,
Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei.

Gregório de Matos e Guerra
(In Obras - Coleção Afrânio Peixoto, 1923-1930)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ópera Sansão e Dalila




As cenas da ópera Sansão e Dalila, que o Scenarium traz para vocês, foram apresentadas em 1981 no The San Francisco Opera. Com orquesta e coro do teatro de San Francisco, sob regência do maestro Julius Rudel, seu elenco principal era composto por Plácido Domingo, Shirley Verrett, Wolfgang Brendel, Kevin Langan e Arnold Woketaitis.

Uma outra encenação, que também se encontra aqui, foi apresentada no Palacio de Bellas Artes, no México, sob a regência do maestro Guido Maria Guida. Plácido Domingo também interpretava Sansão.

Para apreciarem os vídeos, não se esqueçam de dar pausa na play list musical do blog.

“Sansão e Dalila é uma ópera em três atos do compositor francês Camille Saint-Saëns, com libreto de Ferdinand Lemaire, baseado nos capítulos 13 a 16 do Livro dos Juízes da Bíblia. Estreou a 2 de dezembro de 1877 no Hoftheater de Weimar, na Alemanha.

Personagens
Sansão (guerreiro-chefe dos hebreus) – tenor
Dalila (sacerdotisa dos filisteus) – mezzo-soprano
Sumo Sacerdote de Dagom (Deus dos filisteus) – barítono
Abimeleque (Governador Provincial de Gaza – condena os hebreus por se negarem a aceitar Dagom como seu deus) - baixo

Sinopse

É a história de um homem que foi forte o suficiente para derrotar os inimigos de Israel, os filisteus, mas não o suficiente para resistir à malícia de uma mulher.

Ato I

A história se passa na Palestina entre os anos 1050 a.C. e 1000 a.C..
Uma praça pública em Gaza, junto à entrada do templo de Dagom.
Uma multidão de hebreus, homens e mulheres, choram sua derrota diante dos filisteus, e invocam a piedade do Deus de Israel. Entre eles está Sansão, que assume a liderança e os exorta a não perderem a fé nem a esperança. A princípio, a multidão parece desanimada e descrente, mas pouco a pouco Sansão consegue reacender neles a chama do fervor e da coragem. Chega Abimeleque, que insulta com grande insolência o povo hebreu e seu Deus: "Não vedes que vosso Deus permanece surdo aos vossos gritos? Ele que mostre seu poder, e venha quebrar vossas correias e vos dar a liberdade! Vosso Deus treme diante de Dagom, o maior dos deuses!" Os hebreus cantam um hino de desafio: Israël romps ta chaîne! O peuple, lève-toi! Abimeleque se precipita sobre Sansão com a espada na mão para feri-lo; Sansão, num golpe de arte marcial o lança ao chão e, pegando da espada, dá morte a Abimeleque ali mesmo.





Reina grande confusão, e os hebreus fogem seguindo Sansão. O Sumo Sacerdote de Dagom sai do templo, acompanhado de guardas e soldados, e se depara com o cadáver de Abimeleque. O sacerdote os incita a vingarem aquela morte e a exterminarem da face da terra os filhos de Israel, mas os filisteus são tomados de terror. Soldados filisteus carregam o corpo de Abimeleque. Um mensageiro palestino traz a notícia de que os israelitas, liderados por Sansão, causam devastação, terror e morte entre os filisteus. Alguns velhos hebreus reunidos na praça cantam um hino de louvor ao Deus de Israel. Sansão reaparece, acompanhado de alguns hebreus. As portas do templo de Dagon se abrem e surge Dalila acompanhada de lindas jovens palestinas que levam nas mãos buquês de flores e, com suaves cânticos, saúdam a chegada da primavera. Dalila começa a empregar suas armas de sedução, dirigindo-se a Sansão: Je viens célébrer la victoire, eu venho celebrar a vitória daquele que reina em meu coração. O ato termina com Dalila cantando uma ária com tal poder de sedução que é muito difícil pôr a culpa em Sansão - quem não se deixaria seduzir? - Printemps qui commence. A ária é plena de um lânguido sensualismo oriental, de forma que, ao terminar de ouvi-la, estamos totalmente embriagados.


