quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Tere Penhabe



Soneto IX
Não me conheces?

Eu traço diagonais entre os humanos,

Causando tropeções em suas vidas.
No anfiteatro, há cem milhões de anos,
Vê-se a reprise em cenas repetidas.

Tenho uma alcova em peito de tiranos,
Que tornam esperanças combalidas,
E mesmo quando fecham-se os panos,
A minha casta é toda de atrevidas.

Eu bruxuleio à luz do candelabro,
Enfeito as ceias que servem aos vermes,
Supostos homens, meros paquidermes...

Onde a vaidade faz o descalabro!
Eu não mereço mais que a tua ira...
Não me conheces? Sou a vil mentira!

© Tere Penhabe
Santos (SP) - Brasil
28/03/2007

Visitem Tere Penhabe em Amor Em Verso e Prosa

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Cora Coralina



Velho

Estás morto, estás velho, estás cansado!
Como um suco de lágrimas pungidas
Ei-las, as rugas, as indefinidas
Noites do ser vencido e fatigado.

Envolve-te o crepúsculo gelado

Que vai soturno amortalhando as vidas
Ante o repouso em músicas gemidas
No fundo coração dilacerado.

A cabeça pendida de fadiga,

Sentes a morte taciturna e amiga,
Que os teus nervosos círculos governa.

Estás velho estás morto! Ó dor, delírio,

Alma despedaçada de martírio
Ó desespero da desgraça eterna.

Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas, 20/08/1889 — 10/04/1985, é a grande poetisa do Estado de Goiás. Em 1903 já escrevia poemas sobre seu cotidiano, tendo criado, juntamente com duas amigas, em 1908, o jornal de poemas femininos "A Rosa". Em 1910, seu primeiro conto, "Tragédia na Roça", é publicado no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás", já com o pseudônimo de Cora Coralina.
Em 1911 conhece o advogado divorciado Cantídio Tolentino Brêtas, com quem foge. Vai para Jaboticabal (SP), onde nascem seus seis filhos: Paraguaçu, Enéias, Cantídio, Jacintha, Ísis e Vicência. Seu marido a proíbe de integrar-se à Semana de Arte Moderna, a convite de Monteiro Lobato, em 1922. Em 1928 muda-se para São Paulo (SP).
Em 1934, torna-se vendedora de livros da editora José Olimpio que, em 1965, lança seu primeiro livro, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais".
Em 1976, é lançado "Meu Livro de Cordel", pela editora Cultura Goiana.
Em 1980, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, manda-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, desperta o interesse do público leitor e a faz ficar conhecida em todo o Brasil. Sintam a admiração do poeta, manifestada em carta dirigida a Cora em 1983:

"Minha querida amiga Cora Coralina: Seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( ...)."

Editado pela Universidade Federal de Goiás, em 1983, seu novo livro "Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha", é muito bem recebido pela crítica e pelos amantes da poesia. Em 1984, torna-se a primeira mulher a receber o Prêmio Juca Pato, como intelectual do ano de 1983. Viveu 96 anos, teve seis filhos, quinze netos e 19 bisnetos, foi doceira e membro efetivo de diversas entidades culturais, tendo recebido o título de doutora "Honoris Causa" pela Universidade Federal de Goiás.
No dia 10 de abril de 1985, falece em Goiânia. Seu corpo é velado na Igreja do Rosário, ao lado da Casa Velha da Ponte.
"Estórias da Casa Velha da Ponte" é lançado pela Global Editora.
Postumamente, foram lançados os livros infantis "Os Meninos Verdes", em 1986, e "A Moeda de Ouro que um Pato Comeu", em 1997, e "O Tesouro da Casa Velha da Ponte", em 1989.

(extraído do livro "Estórias da Casa Velha da Ponte", Global Editora)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Chico Buarque e Vinícius de Moraes



As cartas abaixo foram trocadas entre Chico Buarque e Vinícius de Moraes há 38 anos, durante o processo de criação da linda Valsinha.
As cartas foram cedidas por Chico Buarque para o livro Achados, de Caíque Botkay. Faço aqui a ressalva de que a correspondência, por ser entre amigos, contém termos fortes, o que não desmerece o valor deste achado. Deliciem-se!