Ato II

O vale de Sorec, na Palestina
Vê-se à esquerda a habitação de Dalila, com um ligeiro pórtico recoberto de verdejantes folhagens e plantas orientais. Sentada sobre uma rocha, deslumbrantemente vestida, Dalila parece pensativa. A orquestra toca uma música sensual, sugerindo odaliscas dançando nuas. Dalila se preocupa: será que Sansão virá? Será que eu vou poder seduzi-lo? Amour, viens aider ma faiblesse. O Sumo Sacerdote chega para conversar com Dalila. Eles cantam um longo dueto, exprimindo suas preocupações e ansiedades. Ambos estão interessados na destruição de Sansão. O sacerdote oferece à Dalila dinheiro para que ela descubra o segredo da força de Sansão. Ela diz a ele que não se preocupe: seu desejo de vingança já é mais que suficiente. O dueto termina num reverberante pacto de vingança: Unissons-nous tous deux! Mort au chef des hébreux! O sacerdote agora se afasta, para não ser surpreendido por Sansão que já vem chegando. Dalila o cobre de carícias numa ária de resplandecente beleza, Mon coeur s'ouvre à ta voix.





Na conversa com Sansão, porém, ela bate sempre na mesma tecla: "Tu não me amas de verdade, Sansão, porque se tu me amasses, tu me revelarias o segredo da tua força." Quando Sansão nasceu, seus pais fizeram uma promessa ao Deus de Israel: Sansão seria consagrado a Deus, seu cabelo jamais seria cortado. Sansão não pode revelar este segredo a ninguém. O que começou num terno diálogo de amor termina numa discussão violenta: Dalila pede a Sansão que saia de sua presença e não volte mais. Sansão hesita. Voltando-se para Dalila, ele acaba lhe revelando o segredo fatal. Os dois entram na casa. A tempestade, o trovão e o relâmpago açoitam com fúria aquela casa. Assim que Sansão adormece, Dalila abre a janela e acena para uns soldados filisteus que se escondiam na moita. Sansão grita: Trahison!

Ato III
Cena 1

Uma prisão em Gaza
Cortaram os cabelos de Sansão, o cegaram e o acorrentaram. Nós o vemos atado a uma manivela que move a pedra de um moinho. Ouve-se uma música triste, fúnebre, pesada e angustiada. Vois ma misère, hélas! Vois ma détresse! geme Sansão. Lá fora, ouve-se o coro dos hebreus escravizados, que o recriminam sem parar. Na verdade, é a própria consciência de Sansão que o atormenta.






Cena 2

Interior do templo de Dagom
No interior do templo, vê-se uma estátua do deus, semelhante a um peixe, e a mesa dos sacrifícios. No meio do santuário, duas colunas de mármore parecem sustentar todo o edifício. Vemos o Sumo Sacerdote de Dagon circundado de príncipes filisteus e Dalila junto com jovens palestinas coroadas de flores e com taças na mão. O templo está cheio de gente. Cantam um hino em homenagem a Dagon e depois vem o Bacanal, uma peça orquestral muito excitante, um balé em homenagem ao deus dos filisteus. Sansão entra, conduzido por um garoto. A humilhação de Sansão é o ponto alto do espetáculo; Dalila e o Sumo Sacerdote zombam dele. O sacerdote ordena ao garoto que conduza Sansão para o centro do templo, para que todo o povo possa vê-lo. Apoiando-se nas colunas do templo, Sansão faz uma prece ao Deus de Israel: "Permite-me, Senhor, vingar meus olhos aos filisteus!" Jeová ouve-lhe a prece, e lhe restitui a força no último momento da sua vida. O templo desaba, matando Sansão, Dalila, e mais filisteus do que Sansão matou em toda a sua vida."