“DE VINÍCIUS DE MORAES PARA CHICO BUARQUE

Mar del Plata, 24 de janeiro de 1971

Chiquérrimo,

Dei uma apertada linda na sua letra, depois que você partiu, porque achei que valia a pena trabalhar mais um pouquinho sobre ela, sobre aqueles hiatos que havia, adicionando duas ou três idéias que tive. Mandei-a em carta a você, mas Toquinho, com a cara mais séria do mundo, me disse que Sérgio [Buarque de Hollanda] morava em Buri, 11, e lá se foi a carta para Buri, 11.

Mas, como você me disse no telefone que não tinha recebido, estou mandando outra para ver se você concorda com as modificações feitas.

Claro que a letra é sua, e eu nada mais fiz que dar uma aparafusada geral. Às vezes o cara de fora vê melhor essas coisas.

Enfim, porra, aí vai ela. Dei-lhe o nome de "Valsa hippie", porque parece-me que tua letra tem esse elemento hippie que dá um encanto todo moderno à valsa, brasileira e antigona. Que é que você acha? O pessoal aqui, no princípio, estranhou um pouco, mas depois se amarrou na idéia. Escreva logo, dizendo o que você achou.

"Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito mais quente do que comumente costumava olhar
E não falou mal da poesia como mania sua de falar
E nem deixou-a só num canto; pra seu grande espanto disse: vamos nos amar...
Aí ela se recordou do tempo em que saíam para namorar
E pôs seu vestido dourado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como a gente antiga costumava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a bailar...
E logo toda a vizinhança ao som daquela dança foi e despertou
E veio para a praça escura, e muita gente jura que se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz".

DE CHICO BUARQUE PARA VINÍCIUS DE MORAES

Caro poeta,

Recebi as duas cartas e fiquei meio embananado. É que eu já estava cantando aquela letra, com hiato e tudo, gostando e me acostumando a ela. Também porque, como você já sabe, o público tem recebido a valsinha com o maior entusiasmo, pedindo bis e tudo. Sem exagero, ela é o ponto alto do show, junto com o "Apesar de você". Então dá um certo medo de mudar demais. Enfim, a música é sua e a discussão continua aberta. Vou tentar defender, por pontos, a minha opinião. Estude o meu caso, exponha-o a Toquinho e Gesse, e se não gostar foda-se, ou fodo-me eu.

"Valsa hippie" é um título forte. É bonito, mas pode parecer forçação de barra, com tudo que há de hippie por aí. "Valsa hippie" ligado à filosofia hippie como você a ligou, é um título perfeito. Mas hippie, para o grande público, já deixou de ser filosofia para ser a moda pra frente de se usar roupa e cabelo. Aí já não tem nada a ver. Pela mesma razão eu prefiro que o nosso personagem xingue ou, mais delicado, maldiga a vida, em vez de falar mal da poesia. A sua solução é mais bonita e completa, mas eu acho que ela diminui o efeito do que se segue. Esse homem da primeira estrofe é o anti-hippy. Acho mesmo que ele nunca soube o que é poesia. É bancário e está com o saco cheio e está sempre mandando sua mulher à merda. Quer dizer, neste dia ele chegou diferente, não maldisse (ou "xingou" mesmo) a vida tanto e convidou-a pra rodar.

"Convidou-a pra rodar" eu gosto muito, poeta, deixa ficar. Rodar que é dar um passeio e é dançar. Depois eu acho que, se ele já for convidando a coitada para amar, perde-se o suspense do vestido no armário e a tesão da trepada final. "Pra seu grande espanto", você tem razão, é melhor que "para seu espanto". Só que eu esqueci que ia por itens.

Vamos lá:

* Apesar do Orestes (vestido de dourado é lindo), eu gosto muito do som do vestido decotado. É gostoso de cantar vestidodecotado. E para ficar dourado, o vestido fica com o acento tendendo para a primeira sílaba. Não chega a ser um acento, mas é quase. Esse verso é, aliás, o que mais agrada, em geral. E eu também gosto do decotado ligado ao "ousar" que ela não queria por causa do marido chato e quadrado. Escuta, ô poeta, não leva a mal a minha impertinência, mas você precisava estar aqui para ver como a turma gosta, e o jeito dela gostar dessa valsa, assim à primeira vista. É por isso que estou puxando a sardinha mais para o lado da minha letra, que é mais simplória, do que pelas suas modificações que, enriquecendo os versos, talvez dificultem um pouco a compreensão imediata. E essa valsinha tem um apelo popular que nós não suspeitávamos.

* Ainda baseado no argumento acima, prefiro o "abraçar" ao "bailar". Em suma, eu não mexeria na segunda estrofe.

* A terceira é a que mais me preocupa. Você está certo quanto ao "o mundo" em vez de "a gente". Ah, voltando à estrofe anterior, gostei do último verso onde você diz "e cheios de ternura e graça" em vez de "e foram-se cheios de graça". Agora, estou pensando em retomar uma idéia anterior, quando eu pensava em colocá-los em estado de graça. Aproveitando a sua ternura, poderíamos fazer "Em estado de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar". Só tem o probleminha da junção "em-estado", o "em-e" numa sílaba só. Que é o mesmo problema do "começaram-a". Mas você mesmo disse que o probleminha desaparece dependendo da maneira de se cantar. E eu tenho cantado "começaram a se abraçar" sem maiores danos. Enfim, veja aí o que você acha de tudo isso, desculpe a encheção de saco e responda urgente.

* Há um outro problema: o pessoal do MPB-4 está querendo gravar essa valsa na marra. Eu disse que depende de sua autorização e eles estão aqui esperando. Eu também gostaria de gravar, se o senhor me permitisse, por que deu bolo com o "Apesar de você", tenho sido perturbado e o disco deixou de ser prensado. Mas deu para tirar um sarro. É claro que não vendeu tanto quanto a "Tonga", mas a "Banda" vendeu mais que o disco do Toquinho solando "Primavera". Dê um abraço na Gesse, um beijo no Toquinho e peça à Silvana para mandar notícias sobre shows etc. Vou escrever a letra como me parece melhor. Veja aí e, se for o caso, enfie-a no ralo da banheira ou noutro buraco que você tiver à mão.

"Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar
Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz."

Fonte:
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

Apreciem o vídeo da música Valsinha, com as imagens de Chico Buarque na exposição O Tempo e o Artista sobre sua vida e sua carreira, apresentada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 2004.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Olga Kapatti



Reflexão:
Minha Força!

Posso pisar sobre cacos
que não terei meus pés cortados.
Ao contrário, esmago-os
transformando-os
em pó acetinado
para mais tarde usá-lo
como brilho de minh'alma!!!

© Olga Kapatti.K
São José do Rio Preto (SP) - Brasil


Conheça a AVPB, Academia Virtual criada por Olga Kapatti
e sua página pessoal, clicando aqui.


Seus E-books:
AVPB
AVBL

Minha singela homenagem à Olga, que abriu as portas da Academia Virtual Poética do Brasil para acolher minhas letras. Obrigada, querida Olga, certamente estás brilhando na Academia Celestial.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Sandra Lúcia Ceccon Perazzo



Oculta de Mim

Ausente de ti,
Não sei mais do amor,
Da saudade, da tristeza,
Da dor, da alegria,
Muito menos da euforia...

Oculta de mim,
Nada sei da paz,
Da felicidade, da bondade,
Do afeto, da doçura,
Muito menos da candura...

Ausente de ti,
Oculta de mim,
Sem protesto,
Afogada no mar do vir-a-ser,
Com as emoções queimadas,
Por descuido que pousaram,
Nos sonhos do amor imaginário,
Sou a serenidade nua, dourada,
De quem nada mais espera...

Nós, ausentes e ocultos de nós,
Mortalmente feridos,
Pelos golpes dos remorsos,
Sem invocar as sagas do que fomos,
Despidos das fantasias,
Não somos mais nada...

© Sperazzo
São Paulo (SP) - Brasil

03/09/2008

Conheça mais textos de Sperazzo aqui

Michael Jackson



Personalidade controversa, mas inegavelmente um grande artista, Michael Jackson deixa uma obra a ser lembrada para sempre. Apreciem um momento intimista do Rei do Pop, interpretando Gone too Soon, música composta por Larry Grossman e Buz Kohan. Esta canção não fez sucesso, e Michael só a apresentou na festa de posse do Presidente Bill Clinton, em 1993. O astro dedicou a canção ao seu amigo Ryan White, portador de hemofilia desde os 6 anos de idade, vitimado pela AIDS aos 19 anos, após ser contaminado em uma transfusão de sangue.

Clicando aqui vocês também poderão assistir ao vídeoclipe oficial dessa mesma composição.