Fontes: Wikipédia e Youtube

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Amilton Maciel Monteiro



Súplica

Aves! Cantai por mim que não possuo lira!
Vós sois, como os poetas, livres e inspiradas...
Onde existis, cantais, alegres, descansadas,
Como a dizer que a vida enleva, encanta e inspira.

Eu não nasci com estro, ó donas da safira!
Jamais foi meu o dom das palavras rimadas;
Dentro em meu peito as dores estão sempre caladas,
Apenas sei chorar! E o pranto já se expira...

Clamor de desespero é só o que tu poderia
Arrancar de meu peito. E nunca uma poesia!
Oh! menestréis dos céus, ouvi o que vos clamo:

Ide bem alto, alto, e lá no céu profundo,
Dizei ao Criador que eu peço neste mundo,
Amor, somente o amor do alguém a quem eu amo!

© Amilton Maciel Monteiro
São José dos Campos (SP) - Brasil

Cleide Canton



Nada Como o Depois

Cantas a lua cheia, fogosa e vadia,
enquanto canto a minguante,
nau do infinito,
onde debruço anseios que não se definem,
paixões que não redimem.

Cantas o sorriso aberto
das tardes de sol...
Eu seco as gotas da chuva
das poças lamacentas,
tentando impedir
que apodreçam as sementes
lançadas, por descuido,
em chão estéril.

Cantas a brisa mansa e fresca
das velhas madrugadas...
E eu sigo, em alvoroço,
usando as travas das portas
para que o vento forte
não quebre meus vasos trincados,
nem destrua os muros das minhas defesas.

Cantas o mar em calmaria...
Eu tento o rumo
entre a fúria das ondas revoltas,
sem certeza de alcançar a terra firme,
sem previsões de tempo e espaço.

Domas a fera...
Eu me escondo em tentativas frustradas,
enroscando-me em armadilhas
que jamais preparei.

Enterras tuas lágrimas
em tumbas faraônicas...
As minhas correm a céu aberto,
entre pedras e minérios,
esperando o calor para evaporarem.

No entanto,
nuvens barram a tua lua
e eu sigo navegando na minha.
Morrem as tuas sementes
e as minhas vingam
porque não descuidei delas.
Cansaste das tuas madrugadas de brisa
e eu sorrio dos meus vasos
que os ventos não conseguiram
mudar de lugar.
Morres nas calmarias
enquanto meu barco amanhece
sob aves barulhentas
que me apontam a praia segura.
Tua fera amiga te devora
enquanto dormes...
A minha lambe as minhas feridas.
Não encontras tuas lágrimas
para tantas dores,
mas as minhas continuam a cair,
lavando minha alma cicatrizada,
que sorri a cada amanhecer.
Tu foste!
Eu sou!
Nada como o depois!

SP, 27/08/2008
18:45 horas

© Cleide Canton
São Paulo (SP) – Brasil

Conheça a sensibilidade de Cleide visitando-a em Página Poética de Cleide Canton

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Mensagem - Honestidade

Este vídeo é atemporal e universal. Divulgue-o também.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Alfonsina Pais



Una vez más…

Parada frente al espejo, lentamente
voy dibujando la máscara de mi rostro.
Le doy una pincelada azul al contorno de mis ojos,
para que nadie descubra mi tristeza.
Cubro mis ojeras con un tono mate,
así no se notará cuan grande es mi pena.
Tapo con pinceladas de polvo
el rastro que dejaron mis lágrimas.
Resalto con rubor rosado suave mis pómulos,
con el afán de cambiar mis rasgos.
Con la fina punta de un lápiz,
delineo mis labios, remarcando la comisura,
y me esfuerzo una vez en pintarme la sonrisa
de un rosa brillante y nacarado.
Cepillo mi cabellera de falso color rubio,
necesario para que tapen las canas
que han pintado el tiempo y los desengaños.
Y lentamente voy dando forma al conjunto de cabellos
que terminará como rodete adosado en mi nuca.
Unas gotas de perfume en los lóbulos de mis orejas.
Me coloco los aros y el colgante.
Ajusto el reloj a mi muñeca.
Observo que toda mi ropa esté en orden,
alisándola con un gesto automático.
Acomodo mi chaqueta y tomo mi bolso.
Por último me coloco las gafas.
Respiro hondo, una vez más...
y el aire que exhalo sale como un lamento
que intento disimular tarareando.