Mais dois grandes momentos de Michael Jackson:
Thriller (completo)
Billie Jean

Eis a tradução de Gone too Soon: coincidência?
Acabou tão Rápido
Como um cometa
Cruzando o céu ao anoitecer
Acabou tão rápido...
Como um arco-íris
Sumindo em um piscar de olhos
Acabou tão rápido...
Brilhante, cintilante
E esplendorosamente radiante
Aqui um dia
Tornou-se noite
Como a falta da luz do sol
Em uma tarde nublada
Acabou tão rápido...
Como um castelo
Construído na areia da praia
Acabou tão rápido...
Como uma flor perfeita
Que está fora do seu alcance
Acabou tão rápido...
Nascido para alegrar, inspirar, encantar
Aqui um dia
Tornou-se noite
Como um pôr-do-sol
Morrendo com o nascer da lua
Acabou tão rápido...
Acabou tão rápido...

Guilherme de Almeida



Nós

Quando as folhas caírem nos caminhos,
ao sentimentalismo do sol poente,
nós dois iremos vagarosamente,
de braços dados, como dois velhinhos,

e que dirá de nós toda essa gente,
quando passarmos mudos e juntinhos?-
"Como se amaram esses coitadinhos!
como ela vai, como ele vai contente!"

E por onde eu passar e tu passares,
hão de seguir-nos todos os olhares
e debruçar-se as flores nos barrancos...

E por nós, na tristeza do sol posto,
hão de falar as rugas do meu rosto
hão de falar os teus cabelos brancos.

Guilherme de Andrade e Almeida
"O Príncipe dos Poetas Brasileiros"
(In Nós – 1917)

domingo, 26 de julho de 2009

Mensagem - Luiza Possi



Homem-máquina

Nossa sociedade. Nós. Homens. Humanos. Máquinas. Onde nos perdemos? Quando realmente nos encontramos?
Acho que não existe outro período na História onde tivemos tanta liberdade quanto temos hoje, nenhum tipo de repressão, nem oposição a nada. Podemos tanto e essa talvez seja a maior repressão, a maior barreira entre as pessoas.
A sensação de poder fazer o que quiser gera a vontade de fazer tudo ao mesmo tempo. A internet se aproxima da velocidade da luz, nos possibilitando falar com todos, de uma só vez.
Quantidades exorbitantes! E a qualidade?
Acho que é mais fácil dizer para muita gente ao mesmo tempo que você está entrando no carro e indo ao supermercado do que sentar com um amigo e falar do que realmente nos faz bem, e do que nos faz mal. O conceito de se relacionar está mudando, não sabemos ainda muito bem para onde.
Comecei a pensar seriamente sobre isso no dia em que encontrei pessoalmente um grande amigo que conversava toda noite comigo pelo Messenger, foi tão estranho... Na época e pelo tipo de conversa que tínhamos, eu poderia dizer que ele era meu melhor amigo, e de repente nos vimos ali, completamente sem graça, sem saber sobre o que falar, então eu dei o primeiro passo e perguntei se ele estava melhor. Ele riu e falou:
— Te respondo mais tarde no MSN.
Seria mais fácil assim, a gente já se conhecia naquele esquema, aquela era a nossa relação possível. Era menos assustador lidar com a minha interpretação de suas palavras, do tom de voz que eu imprimia em cada frase, da risada que eu via passando na minha cabeça e que talvez ele nunca tivesse dado. Era a minha relação com a minha imaginação através da sugestão dele.
Imaginem, então, se o Twitter promovesse um encontro entre as pessoas que postam mensagens o dia inteiro, dando as coordenadas de cada passo de suas vidas, e seus seguidores que acompanham fervorosamente cada informação. Como seria? O que diriam uns aos outros? Seria confortável saber quem são as pessoas que sabem tanto da sua vida? Que tipo de intimidade é criada entre essas pessoas? Às vezes acho que jogamos essas preciosas informações de nossas vidas à deriva, sem direcionar a verdade para ninguém.
Preenchemos esse espaço em branco do mundo virtual de nós mesmos e não absorvemos de fato nenhuma informação do outro.
O mundo virtual está diretamente relacionado ao mundo imaginário, e nenhum é de fato palpável. E assim somos cada vez mais livres e mais entocados em nossos planetas particulares, nos privando da troca construtiva com o outro, ficando apenas com a ideia de se comunicar.
Acho que tudo tem dois lados e até mais. Usar a internet para expandir nossas fronteiras, manter contato com pessoas que estão distantes, poder divulgar nosso trabalho para quem tiver interesse é fantástico, é o ápice da democracia, todos nós podemos, não há hierarquia, além de uma série de outras vantagens. Mas a questão que me inquieta é que ainda somos pessoas que precisam urgentemente voltar a se relacionar com o mundo real, com os gestos reais que vêm do outro, poder reagir de fato a uma ação sincera e espontânea que na verdade já é uma reação da nossa ação de estar ali presente, disposto e disponível.
Falta de tempo é a nossa grande aliada na hora de ter uma desculpa para não podermos nos encontrar, mas tempo é a única coisa que temos nesta vida.