Un día más en la jungla de cemento.
Nuevamente la profesional respetada
enfrentará el mundo en donde la has abandonado.
Y el dolor será guardado con doble llave,
en el último rincón de mi alma,
hasta que nuevamente retorne a casa,
dejando los tacos en la entrada,
iré sembrando chaqueta y bolso,
y frente al espejo lavaré mi cara,
donde se dibujará tu ausencia
y el sentimiento que aun arde en el alma.

© Alfonsina Pais
Rosario – Argentina

Visite Alfonsina Pais em Sencillamente Sintiendo...

domingo, 25 de outubro de 2009

Fernanda Guimarães



Hiatos

As letras desencontram-se das minhas mãos
Acenam-me lenços de palavras em silêncio
Ignoram a súplica que me habita os olhares.
Hoje, meus versos são navios de partida
Um trecho de história não vivida.

É como se a caligrafia fosse sombra
Cansada de perseguir os mesmos sonhos
Talvez por saber que a caneta rabiscará
As antigas algemas que dizem da espera
E da saudade que insiste em escrever teu nome.

Colho dos lábios da noite um sorriso de giz
E nos olhos nublados da folha em branco
Há a permanente ausência, a distância
Soladas pelos meus dedos zíngaros
O mesmo ponto, fim de linha.

© Fernanda Guimarães
Fortaleza (CE) - Brasil

Conheça mais textos da autora clicando aqui

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Rio de Janeiro


Não poderia faltar no Scenarium os cenários urbanos que me encantam, por isso começo homenageando a minha cidade, um cenário de encantos e desencantos como cantei em minha poesia “Rio de Janeiro”.

O destaque do vídeo é ver a paulista Rita Lee louvando as belezas da Cidade Maravilhosa, cantando Valsa de Uma Cidade. Para apreciá-lo melhor, acione a pausa da play list no layout lateral.

Você poderá apreciar também mais três vídeos de encher os olhos e encantar a alma:

Tom Jobim e Miúcha – Samba do Avião

Rio de Janeiro e Niterói, sob o olhar do fotógrafo Ricardo Zerrenner. Música: Chega de Saudade (Tom e Vinícius), na voz de Luciana Souza. Composição: helolima

Rio Antigo - uma homenagem saudosista do cearense Chico Anysio, na voz de Alcione

Completando a homenagem ao Rio, escolhi um poema do mineiro Drummond, que amou esta cidade mais do que muitos cariocas.

Canto do Rio em Sol
(Carlos Drummond de Andrade)

I

Guanabara, seio, braço
de a-mar:
em teu nome, a sigla rara
dos tempos do verbo mar.

Os que te amamos sentimos
e não sabemos cantar
o que é sombra do Silvestre
sol da Urca
dengue flamingo
mitos da Tijuca de Alencar.

Guanabara, saia clara
estufando em redondel:
que é carne, que é terra e alísio
em teu crisol?

Nunca vi terra tão gente
nem gente tão florival.
Teu frêmito é teu encanto
(sem decreto) capital.
Agora, que te fitamos
nos olhos,
e que neles pressentimos
o ser telúrico, essencial,
agora sim és Estado
de graça, condado real.

II

Rio, nome sussurrante,
Rio que te vais passando
a mar de estórias e sonhos
e em teu constante janeiro
corres pela nossa vida
como sangue, como seiva
-- não são imagens exangues
como perfume na fronha
... como pupila do gato
risca o topázio no escuro.
Rio-tato-
-vista-gosto-risco-vertigem
Rio-antúrio

Rio das quatro lagoas
de quatro túneis irmãos
Rio em ã
Maracanã
Sacopenapã
Rio em ol em amba em umba sobretudo em inho
de amorzinho
benzinho
dá-se um jeitinho
do saxofone de Pixinguinha chamando pela Velha Guarda
como quem do alto do Morro Cara de Cão
chama pelos tamoios errantes em suas pirogas
Rio, milhão de coisas
luminosardentissuavimariposas:
como te explicar à luz da Constituição?