Luiza Possi é cantora
Revista O Globo – 12/07/09

Perpetuum Jazzile



"O palco é a nossa tela, as nossas vozes são as nossas cores. Nós as misturamos e as unimos para criar obras-primas."

Perpetuum Jazzile é um coral esloveno conduzido pelo maestro Tomaz Kozlevcar e tem mais de 25 anos de carreira. Passou a ser conhecido depois que foi descoberto no Youtube com a música Africa, da banda Toto.
Formado por 42 componentes, eles emocionam seu público com um programa colorido, canto extraordinário e alegria única, como bem definido em seu site oficial. Eles se apresentam cantando em português, inglês, espanhol e esloveno.
Além da música Africa, já linkada acima, selecionei mais apresentações do coral, deliciem-se:

Bee Gees Medley
Brez besed / Eres Tu
Manhã de Carnaval
Cudna Noc (Strange night)
Girl from Ipanema
As
Aquarela do Brasil, com a participação do conjunto BR6
Mas Que Nada
Só Danço Samba
Kradeva brez vere & Soba 102

Ana Suzuki



Serenidade

Virei água morna,
que se recusa a ferver
e tampouco a esfriar.
E quero manter-me assim,
sem arrepios de gelo
nem tremores de fervura.

Virei rio de planície,
sem securas na vazante
ou desatinos na enchente.
Já não corro, só deslizo.
Entre lírios e serpentes,
eu deslizo.

(In Bodas de Coral)
© Ana Suzuki
Campinas (SP) – Brasil

Conheça a obra de Ana Suzuki na Del Nero Virtual Bookstore.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Lenya Terra



Desvenda-me

Não venha me falar de razão,
Não me cobre lógica,
Não me peça coerência,
Eu sou pura emoção.
Tenho razões e motivações próprias,
Sou movido por paixão,
Essa é minha religião e minha ciência.
Não meça meus sentimentos,
Nem tente compará-los a nada,
Deles sei eu,
Eu e meus fantasmas,
Eu e meus medos,
Eu e minha alma.
Sua incerteza me fere,
Mas não me mata.
Suas dúvidas me açoitam,
Mas não deixam cicatrizes.
Não me fale de nuvens,
Eu sou Sol e Lua,
Não conte as poças,
Eu sou mar,
Profundo, intenso, passional.
Não exija prazos e datas,
Eu sou eterno e atemporal.
Não imponha condições,
Eu sou absolutamente incondicional.
Não espere explicações,
Não as tenho, apenas aconteço,
Sem hora, local ou ordem.
Vivo em cada molécula,
Sou o todo e sou uno,
Você não me vê,
Mas me sente.
Estou tanto na sua solidão,
Quanto no Teu sorriso.
Vive-se por mim,
Morre-se por mim,
Sobrevive-se sem mim.
Eu sou começo e fim,
E todo o meio.
Sou seu objetivo,
Sua razão que a razão
Ignora e desconhece.
Tenho milhões de definições,
Todas certas,
Todas imperfeitas,
Todas lógicas apenas
Em motivações pessoais,
Todas corretas,
Todas erradas.
Sou tudo,
Sem mim, tudo é nada.
Sou amanhecer,
Sou Fênix,
Renasço das cinzas,
Sei quando tenho que morrer,
Sei que sempre irei renascer.
Mudo a protagonista,
Nunca a história.
Mudo de cenário,
Mas não de roteiro.
Sou música,
Ecôo, reverbero, sacudo.
Sou fogo,
Queimo, destruo, incinero.
Sou água,
Afogo, inundo, invado.
Sou tempo,
Sem medidas, sem marcações.
Sou clima,
Proporcional a minha fase.
Sou vento,
Arrasto, balanço, carrego.
Sou furacão,
Destruo, devasto, arraso.
Mas também sou cimento, sou tijolo,
Construo, recomeço...
Sou cada estação,
No seu apogeu e glória.
Sou seu problema
E sua solução.
Sou seu veneno
E seu antídoto
Sou sua memória
E seu esquecimento.
Eu sou seu reino, seu altar
E seu trono.
Sou sua prisão,
Sou seu abandono e
Sou sua liberdade.
Sua luz,
Sua escuridão
E seu desejo de ambas,
Velo seu sono...
Poderia continuar me descrevendo
Mas já te dei uma idéia do que sou.
Muito prazer, tenho vários nomes,
Mas aqui, na sua terra,
Chamam-me de AMOR.