III

Irajá Pavuna Ilha do Gato
-- emudeceram as aldeias gentílicas?
A Festa das Canoas dispersou-se?
Junto ao Paço já não se ouve o sino de São José
pastoreando os fiéis da várzea?
Soou o toque do Aragão sobre a cidade?

Não não não não não não não
Rio, mágico, dás uma cabriola,
teu desenho no ar é nítido como os primeiros grafismos,
teu acordar, um feixe de zínias na correnteza esperta do tempo
o tempo que humaniza e jovializa as cidades.
Rio novo a cada menino que nasce
a cada casamento
a cada namorado
que te descobre enquanto rio-rindo.
assistes ao pobre fluir dos homens e de suas glórias pré-fabricadas.

"Nova Reunião", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1985.

domingo, 18 de outubro de 2009

Luiz Poeta



Bailarina

Não bailas, bailarina, tu deslizas
No palco... e meu olhar que te percorre
Soluça a solidão que suavizas
Com cada gesto teu que me socorre...

Não danças, bailarina, tu flutuas,
Levitas com suaves movimentos
E mesmo sem querer tu atenuas
As dores dos meus tristes sentimentos.

Com leves rodopios, multiplicas
Teu corpo em outras tantas bailarinas;
O meu olhar desmaia onde tu ficas
Num êxtase de trôpegas retinas...

E quando dás o teu último passo,
A solidão das tuas sapatilhas
Aguarda mais um lírico compasso
No palco delicado onde tu brilhas.

Meu coração, então, apaga as luzes
E eu sonho ser o teu único par,
Tu danças, bailarina e me conduzes
À solidão sutil... do teu olhar.

© Luiz Poeta (SBACEM-RJ)
Rio de Janeiro (RJ) – Brasil

Visite Luiz Poeta em:
Luiz Poeta Studio – Música, Poesia & Arte

Rubem Alves


Desde minha infância, os jardins sempre me emocionaram. Esqueço das horas, quando me encontro dentro de um emaranhado de folhas e flores, independente se um jardim natural ou projetado. Todos me encantam. Todos têm o toque artístico de Deus. Escolhi este belo texto de Rubem Alves pela real simbologia de um jardim.
Jardim

Um amigo me disse que o poeta Mallarmé tinha o sonho de escrever um poema de uma palavra só. Ele buscava uma única palavra que contivesse o mundo. T.S. Eliot no seu poema O Rochedo tem um verso que diz que temos "conhecimento de palavras e ignorância da Palavra". A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo. Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria.

Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma... Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas... São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.

O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava, eu encostava a escada no muro e ficava espiando.
Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade.

Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.

Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. Mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: "São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu - constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada... Um dia você terá saudades... Vocês, então, saberão..." É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constroem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas... O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante... E como é bom!

Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido... Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: "Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma..." Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos...

Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera... Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas... Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius:

Se, no teu centro
um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar.

Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:

"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."

Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso." (O retorno eterno, p 65).

Fonte: A Casa de Rubem Alves

Cândido



A garota da esplanada

Sentou-se frente a mim, numa esplanada.

E num gesto lascivo, lento e lindo,
As pernas, pouco a pouco, foi abrindo
Até ver-se a calcinha avermelhada.

Estava distraída, relaxada,
Uma madeixa o rosto lhe cobrindo,
Era a expressão mais pura do divino
Por minha inconsciência profanada.

Meu pensamento é um depravado
Por um gesto bonito, descuidado,
Perdeu-se em rubras quebras de juízo,

Só porque aquela imagem de beleza,
Sentada ali em frente à sua mesa,
Era toda a visão do Paraíso.

04/03/2008

© Cândido
Amadora – Portugal

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