Helena B. Mendonça
Lenya Terra®
Astorga (PR) – Brasil

Conheça mais poemas de Lenya Terra clicando nos endereços abaixo:

- Grupo Ecos da Poesia
- Varanda das Estrelícias

domingo, 19 de julho de 2009

Ernesto Cortazar



"Ernesto Cortazar nasceu na cidade do México e seu pai, também batizado Ernesto Cortazar, foi o Presidente Fundador da Sociedade de Compositores do México (SACMA).

Com 13 anos de idade, Cortazar perdeu tragicamente seus pais em um acidente de carro e, apesar da grande perda, continuou seus estudos de música, sendo que aos 17 anos de idade começou a musicar filmes de longa-metragem. Aos 18 anos, ganhou o prêmio de Melhor Fundo Musical Para um Filme Latino-americano, no Festival Internacional de Cartagena, Colômbia, com a música “River of Dreams”, que passou a nomear um de seus álbuns de maior sucesso.
Desde então, musicou mais de 500 filmes mexicanos e internacionais.

Cortazar converteu-se no artista nº 1 de MP3.com, durante os anos de 1999 e 2001, conseguindo mais de 14 milhões de downloads, entre 130.000 artistas independentes.
Suas páginas na Internet foram visitadas por mais de 4 milhões de pessoas, além de vender mais de 30.000 discos em 69 países, sem ter nenhum contrato fonográfico com gravadoras.

No ano de 2001, Cortazar mudou-se de Los Angeles para Tampico, no México, a fim de viver seus últimos anos junto à sua família, enfrentando uma dura batalha contra o câncer, vindo a falecer no ano de 2004.

Atualmente, seus filhos Ernesto Cortazar III e Edgar Cortazar continuam o legado musical da família Cortazar, sendo reconhecidos e premiados compositores do mercado Latino."

Fonte: www.ernestocortazar.net

O site oficial do pianista, criado neste ano e sob supervisão de seu filho Ernesto Cortazar III, contêm vídeos musicais, partituras, além da disponibilização de músicas no Itunes.

É com grande admiração e gratidão que divulgo, neste espaço, um pouco da sensibilidade magistral do pianista Ernesto Cortazar. Suas composições e interpretações foram e ainda são fontes de inspiração para a criação dos meus poemas.


As Time Goes By
Beethoven’s Silence
Blue Waters
Don’t Leave Me
Forever You And I
I Surrender To Your Love
Intermezzo
Juliett
Just For You
L’adieu
La Vida Es Bella
Leaves in The Wind

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sonia Pallone



Palavra Muda

"... Dói tanto saber
Que este silêncio tolo que se arrasta comigo
Cresce no dia a dia,
Me envolve, assombra e arrepia
Dança, embebeda e nem assim
Me serve de consolo...

Dói-me saber
Que esta palavra muda
Que escorrega tranquila na garganta,
Provoca, fere e me espanta o interior...
Remexe, brinca e não resolve,
Nada muda...

Dói-me saber enfim
Que amordaçada, a boca se reprime
E acorrentados,
Os pés e mãos de gestos descontentes
Desistem da luta,
Adormecem,
E eu fico com a minha dor
Sem saber de nada..."

© Soni@ Pallone
Atibaia (SP) – Brasil

Visite Sonia Pallone em:
Solidão de Alma
Fragmentos Poéticos

Nídia Vargas Potsch



Defeitos e imperfeições!

Laços rompidos dos muitos abraços
Que nos tornavam unos e poderosos.
Desmancharam-se os nós que os atavam
Presos em devaneios mais que calorosos...

Ficamos soltos no cais da vida. À deriva!
Ao sabor do tempo, na canção da Vida.
Inclemente espera... calejada... sofrida...
Seria a tão liberdade pretendida?

Na instabilidade dos erros cometidos
Com as verdades do silencio que fala e cala
A certeza de que a lição a ambos serviu...

Olhares perdidos... feridos... oprimidos...
Nesta mescla de emoções em desvario, só
Caberá a nós um desafio... Quem mentiu?!

© Nídia Vargas Potsch - @Mensageir@
Rio de Janeiro (RJ) – Brasil
17/06/2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Laura B. Martins



Tanto que eu não disse...

Era tanto o que eu não disse...
tanta palavra abafada...
Medo de dizer tolice
ou, talvez, ressabiada.

Era tanto o que eu não disse...
emudecida, engasgada...
E sempre aquela mesmice
que engoli, boca fechada.

Tantos anos se passaram,
tão pouco que os colorisse.
Defeitos me apregoaram

até chegar a velhice.
Agora, os sapos saltaram
e digo o que nunca disse!

20/03/2009

© Laura B. Martins
Lisboa - Portugal
Soc. Port. Autores nº 20958

http://laurabmartins01.blogs.sapo.pt

Mensagem - Alexandre Pelegi



Relógio do coração

Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente. Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia. Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário nos mostrar que ficaram por anos em nossas agendas. Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho.

Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na Terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas. E há casamentos que, ao olharmos para trás, mal preenchem os feriados da folhinha. Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembrança de horas. Há eventos que marcaram, e que duram para sempre - o nascimento do filho, a morte da avó, a viagem inesquecível, o êxtase do sonho realizado. Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra "eternidade".

Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria das vezes o tempo transcorrido foi o mesmo. Mas conforme meu espírito houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz estava eu na ocasião. O relógio do coração - hoje descubro - bate noutra freqüência daquele que carrego no pulso. Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente.

Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo. É olhar as rugas e não perceber a maturidade. É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças da vida. Pense nisso. E consulte sempre o relógio do coração: ele lhe mostrará o verdadeiro tempo do mundo.

Alexandre Pelegi
http://www.primeiroprograma.com.br/site/website/blog/pelegi/

Célia Jardim e Marise Ribeiro



Agradeço à Célia Jardim pelo presente e convido você a assistir a seu belo vídeo-arte. Para melhor apreciação do vídeo, não se esqueça de dar pausa na playlist musical deste blog.

Luís de Camões



Soneto

Ditoso seja aquele que somente
se queixa de amorosas esquivanças;
pois por elas não perde as esperanças
de poder n'algum tempo ser contente.

Ditoso seja quem, estando ausente,
não sente mais que a pena das lembranças;
porqu'inda que se tema de mudanças,
menos se teme a dor quando se sente.

Ditoso seja, enfim, qualquer estado
onde enganos, desprezos e isenção
trazem o coração atormentado.

Mas triste quem se sente magoado
d'erros em que não pode haver perdão,
sem ficar n'alma a mágoa do pecado.

Luís Vaz de Camões – Série Sonetos
Leia mais poemas de Camões clicando aqui.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ruth Gentil Sivieri



Destroços

Quando a saudade joga o negro manto
Sobre os escombros pálidos da dor
Minh´alma se desfaz em triste pranto
Rasgando o tempo pérfido do amor.

Debaixo desse manto estão os sonhos
Que acalentei durante toda a vida
Dependurados são até bisonhos
Receio de ver só uma despedida.

O tudo que sonhei agora é nada
Um nada que pensei ser quase tudo
A se esvair mais rápido no adeus

No oceano de uma vida bem aguada
Ver ruir os lindos sonhos nem me iludo
Só entrego o sofrimento para Deus.

© Ruth Gentil Sivieri
Esmeraldas (Grande BH), MG – Brasil

http://www.ruthgentilsivieri.prosaeverso.net/

Pierre-Auguste Renoir



As Meninas Cahen d'Anvers (conhecido como "Rosa e Azul"), pintado por Renoir em 1881

Pierre-Auguste Renoir foi um dos mais importantes nomes do movimento impressionista.

Sua obra foi influenciada pelo sensualismo e pela elegância do rococó, embora não faltasse um pouco da delicadeza de seu ofício anterior como decorador de porcelana. Seu principal objetivo, como ele próprio afirmava, era conseguir realizar uma obra agradável aos olhos. Apesar de sua técnica ser essencialmente impressionista, Renoir nunca deixou de dar importância à forma – como podemos ver na longa série Banhistas.

Em 1862 após juntar dinheiro com seu trabalho, Renoir realiza seu sonho: aos 21 anos muda-se pra Paris e entra para a École des Beaux-Arts de Paris. Entra também para o ateliê de Charles Gleyre e assistindo às aulas no ateliê, além de aperfeiçoar a sua técnica, conquista a amizade de Alfred Sisley, Monet e Bazille, com quem compartilha dias de muita conversa e teorização em Paris e de árduo trabalho em Argenteuil, pintando ao ar livre.

Em 1865, consegue que dois trabalhos sejam aceitos e expostos no Salão Oficial: “Retrato de William Sisley" e "Uma tarde de verão".

Em 1868 começa a trabalhar junto com Monet, um dos velhos amigos da loja de Gleyre. Passam a pintar juntos, perto de Paris, onde Monet tem uma casa que se torna ponto de encontro daqueles novos pintores.
Em 1874, cansados de serem rejeitados, Renoir e outros artistas organizam a primeira exposição. A exposição não teve sucesso financeiro, mas rendeu aos expositores o título de "impressionistas", para ridicularizá- los. Termina a obra "O Dançarino" e em seguida "Moulin of the Galette". Renoir confirma-se como um dos representantes mais notáveis no impressionismo.

Em 1876, durante a segunda Exposição Impressionista, Renoir apresenta 15 trabalhos, período no qual seus quadros já agradavam, como a obra "Madame Charpentier e suas filhas" alcançando um enorme sucesso na exposição do Salão em 1879.

Em 1881 Renoir vai para a Itália. Ele fica tão impressionado com o trabalho dos renascentistas italianos que chega à conclusão de que nada sabia de desenho, e muito pouco de pintura. É a partir desse instante que o artista firma o seu traço, e abandonando a maneira impressionista de aplicar as tintas em pequenas pinceladas, passa a usar o método de espalhá-las em camadas e vernizes. Satisfeito com aquele trabalho e com uma estabilidade econômica que adquirira, torna-se um artista mais austero e mais clássico, sem abandonar o brilho de coloração característico do impressionismo. Aqui podemos destacar "Jovem nadador" e "A toilette", entre outros.

Renoir passa então a criar as suas próprias técnicas

O quadro "Guarda-chuvas", iniciado em 1880 e terminado em 1886 é uma composição cheia de planos de cores.
Em sua criatividade, Renoir descobre que traço firme e riqueza de colorido eram coisas incompatíveis. Passa então a combinar o que havia aprendido sobre cor, durante seu período impressionista, com métodos tradicionais de aplicação de tinta. O resultado é uma série de obras-primas. O reconhecimento oficial vem em 1892 quando o governo francês compra "Ao Piano".

Em 1888, visitando Lézanne em Aix-en-Provance, Renoir descobre Cagnes que passa a ser sua residência de inverno. Talvez por isso tenha começado a sofrer de artrite e reumatismo.
Renoir sente cada vez mais dificuldades para segurar os pincéis, em virtude da piora da artrite. Tem de amarrá-los às mãos. Começa também a esculpir, na esperança de poder expressar seu espírito criativo através da modelagem. Para isso ele precisa da ajuda de dois jovens artistas: Richard Gieino e Louis Morel, que trabalham seguindo as instruções de Renoir. Ainda assim, Renoir contina trabalhando até o último dia de sua vida. As esculturas, apesar de não terem sido modeladas por Renoir, apresentam todas elas as características do seu estilo. Elas foram depois vazadas em cobre por instâncias do coletor e comerciante Ambroise Vollard.

Sua esposa, Alice Charigot morre em 1915. Em agosto de 1919, Renoir é levado por amigos ao Museu do Louvre para ver lá, pela primeira vez, seu trabalho exposto: "Sra. Charpentier e as suas filhas". No Louvre está também a obra terminada em 1918: "As Banhistas". Renoir morre em Cagnes, no dia 3 de dezembro de 1919, aos 78 anos.
Fontes: Wikipedia
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